Crashdiet: a Rua Augusta ficou ainda mais agitada no dia 2
Resenha - Crashdiet (Inferno Club, São Paulo, 02/10/2010)
Por Otávio Augusto Juliano
Postado em 07 de outubro de 2010
Conhecida da maioria dos paulistanos, a Rua Augusta é praticamente um ponto turístico de São Paulo, um verdadeiro "inferninho" que não adormece e que diariamente por volta das 22hs começa a "ferver", sempre cercada de garotas de programa, trânsito intenso, baladas e pessoas das mais diversas tribos.
Às 19hs não é de se esperar movimento intenso na Augusta e no sábado dia 02 de outubro não foi diferente – a rua estava calma nesse horário. A única exceção era o entorno do Inferno Club, local onde a banda sueca CRASHDIET se apresentaria naquela noite.
No horário marcado no anúncio do show (19hs), o público ainda ingressava na casa e a ansiedade pela segunda passagem da banda pelo Brasil só começou a passar por volta de 20:35h, quando Simon, Martin, Peter e Eric enfim subiram ao palco do Inferno Club.
Promovendo o recém-lançado álbum "Generation Wild", o set list certamente destacaria este novo trabalho do grupo e foi isso mesmo que aconteceu na primeira parte do show, com um set quase que totalmente dominado por músicas recentes, desde a abertura com a dobradinha "Down With The Dust" e "So Alive".
As exceções ficaram por conta de "In The Raw" e "Falling Rain", do segundo álbum, "The Unattractive Revolution", e "Riot In Everyone" e "Straight Outta Hell", do disco de estréia da banda, "Rest In Sleaze".
Simon Cruz é o terceiro vocalista da banda e está totalmente adaptado ao CRASHDIET, musical e visualmente, e isso é inegável. Ao vivo se mostrou muito bom e a coisa só não ficou tão perfeita com as canções gravadas originalmente por Olliver Twist (segundo vocalista da banda, que gravou "The Unattractive Revolution"): Simon tem estilo diferente de Olliver e músicas como "In The Raw" e "Falling Rain", apesar de serem ótimas e terem sido escolhidas a dedo para compor o set list, não se encaixam tão bem à sua voz.
Em compensação, Simon se sai muito bem nas músicas gravadas originalmente pelo falecido Dave Lepard, como em "Riot In Everyone", uma das canções responsáveis por tornar o CRASHDIET conhecido mundo afora.
E nem preciso dizer que sua voz se encaixa perfeitamente nas músicas do álbum que gravou com a banda ("Generation Wild"). Os exemplos ao vivo são inúmeros, como em "Native Nature" e "Rebel", canções que exigem muito da voz de Simon e que deixaram o público paulistano certamente impressionado. O cara tem presença de palco e provou neste show de São Paulo que a escolha de seu nome para o posto de vocalista da banda foi certeira por parte de Peter, Martin e Eric.
Outra que foi um dos pontos altos da noite foi "Chemical", certamente a música do disco novo mais aguardada por este que vos escreve. De refrão pegajoso e ótima levada, serviu para empolgar ainda mais o público, pouco antes do fechamento da primeira parte do show – o único ponto negativo foi mesmo o som dos microfones de Peter e Martin, que estavam baixos, prejudicando os excelentes "backing vocals" que fazem parte dessa canção.
Depois de 50 minutos de apresentação, o CRASHDIET agradeceu aos fãs e se retirou do palco. Mas, obviamente, eles iriam voltar. E que retorno! "Breakin’ The Chainz", seguida de "It’s A Miracle", dedicada a Dave Lepard, e ainda "Tikket", que contou com a participação de Chris Young, fã que é o moderador da comunidade da banda no Orkut e postou diversos vídeos no YouTube, tocando guitarra em todas as canções do CRASHDIET (http://www.youtube.com/user/Chrisghaya#p/u/22/I29Kr8yduBI). A parte final do show ainda contou com uma "jam session" de Martin, Peter e Eric, regada a muito blues e com Simon tocando gaita. Se, depois de tantas canções mais recentes, o público ansiava por músicas do primeiro álbum da banda, essa trinca final foi certeira e agradou em cheio a todos!
Com direito a mais uma ameaça de encerrar o show, os suecos ainda voltaram para "incendiar" de vez o Inferno Club, com "Queen Obscene/69 Shots", talvez a melhor música da banda na opinião deste redator, e "Generation Wild", canção que dá título ao mais novo álbum da banda.
Noite memorável, em um Inferno Club que se mostrou uma ótima casa para shows desse porte, com boa estrutura e som muito satisfatório.
Para este redator, que foi um dos primeiros a publicar material do CRASHDIET no site Whiplash, nos idos de 2006, quando a banda ainda era desconhecida e sofria com a baixa do seu então vocalista Dave Lepard, fica o desejo de que o grupo tenha um futuro ainda mais promissor pela frente, pois é exemplo de atitude, talento, energia e carisma, sendo o principal representante do que se costuma chamar atualmente de "New Wave Of Swedish Sleaze Metal".
Por fim, valem dois registros importantes: após o show os músicos atenderam fãs para autógrafos e fotos; e não posso deixar de mandar "um alô" para o Guilherme, fã da banda, mas acima de tudo fã do Whiplash, "sua página inicial da Internet", segundo suas próprias palavras (ditas a mim durante o show, ao notar que eu estava com a camiseta do site).
Torço para que o CRASHDIET retorne muitas vezes ao Brasil e em especial a São Paulo, para "agitar" ainda mais a já agitada Augusta. E que o Whiplash possa, por intermédio de seus redatores, acompanhar muitas outras apresentações de qualidade como essa, "dividindo a pista" com seus numerosos leitores.
Agradecimentos a Carlos Chiaroni (Carlão – Animal Records) pela liberação do credenciamento.
Banda:
Simon Cruz - Vocal e Guitarra
Martin Sweet - Guitarra
Peter London - Baixo
Eric Young - Bateria
Set List:
1. Down With The Dust
2. So Alive
3. In The Raw
4. Native Nature
5. Falling Rain
6. Riot In Everyone
7. Rebel
8. Armageddon
9. Bound To Fall
10. Chemical
11. Straight Outta Hell
-----------------
12. Breakin’ The Chainz
13. It's A Miracle
Jam Session
14. Tikket
-----------------
15. Queen Obscene/69 Shots
16. Generation Wild
Outras resenhas de Crashdiet (Inferno Club, São Paulo, 02/10/2010)
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