Deep Purple: mais uma vez, um desfile de clássicos em SP
Resenha - Deep Purple (Via Funchal, São Paulo, 10/10/2011)
Por Jorge A. Silva Junior
Postado em 11 de outubro de 2011
Cinco shows em São Paulo nos últimos seis anos. O DEEP PURPLE atingiu essa notável marca nesta segunda-feira (10), durante apresentação na capital paulista, como parte da turnê 'Songs That Built Rock Tour'. Há mais de 40 anos na estrada, a banda mostrou que ainda pode sustentar a fama de ser um dos maiores nomes da história do rock. O público sequer duvidou da capacidade dos 'dinossauros' e lotou a Via Funchal.
Fotos: Leandro Anhelli - www.flickr.com/alphaneo
Nas imediações da casa de shows, minutos antes da apresentação marcada para 22h, o trânsito era caótico. Isto se deve à brilhante idéia de agendar o show de uma banda histórica, em plena segunda, na cidade mais populosa do hemisfério sul.


A banda de abertura foi a paulistana REPUBLICA, porém, devido ao trânsito, a reportagem não conseguiu assistí-los. O DEEP PURPLE subiu ao palco com apenas 10 minutos de atraso. A formação continua a mesma de seis anos atrás: Ian Gillan (vocal), Steve Morse (guitarra), Roger Glover (baixo), Ian Paice (bateria) e Don Airey (teclado). Como neste intervalo de tempo a banda não lançou nenhum álbum de inéditas - o último foi 'Rapture Of The Deep' (2005) - o bombardeio de clássicos iniciou da melhor maneira possível, com "Highway Star" levando os fãs ao delírio logo de cara. Na sequência vieram duas pérolas gravadas no começo da década de 70: "Hard Lovin’ Man" e "Maybe I’m a Leo", presentes nos discos 'In Rock' e 'Machine Head', respectivamente.
Com passar dos anos, muitos deles dedicados à perdição proporcionada aos rockstars, o rendimento dos músicos tende a cair. Com Gillan, 66, não foi diferente. É óbvio que há muito tempo sua voz não é mais a mesma. Consciente disto, ele sabe como ninguém poupar, cadenciar e soltar na hora certa seus (ainda) poderosos agudos. Sua artimanha foi comprovada no final de "Strange King Of Woman", que ainda contou com um belo solo de teclado do competente Don Airey, que tem a árdua tarefa de substituir o grande Jon Lord.


Para os fãs mais saudosistas - ou xiitas - deve ser difícil engolir, mas o destaque incondicional do DEEP PURPLE continua sendo Steve Morse. Poucos guitarristas no mundo conseguem reunir em demasia virtuosismo, feeling e carisma durante as apresentações. Completando o cast, qualquer elogio feito à 'cozinha' é como chover no molhado. A dupla Glover/Paice continua afiadíssima e com um excelente entrosamento, que começou em 1969 e passou por inúmeras turnês.
Da fase setentista da banda, nos quesitos arranjo e harmonia, os destaques ficaram por conta de "When a Blind Man Cries" e "Lazy", ambas com belas doses características do Blues. Dos anos oitenta, deram as caras outros dois clássicos: "Knocking At Your Back Door" e a aclamada "Perfect Strangers", do álbum homônimo que marcou a volta de Ian Gillan à banda após uma década.


Por obrigação em qualquer show do DEEP PURPLE, a dona do riff mais famoso de todos os tempos não poderia ficar de fora. "Smoke On The Water" foi a última música a ser tocada antes do famoso bis, que fechou a noite com "Black Night". Em praticamente duas horas de espetáculo, o 'velhinhos' deram a entender que, enquanto estiverem vivos, continuarão fazendo a alegria do público com ótimas apresentações.


DEEP PURPLE em São Paulo
Via Funchal - 10 de outubro de 2011
Vocal: Ian Gillan
Guitarra: Steve Morse
Baixo: Roger Glover
Bateria: Ian Paice
Teclado: Don Airey
1. Highway Star
2. Hard Lovin' Man
3. Maybe I'm A Leo
4. Strange Kind Of Woman
5. Rapture Of The Deep
6. Mary Long
7. Contact Lost – Steve Morse solo
8. When a Blind Man Cries
9. The Well-Dressed Guitar
10. Knocking At Your Back Door
11. Lazy
12. No One Came
13. Don Airey solo
14. Perfect Strangers
15. Space Truckin'
16. Smoke On The Water
17. Going Down (intro) / Hush
18. Roger Glover solo
19. Black Night



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