Limp Bizkit: performance ensandecida e cheia de energia

Resenha - Limp Bizkit (Fundição Progresso, Rio de Janeiro, 23/07/2011)

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Por Gabriel von Borell
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O Limp Bizkit continua quebrando tudo. Este fato pôde ser comprovado por cerca de dois mil fãs alucinados da banda de nu metal norte-americana que compareceram à Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, no último sábado (23). Todos eles estavam empolgadíssimos já que aquele era o primeiro show da carreira do grupo no Brasil.

Fotos: Daniel Croce

Por outro lado, o vocalista Fred Durst também teve a oportunidade de confirmar tudo o que já havia escutado sobre o país. Assim como deixou claro no início da apresentação, Durst percebeu o quanto os brasileiros são animados, entusiasmados e, acima de tudo, loucos.

Depois de um longo hiato, e mais de uma década após o lançamento do mega aclamado “Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water” (2000), o vocalista mostra que a idade não afetou a sua marra. Durst continua cheio de atitude e transmitindo sua loucura para os fãs.

A performance do Limp Bizkit no Rio de Janeiro foi absolutamente ensandecida e cheia de energia. O cantor, inclusive, fez questão de dizer que no momento do show aquele “pequeno” lugar era maior do que qualquer coisa no planeta. Exagero? Talvez. Mas não para o público que quase colocou a Fundição abaixo, e junto com a banda.

Com o look de sempre, uma camisa bem folgada, bermudão e boné, Durst interagiu o tempo inteiro com a plateia. Ele chegou até a pegar uma câmera fotográfica para tirar uma foto de si com o público ao fundo. Tecnicamente o vocalista também não mudou. Sua voz, e seus gritos, continuam potentes. Assim como os seus companheiros originais, Sam Rivers (baixo), Wes Borland (guitarra), John Otto (bateria) e DJ Lethal, são perfeitos coadjuvantes de Durst. Com esta formação, o Limp Bizkit funciona incrivelmente bem no palco.

O show começou pouco depois da meia-noite para o delírio de antigos e novos fãs da banda. E para deixar o público ligado subiu “Introbra”, seguida de “Hot Dog”, que incendiou a plateia. Depois vieram “Show me What You Got”, do álbum “Significant Other” (1999), e a nova “Bring it Back”, do recém-lançado “Gold Cobra” (2010). Pouco depois o Limp Bizkit voltou a empolgar os fãs com “My Generation” e “Livin’ it Up”. Durst tinha o público nas mãos e os fãs cantavam a plenos pulmões todas as letras do grupo.

Em seguida a “My Way”, que obviamente não deixou ninguém parado, o Limp Bizkit começou a executar “It’ll Be Ok” e passou para “Pollution”, que a plateia pedia em coro. Já “Break Stuff” explodiu de vez o público e “Boiler” seguiu na mesma vibe. Mais tarde, “Eat You Alive” apareceu no set list para relembrar a fase obscura na carreira da banda, com o lançamento do criticado “Results May Very” (2003). Mas o que importa são os fãs e estes fizeram uma recepção calorosa para a faixa.

Antes de o grupo sumir do palco para retornar no bis, Durst e cia tocaram “Nookie” para deixar os fãs naquela adrenalina. O frontman ainda brincou, na hora de deixar o palco, dizendo “fuck you” para os fãs que, conhecendo a brincadeira, respondiam a mesma coisa para o vocalista. O Limp Bizkit retornou para executar a única canção tranquila do repertório: o cover de The Who, “Behind Blue Eyes”. Neste momento, Durst começou a distribuir cervejas para o público. O vocalista chegou a sacudir algumas latinhas para sacanear o público, que não se importou com a brincadeira. Quem não gostou nada da história foi a equipe da mesa de som, que, desesperada, começou a proteger os equipamentos quando o vocalista começou a lançar, com força, as cervejas em direção àquela área. Para concluir o momento “sacanagem”, Durst pegou o isopor onde estavam as latinhas e virou todo o gelo em cima dos fãs que se concentravam na parte central da grade.

Depois, o cantor retomou a apresentação e deu continuidade à pegada insana do grupo com “Take a Look Around”. Fechando o repertório vieram o empolgante cover de “Faith”, de George Michael, e “Rollin’”, que não poderia ter encerrado melhor a noite.

E assim, satisfazendo cada fã presente no local, o Limp Bizkit se despedia pela primeira vez do público brasileiro. Durst ainda prometeu voltar em breve. A gente acredita já que com o lançamento do equilibrado e eficiente “Gold Cobra” ninguém pode duvidar que o Limp Bizkit realmente voltou à cena para ficar.

É bem verdade que depois que o grupo lançou o EP “The Unquestionable Truth Part 1” (2005), que nem os fãs sequer ouviram falar, as coisas pareciam perdidas. Ainda bem que tudo mudou. “Gold Cobra” também indica que o nu metal não está tão morto quanto parecia. É apenas um subgênero do rock n’ roll que precisa se reinventar. Vamos ver o que vem pela frente.

Set List:

“Introbra”
“Hot Dog”
“Show Me What You Got”
“Bring It Back”
“I’m Broke”
“My Generation”
“Livin’ It Up”
“Gold Cobra”
“My Way”
“It’ll Be Ok”
“Pollution”
“Break Stuff”
“Boiler”
“Why Try”
“Eat You Alive”
“Nookie”

Bis:

“Behind Blue Eyes”
“Take a Look Around”
“Faith”
“Rollin’”

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Sobre Gabriel von Borell

Gabriel von Borell, nascido em 30/03/85, jornalista. Não vive sem música e também não se apega a rótulos musicais. Acredita que todo preconceito é burro, inclusive o musical. Escuta de tudo um pouco, considerando que um jornalista deve estar aberto pra conhecer e comentar sobre qualquer músico ou banda. Pode ser encontrado no Twitter em @gabrielborell.

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