Carcass: uma exumação de alto nível em São Paulo
Resenha - Carcass (Santana Hall, São Paulo, 09/11/2008)
Por Daniel Santos Lessa
Postado em 13 de novembro de 2008
Dinheiro, mulheres e cocaína. Essas foram as razões para a volta do Carcass aos palcos, segundo o próprio Jeff Walker, baixista e vocalista da banda. Sorte dos brasileiros, que tivemos a chance de assistir a uma apresentação impecável e histórica dos criadores do 'splatter' e um dos mais importantes grupos do metal extremo - e, como não, do metal em geral em todos os tempos.
Se aos ouvidos mais politicamente corretos a frase incomodou, a sentença de Jeff foi recebida com entusiasmo pelo público que lotou o Santana Hall, em São Paulo. Mas a empolgação maior foi mesmo com o desfile de clássicos apresentado pelo quarteto. O grupo fez uma verdadeira exumação e transitou por todos os discos de sua carreira, ainda que o repertório tenha se concentrado nos aclamados 'Necroticism - Descanting The Insalubrious' (1992) e 'Heartwork' (1994).
O cancelamento das bandas de abertura, a pedido do próprio Carcass, só serviu para aumentar a adrenalina da galera - que, a propósito, esgotou com avidez as camisas da tour, para total infelicidade do mané que vos escreve. Sem o tradicional 'esquenta' e com muita cerveja rolando, a multidão (falaram em duas mil pessoas, mas parecia haver mais gente) vibrou quando as luzes se apagaram e a introdução do álbum 'Necroticism' começou a rolar.
Então Bill Steer (guitarra e vocal), Michael Amott (guitarra), Daniel Erlandsson (bateria) e Jeff, já citado, subiram ao palco e iniciaram a cirurgia cerebral no público. 'Inpropagation' foi executada com perfeição, fato que iria se repetir até o fim da operação, ops, da apresentação.
O que se seguiu então foi um verdadeiro ressuscitamento de velhos clássicos do grupo, tudo diante de pacientes extasiados e exaltados. 'Buried Dreams' fez os batimentos cardíacos da turma vestida de preto acelerarem. Porém, a taquicardia aumentou ainda mais em músicas como a clássica 'Corporal Jigsore Quandary', 'Buried Dreams', 'Incarnate Solvent Abuse', 'No Love Lost' e 'This Mortal Coil'. Sem esquecer de 'Embodiment' e 'Carneous Cacoffiny', que provavelmente causaram lesões na espinha de muita gente.
Com o público ganho (teve até corinho de ‘olê, olê, olê, olê, Carcass, Carcass’), os legistas não se fizeram de rogado e deram vida também a velhos clássicos como a maravilhosa 'Reek of Putrefaction' e a já em estado avançado de decomposição 'Genital Grinder', respectivamente do 'Symphonies of Sickness' (1989) e do 'Reek of Putrefaction' (1988).
Ah, sim, das antigas, o grupo também executou o início de 'Ruptured In Purulence' e a fabulosa 'Exhume To Consume', se não me falha a memória, já que perdi o papel em que anotava o set list. E como a concentração alcóolica não era das menores durante o show, fica complicado lembrar todas as músicas - ainda mais na ordem correta.
De 'Swansong', álbum de 1995 que representou o atestado de óbito da banda, o quarteto mandou 'Keep On Rotting In The Free World' - clara citação à 'Keep On Rocking In The Free World', do músico folk-rock canandense Neil Young. Enfim, depois de cerca de 1h30m (foi pouco, muito pouco) e um bis matador, incluindo 'Heartwork', o grupo se despediu mais vivo do que nunca. Ficou a esperança de que Jeff e Cia., ainda que não lancem disco algum (sinceramente, nem precisa), se reúnam esporadicamente para desenterrar esses clássicos do metal.
Obs 1: Vamos ver se esse negócio de internet, de troca de informações, funciona mesmo. Quem puder, por favor, me mande o set list do Carcass. Prometo (ou seria ameaço?) que faço uma resenha melhor do que a atual. Mensagens com o set list, ou qualquer correção, para [email protected].
Obs 2: Gravei parte do show em DV, mas a bateria da câmera acabou. Se alguém tiver o show, ainda que parcialmente, com qualidade razoável, e quiser trocar arquivos, favor entrar em contato pelo mesmo mail.
Obs 3: Se alguém tiver fotos do show e quiser mandar para ilustrar a matéria, agradeceria. As imagens que tenho são frames do vídeo que fiz.
Obs 4: Ninguém tem nada a escrever sobre o show em BH? Gostaria de saber como foi.
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