Resenha - John Lawton (Blackmore Rock Bar, São Paulo, 12/02/2009)

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Por Rodrigo Werneck
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Após longos anos de espera, finalmente o lendário vocalista britânico John Lawton aportou por essas terras para uma série de shows, acompanhado por uma (afiada) banda formada por músicos brasileiros. No repertório, uma coleção de clássicos do Uriah Heep e do Lucifer’s Friend, bandas das quais fez parte nos anos 70, além de um par de faixas de seus trabalhos solo mais recentes.

Fotos: Henri Matthes e Rodrigo Werneck

O primeiro show da mini-turnê, que viria ainda a posteriormente englobar Rio de Janeiro, Fortaleza e Brasília, foi marcado para uma quinta-feira à noite em São Paulo, mais precisamente no Blackmore Rock Bar, uma espécie de templo classic rock paulistano, que se mostrou o local ideal para tal empreitada. A banda incumbida de abrir os trabalhos foi o Jack Flash, cover dos Rolling Stones. Tocando um repertório conhecido e bem ensaiado para um público majoritariamente composto por “old rockers”, a receptividade não teria como ser diferente, e a casa começou literalmente a esquentar.

Já eram mais de 10:30h da noite quando as luzes voltaram a se apagar, e os primeiros acordes no sintetizador indicaram que a inesperada, e rapidamente aclamada “The Hanging Tree” (do álbum “Firefly”, de 1977), estava abrindo caminho para a sequência de memoráveis interpretações de clássicos do Heep. Embora o som no começo do show estivesse um pouco embolado (problema rapidamente corrigido já na segunda música), era fácil de se notar que a banda convocada para acompanhar Lawton era muito mais do que simplesmente correta. O guitarrista Deyves Ramai, o tecladista Bruno Sá, o baixista Roberto Freitas e o baterista André Andrade mostraram grande competência, perfeito domínio de seus instrumentos, total conhecimento do repertório e, o mais importante, grande química com Lawton, que não se cansava de elogiá-los em toda oportunidade. É ainda fundamental frisar que houve somente um ensaio (!!) deles com John, ocorrido no dia anterior ao show de São Paulo.

“Stealin’” veio a seguir e fez todos os presentes cantarem. Lawton mostrou desenvoltura tanto no material de sua época no Uriah Heep, quanto no que originalmente havia sido gravado com David Byron no vocal, mas que de qualquer forma já havia sido tocado com ele ao vivo em seu tempo com a banda (entre 1976 e 1979). Esse foi o caso de “Stealin’”, que contagiou todos os presentes. A plateia estava ganha. Alternando músicas de diferentes momentos de sua carreira, a próxima a ser executada foi “Still Payin’ My Dues To The Blues”, um “hard blues” do ótimo álbum solo homônimo de 2000.

Os clássicos do Heep se sucederam, tanto músicas mais calmas como “The Wizard” e “Come Back To Me”, quanto pedradas como “Free’n’Easy”. Por sinal, foi nas músicas da época de Lawton no conjunto que o show mais rendeu, com ótimas performances vocais. John foi auxiliado nesse aspecto pelo tecladista Bruno e pelo baterista André, que o auxiliaram a recriar as harmonias vocais do Heep, marca registrada do conjunto. Deyves Ramai se saiu muito bem ao recriar a melodia de “Come Back To Me”, retirando entretanto o slide do arranjo. Mesmo assim, funcionou muito bem ao vivo. Outro ponto de destaque foi o duelo de guitarra e teclado em “Free’n’Easy”, num inusitado arranjo que incendiou o público (a versão original apresentava um duelo de guitarras entre Mick Box e Ken Hensley). Em todo o decorrer do concerto, a “cozinha” formada por André Andrade e Roberto Freitas se baseou nos arranjos originais, adicionando porém uma bem-vinda dose extra de peso e energia, e com grande precisão.

“Reach Out” é um tema do último disco da John Lawton Band, que sempre rende bem ao vivo, com seu refrão contagiante. Um dos pontos altos do show veio a seguir, na forma de “Burning Ships”, antiga música do Lucifer’s Friend, de seu disco “Where The Groupies Killed The Blues”, de 1972. Um início suave, com Lawton esbanjando talento e emoção no vocal e André Andrade simulando uma percussão ao tocar seu kit de bateria com as mãos. Após um agudo lancinante de Lawton, no entanto, o clima ficou mais pesado e progressivo, com ótimos solos de sintetizador de Bruno Sá.

A infalível “Lady In Black” apresentou Lawton ao violão, comandando o andamento da música, cantada como sempre em uníssono pelo público. Já “Wise Man” incluiu outra performance magistral de John no vocal, mesmo cantando um tom abaixo em relação à gravação original de estúdio. Mas os momentos de maior catarse coletiva ainda estavam por vir...

“Easy Livin’” mostrou que é de fato o grande clássico do Heep. Nem mesmo o pessoal que estava trabalhando no Blackmore ficou quieto nessa hora, “barmen”, seguranças, fotógrafos, todos agitaram bastante. O mesmo ocorreu com a longa e climática “July Morning”, que a sucedeu, com seus vários andamentos, lentos e pesados, solos de guitarra e teclado. Bruno mais uma vez se destacou com solos de sintetizador na longa passagem instrumental do final, lembrando os solos que Hensley fazia ao vivo nos anos 70 (e que Manfred Mann fez na versão original de estúdio). Já “Free Me”, o maior sucesso do Heep da era-Lawton, fez todos cantarem seu refrão. A música fez sucesso nas rádios brazucas na época de seu lançamento, logo mesmo quem não estava familiarizado com todo o repertório se lembrou dessa. Lawton não se fez de rogado, e interagiu bastante com a audiência, botando todos para imitá-lo, recurso costumeiro em shows.

Após um breve intervalo, a banda retornou com mais dois petardos. Uma música do Heep, “Sympathy”, e outra do Lucifer’s Friend, “Ride The Sky”, na qual a casa quase foi abaixo com a vibração da plateia. Pesada e soando atual mesmo tendo sido gravada originalmente há 40 anos atrás, foi o fecho de ouro de uma noite da qual muitos irão recordar por um bom tempo. A atmosfera era de tamanha empolgação, que praticamente a totalidade do público permaneceu no Blackmore após o final do show, formando uma longuíssima fila que se estendia de um balcão no segundo andar até o andar de baixo. Após um breve descanso, Lawton gastou um bom tempo autografando CDs, LPs, fotos, ingressos, camisas, e pacientemente posando para fotos com todos os que aguardaram.

Alguns pequenos vídeos com fragmentos do show podem ser vistos no YouTube:

The Wizard

Burning Ships

Stealin’

The Hanging Tree

Setlist:
- The Hanging Tree
- Stealin’
- Still Payin’ My Dues To The Blues
- The Wizard
- Come Back To Me
- Free’n’Easy
- Reach Out
- Burning Ships
- Lady In Black
- Wise Man
- Easy Livin’
- July Morning
- Free Me

Bis:
- Sympathy
- Ride The Sky

Website:
http://www.johnlawtonmusic.com

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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