Titãs: histórico grupo paulista retornou a Porto Alegre

Resenha - Titãs (Pepsi on Stage, Porto Alegre, 06/06/2012)

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Por Paulo Finatto Jr.
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O disco “Cabeça Dinossauro” (1986) pode ser rotulado de duas maneiras: como a obra mais importante dos TITÃS em trinta anos de carreira ou como o álbum mais transgressor do pop/rock brasileiro. Com o intuito de prestar uma homenagem ao trabalho, o histórico grupo paulista retornou a capital gaúcha na última quarta-feira para um show mais do que especial. O repertório de “Cabeça Dinossauro” (1986) foi executado na íntegra e a banda ainda retirou da cartola músicas que há anos não eram mais executadas ao vivo. O público que compareceu ao Pepsi on Stage gostou do que viu, mesmo que com ressalvas.

Fotos: Liny Rocks

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Embora com um line-up que pouco lembra a superbanda dos anos oitenta, Paulo Miklos (vocal e guitarra), Tony Bellotto (guitarra), Branco Mello (vocal e baixo), Sérgio Britto (vocal e teclado) e Mário Fabre (bateria) mostraram ao vivo que os TITÃS ainda podem ser considerados o ícone do rock nacional, mesmo que o show comemorativo tenha sido um pouco burocrático e sem a mesma energia do passado. O lamentável atraso de quase uma hora – que ocasionou até vaias entre os presentes – pode ter sido determinante para o resultado morno atingido na abertura com o espetáculo, com a faixa-título “Cabeça Dinossauro”. O som do Pepsi on Stage estava excepcional e o grupo conseguiu reverter o quadro a seu favor já na sequência, com “AA UU” e com a performance um pouco mais animada de Sérgio Britto como frontman. Por mais que “Cabeça Dinossauro” (1986) seja um disco imprescindível para a história do rock brasileiro, as músicas menos conhecidas da obra, como “Igreja”, passaram despercebidas em meio a tantos outros clássicos que tocaram – e ainda tocam – exaustivamente nas rádios de todo o país.

O aspecto mais burocrático e monótono da noite era alterado sempre que Paulo Miklos assumia o posto de vocalista dos TITÃS. Com uma performance bem mais vibrante se comparada com a de Branco Mello ou a de Sérgio Britto, o guitarrista incendiava a plateia com as músicas mais agressivas do disco homenageado. O resultado com “Polícia” foi excelente. A curtíssima punk/metálica “A Face do Destruidor” sucedeu “Estado Violência”, outra faixa também menos conhecida do repertório, mas que conquistou um bom retorno dos gaúchos. Com a volta de Sérgio Britto ao posto de vocalista, os TITÃS emendaram “Porrada” e “Tô Cansado”, que deixou ainda mais claro que o público conhecia apenas os principais sucessos de “Cabeça Dinossauro” (1986). A prova definitiva veio com as conhecidas “Bichos Escrotos” e “Família”, que incendiaram novamente o Pepsi on Stage, praticamente lotado por fãs e curiosos. A clássica “Homem Primata” manteve o mesmo pique.

Na reta final da primeira parte do show, justamente a que homenageava o álbum “Cabeça Dinossauro” (1986), os TITÃS executaram “Dívida”, que pouco obteve destaque, e “O Que”, que voltou a animar a plateia. De volta para a segunda parte do espetáculo, Paulo Miklos & Cia. fugiram do óbvio e trouxeram para a capital gaúcha músicas que há muito tempo não apareciam nos set-lists do conjunto. A primeira delas foi “A Verdadeira Mary Poppins”, retirada do álbum “Titanomaquia” (1993), que conquistou pouco sucesso no início dos anos noventa. Do recente “Sacos Plásticos” (2009), os TITÃS tocaram apenas “Amor por Dinheiro”, justamente a faixa que antecedeu outra do esquecido “Titanomaquia” (1993): “Nem Sempre se Pode ser Deus”. O que se percebia era o contentamento apenas de uma pequena parte da plateia, pois a maioria esperava mesmo os atuais sucessos do grupo paulista, como “Epitáfio” e “Enquanto Houver Sol”, que infelizmente ficaram de fora do repertório. Entretanto, “Aluga-se”, cover de RAUL SEIXAS presente no álbum “As Dez Mais” (1999), e “Diversão” serviram de trampolim para que o público se animasse novamente.

A primeira pausa para um momento de interatividade entre os TITÃS e o público foi antes de “Vossa Excelência”, música que foi dedicada aos ex-presidentes Fernando Collor e Lula, envolvidos em escândalos políticos. As letras ácidas da banda, que marcaram a história da música brasileira justamente a partir do álbum “Cabeça Dinossauro” (1986), reapareceram em outra música praticamente esquecida pelo grupo: “Televisão”, cantada com pouco brilho por Branco Mello. Na sequência, “O Pulso” – música de maior impacto comercial – agitou a noite fria, em que os termômetros marcavam menos de 5º C na rua. A faixa nova da banda, que tem sido a principal novidade nos últimos shows, intitulada “Fala Renata”, também apareceu. Porém, a música pouco impressionou o público, que se mostrou mais aberto às velharias do que ao momento atual dos TITÃS. As faixas “Será que é Isso que Eu Necessito?” e “Lugar Nenhum” foram executadas na sequência, para a surpresa de muitos. O show foi encerrado de maneira um pouco diferente do habitual.

Na volta para o bis, os TITÃS trouxeram o que o público mais esperava para ver e ouvir ao vivo: “Flores”, cantada novamente de maneira pouco talentosa por Branco Mello. Porém, a plateia pouco se importava com a performance do baixista e atendia aos pedidos para pular e acompanhar junto. O derradeiro fim foi decretado com a dobradinha “Sonífera Ilha” e “Marvin”. Com cerca de 1h30 de show, os TITÃS mostraram que possuem um repertório invejável, que pode dosar sucessos radiofônicos com faixas mais obscuras e de valor incalculável. No entanto, o que pareceu é que o grupo perdeu um pouco do comprometimento e da vontade de tocar ao vivo. O espetáculo não foi ruim, mas pecou pela monotonia como a maioria das faixas foi despejada. Os verdadeiros fãs do quarteto paulista até podem ter deixado o Pepsi on Stage um pouco insatisfeitos com a performance da banda, mas é impossível reclamar do que contornou a homenagem ao excelente “Cabeça Dinossauro” (1986). O álbum executado na íntegra é o que vai ficar na memória da maioria.

Set-list:

01. Cabeça Dinossauro
02. AA UU
03. Igreja
04. Polícia
05. Estado Violência
06. A Face do Destruidor
07. Porrada
08. Tô Cansado
09. Bichos Escrotos
10. Família
11. Homem Primata
12. Dívidas
13. O Que
14. A Verdadeira Mary Poppins
15. Amor por Dinheiro
16. Nem Sempre se Pode ser Deus
17. Aluga-se
18. Diversão
19. Vossa Excelência
20. Televisão
21. A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana
22. O Pulso
23. Fala Renata
24. Será que é Isso que Eu Necessito?
25. Lugar Nenhum
26. Flores
27. Sonífera Ilha
28. Marvin

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Post de 11 de junho de 2012


Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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