Blind Guardian: o retorno memorável dos Bardos a São Paulo
Resenha - Blind Guardian (Via Funchal, São Paulo, 09/09/2011)
Por Durr Campos
Postado em 10 de setembro de 2011
O BLIND GUARDIAN dispensa maiores apresentações, sendo um daqueles casos típicos do "ame ou deixe" no cenário metálico. Para aqueles que fazem parte da equipe do "ame", o grupo realizou no último dia 09 um dos melhores shows do ano na capital paulista. O local escolhido Via Funchal, funcionou plenamente à proposta sonora do quarteto – ao vivo tornam-se um sexteto. Mais de 4 anos se passaram, mas os Bardos retornaram e fizeram bonito.
Texto: Durr Campos/ Fotos: Fernanda Lira
Por volta das 20:30h o Brotherhood de Franca (SP) iniciou seu curto, porém eficientíssimo set. Para quem não sabe, a banda surgiu após a dissolução do Savior e nesta noite praticaram um power metal que em muitos momentos lembrou a atração principal em sua fase inicial. As músicas do seu debut Where The Gods Collide tiveram uma calorosa receptividade, sem contar na ótima participação do tecladista Fábio Laguna (Hangar). Bom nome do cenário nacional, apesar de não trazerem nada de inédito musicalmente falando.
Blind Guardian - Mais Novidades


Pontualmente às 22h os filhos de Tolkien entraram em cena com "Sacred Worlds", canção que também abre seu mais recente disco, At The Edge of Time (2010). Mal se podia escutar a voz de Hansi Kürsch tamanha euforia dos fãs. Eles receberam bem a reação e mandaram a clássica "Welcome to Dying". O peso absurdo da bateria de Frederik Ehmke abrilhantou algo que já era perfeito, sem contar o trabalho de guitarras da dupla infalível André Olbrich e Marcus Siepen. "Nightfall", do aclamado Nightfall in Middle-Earth (1998), realçou a técnica de ambos, em especial de Olbrich, responsável pela maioria das composições e de todos os solos. A estrutura desta canção é salutar e pode-se afirmar que mesmo não sendo apreciador de música pesada não há como ficar imune à sua beleza. O Via Funchal naquele instante tornou-se um cenário de antigos guerreiros lamentando o destino de sua terra devastada pela escuridão. Quem conhece a estória contada no livro O Senhor dos Anéis (por isso a brincadeira no início deste parágrafo) sabe melhor do que ninguém que o BLIND GUARDIAN é um dos maiores conhecedores do assunto. Brilhante!

A Twist in the Myth (2006) foi lembrado através de sua faixa mais conhecida, "Fly", também lançada mundialmente no formato single. Belas harmonias e letras que mantiveram a ótima vibração e conectaram o público ao hino "Time Stands Still (at the Iron Hill)". Hansi procurava explicar um pouco das canções antes de anunciá-las, o que é bem interessante, pois o mostra preocupado também com aqueles que, por ventura, os estão assistindo/ouvindo pela primeira vez ou, no mínimo, recentemente. A seguinte é um show a parte. Porque "Bright Eyes" não só é uma de suas músicas mais importantes como de todo um estilo copiado pelos quatro cantos do Planeta. Lembro-me que quando o álbum Imaginations From the Other Side – de onde provém a supracitada pérola – fora lançado há mais de 15 anos as reações eram quase unânimes de que estávamos ali diante de um disco a prova do tempo. A "profecia" se confirmou e, apesar do vocalista não conseguir alcançar as notas originais com tanta facilidade, este foi o destaque da noite.


Outro grande momento vem na sequência, com a estonteante "Traveler In Time", do magnífico Tales From the Twilight World. Impressionante o fato de uma composição lançada há mais de duas décadas ainda soar tão atual e superior a centenas de coisas que chegaram ao mercado musical nos últimos anos. Retornaram ao disco mais recente com "Tanelorn (In the Void)", para então viajarem no tempo e emendarem a trinca mais funcional que poderiam imaginar. Senão vejamos. "Lord of the Rings" quase causou um dano às estruturas do local devido seu impacto nos fãs. Logicamente estamos falando de um modo figurado, mas o impulso gerado foi impressionante! Assim também ocorreu quando Hansi convidou o público a "abrirem os portões da Valhalla", entoando a única (infelizmente!) canção do Follow The Blind (1989) presente no repertório. Por fim, mas definitivamente não menos importante, a imponente "Majesty", do debut Battalions of Fear (1988) que, para muitos, ainda continua sendo o mais importante álbum da banda. Confesso que por algum tempo pensei o mesmo. Cabe revelar que esta música não estava prevista para o show de São Paulo, algo que confirmei ao fotografar o set-list após o fim do espetáculo. A longa e um tanto maçante "And Then There Was Silence", do A Night At the Opera (2002), encerrou ali a parte regular da apresentação.


Sem muita enrola, a introdução pré-gravada denunciou mais uma das novas: "Wheel of Time". Sua letra e melodia enigmáticas deixaram a parte final do concerto bem legal. Pessoalmente adoro a influência de música árabe nela. O clima de fantasia veio com tudo ao anunciarem em seguida uma das mais cantadas, "The Bard’s Song – In The Forest". Um show do BLIND GUARDIAN sem ela é fora de cogitação. Parecia não haver ali uma pessoa sequer que ficara de fora do coro. Mal a banda finalizou esta e os fãs gritaram a seguinte. No palco eles se entreolhavam sem acreditar no que viam. Lógico que estamos falando da escolha perfeita para o encerramento em ótimo estilo: "Mirror Mirror", do já mencionado Nightfall in Middle-Earth. Noite memorável.


Set-list do Blind Guardian:
1. Sacred Worlds
2. Welcome to Dying
3. Nightfall
4. Fly
5. Time Stands Still (at the Iron Hill)
6. Bright Eyes
7. Traveler In Time
8. Tanelorn (Into the Void)
9. Lord of the Rings
10. Valhalla
11. Majesty
12. And Then There Was Silence
Encore
13. Wheel of Time
14. The Bard's Song - In the Forest
15. Mirror Mirror









Outras resenhas de Blind Guardian (Via Funchal, São Paulo, 09/09/2011)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O disco do Iron Maiden que fez integrantes do Metallica perderem o controle dentro de um avião
Rhapsody anuncia Brasil na turnê de despedida em 2027
Por que King Crimson é melhor do que Dream Theater, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
Dave Mustaine nega que Megadeth tenha pedido dinheiro para tocar em despedida de Ozzy
A banda dos anos 1990 que não tocava depois do Motörhead ou Slayer
43 roqueiros que morreram em 2026, segundo a Loudwire
Sharon Osbourne explica ausência do Megadeth em "Back to the Beginning"
A pior banda gaúcha de rock de todos os tempos, segundo Rogério Skylab
Floor Jansen quebra silêncio sobre saída do Nightwish em vídeo: "Também estou triste"
A diferença dos fãs de metal nos EUA e Europa e no Brasil, segundo produtor do ProgPower
Revolução feminina? Perfil vê padrão nas saídas recentes de cantoras do metal sinfônico
Os 30 melhores álbuns do blues rock britânico segundo a Classic Rock
Todos os discos do Van Halen gravador por Sammy Hagar, do pior ao melhor, segundo o CRH
Após 17 anos de queda, buscas por guitarra no Brasil voltam a crescer no Google
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"


Nas redes sociais, Blind Guardian relembra apresentação em programa de Ronnie Von
Loudwire coloca álbum do Angra como "melhor álbum de progpower" da história
Accept lança versão de "Losers and Winners" com Hansi Kürsch (Blind Guardian) nos vocais
5 músicas de metal que é impossível não reconhecer nos primeiros 3 segundos
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente


