Justin Sane: show na Finlândia antes da tour do Anti-Flag
Resenha - Justin Sane (Semifinal, Helsinki, Finlândia, 16/10/2010)
Por Petri da Costa
Postado em 27 de outubro de 2010
Essa noite de outubro vai ser algo que vai ficar na memória de todos que lotaram o clube Semifinal. Afinal essa noite foi um oportunidade única de ver o vocalista/guitarrista Justin Sane do Anti-Flag tocando seu material solo. Ele chegou a tocar também dias átras em Londres e em outras duas cidades aqui na Finlândia (Tampere e Jyväskylä), e logo em seguida iria se reunir com seus companheiros do Anti-Flag para terminar a turnê europeia da banda desse ano.
As portas do Semifinal abriram as 20h e o público foi vindo de pouco em pouco. O primeiro show estava marcado para as 21h e o vocalista/guitarrista Lauri da banda Damn Seagulls abriria a noite. Com uma pequena quantidade de pessoas o show comecou e logo de cara ficou claro que o Semifinal foi a escolha perfeita para abrigar essa noite. O clube é um lugar típico para bandas de punk e de hardcore, sem barreiras entre público e banda, e de certa maneira "pequeno", o clima proporcionado tanto pelos artistas tanto pelo clube foi extremamente intimísta e muito amigável. Voltando à apresentacão de Lauri, o músico parecia um pouco tímido no começo, mas ao decorrer do seu curto set ele foi se interagindo mais e no fim das contas foi uma boa apresentação. Depois de um intervalo, e um certo atraso, subia no palco o também vocalista/guitarrista Sampsa da banda No Shame, que chegou a abrir um dos shows do Anti-Flag quando eles estiveram aqui pela primeira vez. Com um público maior, o simpático músico tocou algumas composições próprias e também um cover do famoso cantor folk Woody Guthrie, que foi dedicada à Justin Sane, amigo do músico. Ambos shows foram um ótima maneira do público ver esse lado acústico desses músicos e também uma boa introdução para aqueles que não conheciam muito bem as bandas dos músicos.
Mais uma pausa e nessa hora o clube já estava praticamente lotado, com todos chegando ainda mais perto do palco. Justin Sane calmamente foi ajustando seu equipamento, um violão e o microfone, enquanto todos ali esperavam ansiosamente e quietamente para o começo do show. Assim que tudo estava certo Justin pegou o violão e os fãs calorosamente aplaudiram o músico. Para aqueles acostumados em ver o músico tocando alto e rápido com o Anti-Flag, talvez esse formato acústico foi estranho a princípio, mas como sempre o músico teve o público em sua mãos, conectando extramente bem com todos. E esse foi um dos pontos altos de toda a noite. Por mais que alguns não conheciam as músicas da carreira solo dele, Justin Sane sempre explicava o que levou ele a escrever certas músicas. "The Worst Case Scenario Survival Handbook" foi baseado num livro que o irmão dele (brincando um pouco, Justin descreveu o irmão como um "típico norte-americano paranóico") comprou e pediu para ele ler em caso que Justin tivesse que sobreviver em casos de emergência. "College Avenue" foi baseada no tempo que Justin esteve na universidade convivendo com pessoas que aparentavam ser inteligentes mas que eram no fim das contas tão burras quanto os políticos conservadores norte-americanos. Em cada música, Justin Sane se abria mais com o público e a sensação que dava era que todos ali, os músicos e o público, eram uma grande família.
Ao contrário do que ele faz com o Anti-Flag, muita dessas músicas eram justamente ligadas à vida pessoal de Justin (como em "Thanks for the Letter", "Hold On", "Stay For A Year"), e mesmos aquelas com temas políticos ("Tommy Gun") tinham essa característica pessoal. Justin ainda preparou uma boa surpresa para os fãs finlandeses, ele tinha começado a escrever uma música pensando em Helsinki depois de uma conversa que ele teve com Dave King (v/g - Flogging Molly) quando os dois se encontraram no festival Ruisrock, aqui na Finlândia, nesse ano. Essa música, com o título e letras ainda provisórias, se chama "It’s A Long Fuckin’ Walk To Helsinki", e mais uma vez todos ficaram atentos no que Justin cantava. Para a alegria dos fãs do Anti-Flag, especialmente daqueles que ficaram pedindo músicas da banda, Justin tocou "1 Trillion Dollars" e "Turncoat" (originalmente composta para a carreira solo de Justin Sane), ambas com os refrões cantados em uníssono por todos. Justin agradeceu mais uma vez a todos por ter vindo e acabou ficando pelo clube tirando fotos com os fãs e conversando com eles.
O clima de união, respeito e de muita inspiração proporcionado nessa noite foi algo que realmente não vai sair da cabeça do público que esteve lá.
Eu só espero que Justin Sane possa realizar mais shows desse tipo por outros países, seja aqui na Europa ou na América do Sul ou em qualquer canto do mundo porque esse sábado foi uma prova que há ainda músicos que podem ser relevantes, honestos e que possam ter uma influência positiva no público.
Fotos: Sina Huotari
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