Blind Guardian em SP: uma noite legal, memorável até!
Resenha - Blind Guardian (Via Funchal, São Paulo, 09/09/2011)
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 14 de setembro de 2011
Já tinham se passado longos quatro anos desde a última vez, e assim que os bardos alemães do Blind Guardian subiram ao palco da casa de shows paulistana Via Funchal nesta sexta-feira (9/9), a platéia ávida pela sonoridade épica de Hansi Kürsch e sua trupe deixou claro o quão longo foi este tempo e quanta falta eles tinham feito. Pelo outro lado, a banda – atualmente na turnê de divulgação do recente disco de estúdio "At The Edge of Time" – não se fez de rogada e entregou uma performance verdadeiramente apaixonada, com fúria e carisma suficientes para deixar a apresentação de 2007 efetivamente no passado. Ficou mais do que claro porque o Blind Guardian ainda é, afinal de contas, uma das bandas de heavy metal mais queridas do público brasileiro.
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A abertura, iniciada por volta das 20h30, ficou por conta da banda Brotherhood. Formado a partir da dissolução do Savior, este quinteto de Franca (SP) apresentou um set-list formado apenas por composições próprias (como "Dreamland", "Sorrow", "Nevermore" e "Death Note"), em sua maior parte egressas do álbum de estréia "Where The Gods Collide". A decisão corajosa de não incluir sequer um único cover para ajudar a esquentar um pouco mais o público presente soou arriscada a princípio, mas de fato funcionou – afinal, a sonoridade do grupo é nitidamente influenciada pelo próprio Blind Guardian, em especial aquele dos primeiros discos. O próprio vocalista, William Pardo, uma espécie de Jack Black brazuca, chegava a lembrar seu ídolo que estaria dentro de poucos instantes atuando como atração principal. Um show curto e eficiente, mas trazido por uma banda que ainda carece de um pouco mais de inspiração, criatividade e personalidade em seu som.
Pontualmente às 22h, como caberia a uma boa banda germânica, as luzes do Via Funchal (nitidamente uma opção muito mais acertada do o Centro de Tradições Nordestinas anunciado inicialmente, aliás) se apagaram e começou a introdução orquestrada de "Sacred World", faixa inicial de "At The Edge of Time".
Dada a empolgada gritaria dos presentes, mal pôde ser possível ouvir quando Hansi começou a letra da canção – que, logo depois, passou a ser repetida quase em uníssono pelos quase 6.000 presentes. Embora alguns fanáticos tenham sentido falta da clássica introdução de "War of Wrath", do disco "Nightfall in Middle-Earth", ficou evidente que "Sacred World" nasceu para ser a abertura de um show do Blind Guardian. Na seqüência, um Hansi de cabelos curtos, visivelmente mais magro e com um largo sorriso saudou seu público e já emendou uma paulada das antigas, a poderosa "Welcome to Dying".
Cabe aqui um adendo especial para quem acusa o frontmen do Blind Guardian de ser, digamos, muito "paradão" ao vivo, com pouca presença de palco.
Naquela sexta-feira, em pleno Via Funchal, o sujeito parecia possuído pelo capeta. Fazia caras e bocas, uma série de olhares demoníacos, provocava o mar de cabeludos erguendo os braços e correndo de um lado para o outro. E, esbanjando altas doses de simpatia, ia introduzindo aos poucos a inspiração por trás de cada canção a ser apresentada, considerando que o Blind Guardian bebe diretamente em clássicos da literatura fantástica e medieval.
Sobre "Nightfall" e "Time Stands Still (at the Iron Hill)", estava mais do que realizado ao entrar nos bastidores da Terra-Média. E ao introduzir a nova "Tanelorn (Into the Void)", que cantou a plenos pulmões (como ainda canta, por Odin!), deixou claro que se tratava da história de Elric, seu personagem favorito do chamado Multiverso do autor Michael Moorcock.
Se novidades como "Tanelorn" se provaram extremamente funcionais ao vivo – afinal, não à toa "At The Edge of Time" é considerado o melhor disco do grupo desde "Nightfall in Middle-Earth" – nenhuma alma viva que pagou ingresso para aquela noite gostaria de sair sem ser brindada com os clássicos. E eles foram entregues em profusão.
A sempre presente "Bright Eyes" (do disco "Imaginations from the Other Side") não poderia faltar, assim como "Valhalla" e o emocionante momento no qual a canção acaba e os espectadores continuam cantando o refrão sem parar, para deleite dos músicos. Executada em formato semi-acústico, a bela "Lord of the Rings" arrancou lágrimas de muito marmanjo barbado (eu incluído, admito) – enquanto "Traveler In Time" emulou a brincadeira de múltiplos "ôôôôôs" entoados no início da música, exatamente como no lendário disco ao vivo "Tokyo Tales". E quando tudo parecia se encaminhar para a música final da primeira parte, um coral de milhares de vozes estragou os planos da banda ao solicitar insistentemente por "Majesty". Pedido feito, pedido acatado. E com maestria.
Para encerrar, antes do bis, eis que surge a imensa "And Then There Was Silence", com seus mais de 14 minutos, em uma performance alucinante do baterista Frederik Ehmke, desembocando na festiva e interminável sucessões de "lá-lá-lá-lá" que botou a galera para pular e cantar junto.
Sem muita frescura e sem tanta espera pelo que todo mundo já sabia que aconteceria, veio o bis, começando pela igualmente épica "Wheel of Time". A seqüência de faixas finais era óbvia, mas inevitável. Entram os violões acústicos, os celulares se acendem e Hansi deixa a platéia cantar praticamente sozinha, em um espetáculo lindo que só "The Bard's Song - In the Forest", maior clássico do grupo, propiciaria. Hansi e os parceiros guitarristas André Olbrich e Marcus Siepen, coração do Blind Guardian, pareciam satisfeitos até dizer chega. Para encerrar as duas horas da vigorosa viagem ao universo do bardos, nada melhor do que um convite ao bate-cabeça com "Mirror Mirror", encerramento obrigatório para um show do Blind Guardian que se preze.
Hansi, não foi uma noite legal, memorável até? Todos concordamos que sim. Então, por favor, não me vá demorar mais quatro anos para retornar. A gente não vai agüentar esperar tudo isso.
SET-LIST
1. Sacred Worlds
2. Welcome to Dying
3. Nightfall
4. Fly
5. Time Stands Still (at the Iron Hill)
6. Bright Eyes
7. Traveler In Time
8. Tanelorn (Into the Void)
9. Lord of the Rings
10. Valhalla
11. Majesty
12. And Then There Was Silence
BIS
13. Wheel of Time
14. The Bard's Song - In the Forest
15. Mirror Mirror
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