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Mr. Breeze: Tributo a Lynyrd Skynyrd em Porto Alegre

Resenha - Mr. Breeze (Eclipse Studio Bar, Porto Alegre, 23/04/2011)

Por Paulo Finatto Jr.
Em 30/04/11

Em meio a um feriado prolongado de páscoa, muitas festas e eventos culturais agitaram a capital gaúcha de quarta até domingo. Porém, apenas um show marcado para a noite de sábado conquistou os olhares de um público bastante devoto. A banda MR. BREEZE, que mais uma vez se apresentou no modesto (e interessantíssimo) Eclipse Studio Bar, encheu a casa para prestar mais um qualificado tributo ao LYNYRD SKYNYRD. No repertório, os velhos clássicos do grupo e uma novidade retirada do recente "God & Guns" (2009).

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Com quase dez anos de carreira, a MR. BREEZE pode ser apontada como uma das pouquíssimas (ou provavalmente a única) banda brasileira a homenagear os norte-americanos do LYNYRD SKYNYRD. O reconhecimento conquistado, sobretudo no underground gaúcho, é uma consequência direta do modo com que o grupo se comporta em cima do palco. A intenção de reproduzir cada detalhe técnico e tático do ícone do southern rock é nítido no line-up composto por Homero Oliveira (vocal), Pedro Leão, Robson Rodrigues e Gabriel Dau (guitarras), Guilherme Borsa (baixo), Guilherme Mittmann (teclado) e JP (bateria), que ainda conta com o apoio das vozes de apoio de Monique Indiara, Julia Lucas e Flávia Moreira. O esforço para executar com a mesma riqueza o som do LYNYRD SKYNYRD ao vivo precisa ser reconhecido, ainda mais quando o grupo ocupa palcos de dimensões reduzidíssimas, como o do Eclipse Studio Bar.

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

Embora cercada por dificuldades grandes e pequenas, a banda não cometeu nenhum deslize, mesmo que o aperto do palco possa ser apontado como o maior vilão da noite. Por volta da 1h o grupo entrou em cena com a dobradinha "Call Me the Breeze" e "Wishkey Rock-a-Roller", que contagiou o público que se concentrava na frente dos músicos, ou até mesmo na parte mais ao fundo do Eclipse, perto do bar. Com a casa relativamente cheia – os mais fanáticos pelo LYNYRD SKYNYRD eram facilmente reconhecíveis em meio às pessoas – os fãs ainda viram e ouviram "Gimme Back My Bullets" antes do primeiro destaque da noite. O clássico "Simple Man" comprovou que os ensaios da MR. BREEZE contribuíram para a performance impecável da faixa, ainda mais pela participação interessantíssima das três backing vocals da banda. Com o mesmo pique, "That Smell" veio na sequência, assim como a ótima "Saturday Night Special", que chegou a ganhar um pouco mais de peso na versão assinada pelos gaúchos.

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Por mais que a banda mostre muita vontade, a qualidade de som do Eclipse, infelizmente, oscilou bastante durante a noite de sábado. As falhas podem ser consequência do aperto do palco – ou até mesmo o resultado da ausência de microfones –, mas certos instrumentos (especialmente a bateria) soaram abafados em diversos momentos, assim como um ou outro solo de guitarra que insistia em sumir dos PA’s. De qualquer modo, o grupo mostrou profissionalismo e passou por cima dos inconvenientes. O repertório da MR. BREEZE privilegiou os anos de Ronnie Van Zant com a banda norte-americana e contou ainda com "On the Hunt" e a cadenciada "Tueday’s Gone". Na sequência, o bom humor do vocalista Homero antecedeu um dos maiores clássicos do southern rock. O cantor pediu o apoio da plateia para a suposta música própria do conjunto. Era "Sweet Home Alabama".

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Embora não desponte como uma clara intenção da banda, novamente uma versão assinada pelos gaúchos surgiu mais pesada do que a sua gravação original. O grupo manteve o alto astral da noite com "I Know a Little", que surpreendeu com o seu solo de piano. A banda, que cogitava abandonar o palco para uma pequena pausa, preferiu dar continuidade ao show sem nenhum intervalo. Por mais que não possam ser consideradas músicas de sucesso e de valor duradouro na carreira do LYNYRD SKYNYRD, "I Ain’t the One" e "Comin’ Home" comprovaram o domínio pleno da MR. BREEZE sobre a obra (sobretudo a mais antiga) do LYNYRD SKYNYRD. Depois da interessante "Don’t Ask Me No Questions", o conjunto dedicou "Travelin’ Man" para os (poucos) motociclistas que costumam frequentar a casa. Certamente outro destaque do repertório.

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O público, que já aparentava sinais de cansaço, assistiu uma versão extremamente eficiente de "Gimme Three Steps" já na reta final do espetáculo. Os pedidos mais intensos da plateia – que queriam o encerramento com a épica "Free Bird" – não sensibilizaram a MR. BREEZE. O grupo deixou uma novidade para o final do seu repertório. Do álbum "God & Guns" (2009), o conjunto executou "Still Unbroken", espantosamente conhecida (e reconhecida) pela plateia, que cantou uma boa parte dos versos com Homero Oliveira. De certo modo, a boa receptividade da faixa pode ser encarada pela MR. BREEZE como uma sugestão. A fase pós-acidente do LYNYRD SKYNYRD, sobretudo aquilo que contorna o disco "Vicious Cycle" (2003), guarda faixas valiosas e que podem – por que não – aparecer nos próximos shows da banda. "That’s How I Like It" é apenas um exemplo muito forte do que pode ser cogitado daqui para frente.

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Como não poderia ser diferente, para o final do show ficou a previsível (e não por isso desqualificada) "Free Bird". A música, que pode ser apontada como a mais imponente do repertório do LYNYRD SKYNYRD, é claramente (e igualmente) o maior destaque do show da MR. BREEZE. Por mais que os músicos tenham sofrido um pouco com o som da casa, principalmente os guitarristas Pedro Leão (que fez um inusitado slide com uma garrafa de cerveja – para o delírio dos mais animados) e Gabriel Dau que assumiram os solos dessa última faixa, nada tira o brilho da composição na sua performance ao vivo. Em cerca de 1h45 de show, os gaúchos encerraram o show ao gosto do público, que deixou o Eclipse Studio Bar contente com mais uma homenagem prestada à altura do que representa o LYNYRD SKYNYRD. Não há nenhuma pretensão em apontar a MR. BREEZE como um dos mais grupos tributo mais bacanas do sul do nosso país.

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Site: http://www.mrbreeze.com.br

Set-list:
01. Call Me the Breeze
02. Whiskey Rock-A-Roller
03. Gimme Back My Bullets
04. Simple Man
05. That Smell
06. Saturday Night Special
07. On the Hunt
08. Tuesday’s Gone
09. Sweet Home Alabama
10. I Know a Little
11. I Ain’t the One
12. Comin’ Home
13. Don’t Ask Me No Questions
14. Travelin’ Man
15. Gimme Three Steps
16. Still Unbroken
17. Free Bird

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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