Iced Earth: uma noite esmagadora em São Bernardo do Campo

Resenha - Iced Earth (Espaço Lux, São Bernardo do Campo, 25/03/2012)

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Por Roderick Pelais, Fonte: Brave Metal
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Segunda-feira, 26 de março de 2012... sento em minha cadeira para fazer esta resenha sobre a apresentação monstruosa (mais uma vez) dos americanos do ICED EARTH que ocorreu alguns dias antes, e então me dou conta de que são vários os aspectos a serem observados e descritos aqui.

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Acho que o ponto principal a ser destacado é que mais uma vez eu sinto orgulho de ser mais um seguidor desse estilo de música tão polêmico que é o Heavy Metal. Digo isso porque comprovou-se neste show o amor que os fãs sentem por esse estilo musical e a devoção por seus ídolos, que muitas vezes chega a surpreender os próprios músicos. Flagrei diversas vezes Jon Schafer em cima do palco tocando como se estivesse no modo “Automático”, olhando para seu público com um sorriso bobão e uma cara de “Caralho, que porra é essa?”. Fãs gritando, bangeando, com os punhos erguidos em direção aos céus e cantando com todas as forças que poderiam tirar de seus corações metaleiros, todas as músicas de ponta a ponta chegando muitas vezes a cobrir a voz do vocalista Stu Block.

A energia trocada entre fãs e músicos era quase palpável, quase tangível, dava pra senti-la claramente pairando no ar e a banda também percebeu isso retribuindo com um show sem precedentes, simplesmente avassalador. É por motivos como esse que eu sinto orgulho de ser quem eu sou, do trabalho que eu e meu companheiro Roderick exercemos juntos aqui com tanto esforço, procurando encaixá-lo em algum lugar no tempo e espaço entre emprego, faculdade e outros tantos compromissos, tudo em prol desse gênero musical que se estende muito além de “simples músicas”, que é considerado por muitos (inclusive a nós do Brave-Metal) um estilo de vida onde podemos erguer a cabeça, bater o punho no peito e afirmar sem nenhuma vergonha: “SIM, EU OUÇO E AMO HEAVY METAL!!!”.

Todo esse pensamento veio durante o show onde a banda apresentou um set-list que foi relativamente curto, porém esmagador! Tocaram músicas que faltaram em 2010, embora tenha faltado algumas músicas que estavam presentes no mesmo ano, mas vamos começar bem do começo, com uma fila superorganizada pelos próprios fãs e com uma ajuda super competente da segurança (que aliás, o serviço deles surpreendeu), a casa abriu as 19:30 sem nenhum problema e com grandes expectativas pois do lado de fora podíamos ouvir a banda passando o som.

A segurança nos passou a informação de que a banda iria entrar as 21:00 Horas, do lado de fora, panfletos e cartazes diziam que eles iam entrar as 22:00, então resolveram tirar a média, e às 21:30, o pequeno "gnomo" Brent Smedley adentra no palco e se posiciona atrás de sua bateria enquanto a introdução de Dystopia anunciava a destruição que estava por vir. Para o delírio dos fãs, o brutamontes Jon Schaffer é o segundo a subir ao palco, seguido pelo baixista Freddie Vidales e o guitarrista Troy Seele. O último a dar as caras foi a atração da noite, o novo forntman Stu Block que subiu ao palco dando um belo grito rasgado e dando o sinal de largada para a pancadaria! Gostaria de deixar bem claro aqui a competência da equipe do ICED EARTH, pois como em todo show os primeiros acordes dos instrumentos ficaram embolados e o som estava extremamente alto, geralmente esse problema é concertado nas duas ou três primeiras músicas, mas no caso da banda isso foi resolvido antes mesmo do primeiro solo de guitarra de Troy (pelo menos da posição em que eu estava).

Para o delírio dos fãs de longa data, a música que segue é a destruidora Angels Holocaust do álbum “Night Of The Stormrider” e a essa altura já estava mais do que claro que Stu Block não estava nos microfones pra brincar, ele estava lá pra fazer da parada algo sério mesmo, inclusive na presença em cima do palco pois andava de um lado pro outro, gesticulava, abria os braços, mexia com a plateia, praticamente chamou os fãs para fazerem parte do show.

Para os fãs da Saga Negra, Slave To The Dark do aclamado “The Dark Saga” entra como um soco no estômago, mas ainda era só o começo de tudo. Stu Block mostra que não é só bom cantor e se movimentou muito no palco, é também muito bem humorado e conversa bastante com a plateia, um ótimo frontman. É ele quem chama a próxima música, outra do novo álbum, V (Chamada de Five para uns, ou simplesmente a letra “V” para outros).

Stand Alone deu seus primeiro acordes enquanto a galera ameaçava derrubar o Espaço Lux, afinal é uma das melhores músicas de um dos melhores álbuns da banda, o famoso “Something Wicked This Way Comes”, ela antecedeu outra pedrada das antigas, When The Night Falls do espetacular “Iced Earth”, o debut da banda.

Segundo o Set-List oficial a música que seguiria seria Dark City do novo álbum, mas imagino que por ser o segundo show no Brasil, quiseram dar um presente a nós e riscaram ela da lista, tocando outro clássico do “The Dark Saga”: The Hunter! Nessa música é que você vê a primeira prova clara de que quem ama o Heavy Metal, não deixa nada afetar essa paixão. Após o solo de Troy, o microfone de Stu simplesmente apaga, não sai som algum, ele pega o microfone reserva e percebe-se que ele está desligado, porém a música continuou sendo executada instrumentalmente pois os fãs continuaram cantando em plenos pulmões, alto e com vontade, fazendo com que o espetáculo não parasse, a equipe liga o microfone reserva de Stu que termina de cantar e agradece sinceramente aos fãs.

Sempre brincando com a plateia, dividindo-a ao meio e agitando cada metade, eles seguem o show, e pra quem já dava falta de músicas do incrível “Horror Show”, Damien segue para alegria dos headbangers de plantão, outro arregaço de Stu! A guitarra dedilhada da belíssima Anthem do novo álbum “Dystopia” antecedeu Declaration Day, a única música do injustiçado “The Glorious Burden”, também cantada em uníssono pela plateia, seguida de mais uma do novo álbum: Days Of Rage, que antecedeu o final destruidor que viria a seguir.

Pra quem foi no show de 2010, deu falta da mais bela de todas as power-baladas da banda, mas dessa vez não deixaram passar. A banda se reúne perto da bateria e fica de costas para o público como se estivessem tramando alguma coisa... Bem, se pretendiam fazer do Espaço Lux ruínas, quase deu certo, bastou as primeiras notas do clássico Watching Over Me do álbum “Something Wicked This Way Comes” começar para que a plateia simplesmente ficasse insana. Outra prova do amor dos fãs pelo Metal veio ao final da música, assim como em Valhalla nos shows do BLIND GUARDIAN, o público continuou cantando o refrão tão alto que Stu Block foi obrigado a cantar junto. Se fosse somente Stu que tivesse sido afetado seria uma coisa, mas a emoção transmitida era tanta que Jon Schafer puxou a banda inteira a tocar o refrão mais duas vezes antes de termina-la por completo, e ao final todos os integrantes agradeceram ao público mostrando que nenhum deles esperavam uma reação daquelas.

E então veio o ápice do show... Rolava boatos de que eles iriam tocar uma das maiores (tanto de qualidade quanto de duração) porradas que o ICED EARTH tem na bagagem, porém eu colocava pouca fé que Dante´s Inferno seria executada, Schaffer já havia declarado anteriormente que não costumavam toca-la a não ser em ocasiões especiais, mas quando a lenta introdução deu as caras me perguntei por quanto tempo mais o Espaço Lux aguentaria tanto as pedradas que a banda executava quanto o som ensurdecedor que os fãs insanos estavam fazendo. Não cheguei a cronometrar, mas o maior sucesso do álbum “Burnt Offerings” com certeza ultrapassou os habituais 16 minutos de duração, com alguns minutos a mais que a versão de estúdio.

Após uma breve saída do palco, o quinteto volta para um bis de estourar o mais forte dos tímpanos, onde rolou Pure Evil do classudo “Night Of The Stormrider”, e o hit Burning Times, mais uma do aclamado “Something Wicked This Way Comes”.

E para a alegria dos fãs, fechando essa bomba atômica que foi o show, veio mais uma clássico das antigas e Iced Earth do debut homônimo vem pra encerrar a noite com toda classe e estilo que somente esse quinteto americano sabe fazer.

Alguns fãs vão dar falta de músicas obrigatórias no repertório, como Violate, Stormrider, Drácula e outras tantas, mas com as raridades que eles mandaram fica impossível cobrar alguma coisa do gênero. E os fãs sabem disso, pois a reação da banda foi a mesma do show em 2010, pura incredulidade, ficaram claramente impressionados com a energia dispendida dos fãs e mandaram o que melhor tinham pra nós. Ficou claro que estamos nos tornando um dos seus locais favoritos para visitarem, isso com apenas duas visitas, mas que compensaram todos esses 20 anos de espera. Simplesmente incrível, como citado no começo desse texto, a admiração que os fãs de Heavy Metal demonstram pelas músicas e seus ídolos é tão intensa e visível que é compreensível o fato de bandas como SCORPIONS, IRON MAIDEN, BLIND GUARDIAN ou MOTÖRHEAD tenham o Brasil como passagem obrigatória para todas as suas turnês, e está mais do que comprovado de que o mesmo está acontecendo para o ICED EARTH.

Um show de uma hora e meia, mas que é pra ficar na memória, tanto do público quanto dos músicos individualmente, assim como o fizeram em 2010 com o Via Funchal, o Espaço Lux em 2012 não ficou pequeno, ficou minúsculo.

SET LIST:

Dystopia
Angel´s Holocaust
Slave To Tthe Dark
V
Stand Alone
When The Night Falls
Hunter
Damien
Anthem
Declaration Day
Days Of Rage
Watching Over Me
Dante´s Inferno
Pure Evil
Burning Times
Iced Earth

PS: Nosso caro e saudoso Matthew Barlow pode ficar tranquilo, Stu Block faz um trabalho tão honroso e admirável quanto ele fazia nos microfones.

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