The Mission UK: Como foi a apresentação do grupo em SP

Resenha - The Mission UK (Cine Jóia, São Paulo, 27/05/2012)

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Por Xande Capitão
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Seria a primeira vez que assistiria o The Mission ao vivo, e o primeiro show que assistiria no Cine Jóia. Um dos maiores representantes do chamado estilo gótico estaria tocando na região central de São Paulo, próximo da Catedral da Sé, classificada por estudiosos como “neogótica tardia”, fazendo então uma união perfeita para uma grande noite.

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A primeira visão que tive foi a longa fila na porta desse velho cinema. Apesar de longa, muito calma, organizada, e pacífica, um tanto incomum para concertos de rock. E ali já pude ver que a quantidade de sósias do vocalista Wayne Russey não era pequena. Rapidamente me odiei por não ter me lembrado de não ir com camiseta preta...

Com a fila andando rápido, logo estaria dentro do local do show, curioso para conhecer esse espaço. Senti falta de revista na entrada, me preocupando com a segurança da casa. Minha preocupação se agravou em seguida quando fui comprar uma cerveja e me entregaram a garrafa. Certamente fora dos padrões para os dias atuais, onde acreditar na paz e no bom senso do ser humano é tarefa impossível. Apagadas as luzes, era hora do show.

“Beyond the Pale” abriu os trabalhos. E o velho Mission com 3 dos integrantes originais foi ganhando o palco. O guitarrista Simon Hinkler parecia saído diretamente de 1987, com chapéu, colete, óculos escuros. Com sua careca bem aparada e tocando bem, o baixista Craig Adams, tendo no currículo uma longa história ao lado de Wayne, incluindo a passagem pelo Sisters of Mercy, e a criação da linha de baixo da imortal Wasteland, ainda parece um menino se divertindo. E a surpresa positiva veio com o próprio Wayne, que deve ter decepcionado seus sósias, e não surgiu vestido como no clip de Severina, veio sim como um homem da sua idade, blazer, camiseta, orgulhoso dos cabelos brancos. Ponto pra ele. Ao fundo, interessantes projeções enriqueciam o clima do show.

Com os contatos de primeiro grau feitos, era hora de focar na performance. É raro ver uma banda com uma guitarra de 12 cordas durante um show inteiro. E isso faz toda a diferença. Impossível não pensar no Led Zeppelin, e em seguida lembrar que John Paul Jones produziu o segundo álbum do Mission. Muito bom também ver Simon utilizando o e-bow, que produz um efeito bastante particular, e não é muito utilizado pelos guitarristas por aí, que se quer conhecem esse recurso. Procure por “Butterfly On a Wheel” em São Paulo no youtube e entenda melhor do que estou falando. Importante destacar o nível de Wayne, Craig e Simon, todos em ótima forma. Pecaram apenas na escolha do baterista, não que se trata de um mau músico, mas com um estilo distante da escola da banda, utilizando uma bateria sem tons, para uma banda com clássicos cheios de viradas, e um inexplicável chimbau de 18 polegadas. Felizmente não comprometeu esse belo show. Em termos de som o Jóia decepcionou, a acústica pobre até que funcionou para uma banda como o Mission, carregada de flangers, fazers e muito reverb na voz. Mas se fosse um show com músicas de passagens precisas e marcadas, como de thrash metal, por exemplo, certamente seria péssimo.

O show contou com um repertório bem escolhido, focando os álbuns God´s Own Medicine, Children e Carved in Sand. Além da qualidade da execução, as músicas ganharam novas versões, e o Mission ainda primou por não reproduzir fielmente as canções como nos discos, e isso enriqueceu ainda mais a noite, e mostrou quanta vida seu trabalho ainda possui.

Primeiro ato encerrado era hora do bis. Isso já era esperado, o que ninguém esperava era eles voltarem com All Along The Watchtower de Bob Dylan, com Simon reproduzindo a primeira parte do solo com Jimi Hendrix fazia. E Wayne a encerrou com o último verso de Stairway to Heaven, “and she´s buying a stairway to heaven”. Sensacional.

E entre saídas e reentradas no palco, para alguma coisa como 3 bis (confesso que não contei), Wayne voltou tocando sozinho o single Like a Child Again, única canção do mediano álbum Masque, que já não contava com Simon na formação. Com Tower of Strength encerraram sua passagem por São Paulo, com a turnê 25th Anniversary Celebration.

O Mission mostrou que ainda tem muito espaço no mercado, se assim desejarem continuar juntos ao final dessa tour comemorativa. A presença da guitarra de 12 cordas, os efeitos, os arranjos com toques orientais, a mescla inteligente de programações eletrônicas, com seus músicos tocando muito bem, fazem de sua música algo original e de muita relevância ainda hoje. Que a missão continue.

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