Dios Salve...: Um cuidadoso e quase perfeito tributo ao Queen
Resenha - Dios Salve a La Reina (Via Funchal, São Paulo, 12/06/2008)
Por Aline Silva
Postado em 18 de junho de 2008
Tem gente que torce o nariz para sair de casa e ir assistir show de banda cover. "Ah, prefiro o original", muitos podem dizer. Como moramos no Brasil e todos sabemos como é difícil acontecer por aqui todos os shows que queremos assistir, as bandas cover quebram um baita galho. Principalmente aquelas que abraçam a idéia e realmente procuram reproduzir tudo com perfeição, tanto a parte musical quanto a visual. E os argentinos da Dios Salve La Reina (ou "God Save the Queen") são um desses belos exemplos. Os caras prestam tributo a um dos maiores ícones da história do Rock, o Queen, e sua performance sempre é muito elogiada.
Fotos: Alexandre Cardoso ([email protected])
Ora, então porque não prestigiar um evento como esse e ver do que uma "banda cover" é capaz?
Como eu, muitos nunca tiveram a chance de assistir o Queen ao vivo com o já falecido Freddie Mercury, e isso é um fato a ser lamentado por qualquer fã da banda e do Rock em geral. Mas, felizmente, temos o Dios Salve la Reina. Confesso que esse show me deu arrepios, desde a introdução até o último aplauso do público, tamanha foi a competência apresentada por esses caras e a emoção que eles causaram nos presentes.
A minha única referência sobre o Queen ao vivo são os vídeos e DVDs que todos já assistiram, e a semelhança é impressionante. O jogo cênico da banda em cima do palco, com os quatro integrantes tocando próximos uns dos outros em diversos momentos, é muito bacana. A precisão nos timbres e solos do guitarrista Francisco Calgaro (Brian May), do baixo marcante de Ezequiel Tibaldo (John Deacon), e a pegada forte de Matías Albornoz (Roger Taylor) faz com que pensemos que estamos ouvindo as gravações dos álbuns originais.
Mas o cara que merece um parágrafo à parte é o vocalista Pablo Padín. Dizendo de uma forma direta e e que pode soar absurda para muitos fãs: o cara É o Freddie Mercury. Não apenas por se parecer com ele fisicamente (mesmo com o bigode postiço) e por reproduzir todos os trejeitos do mestre em cima do palco: a voz dele é PARECIDÍSSIMA. Pablo sabe como usá-la e dosá-la nos momentos certos, mostrando uma grande técnica. E todo mundo sabe que o grande problema de uma banda cover (nesse caso, tributo) é o vocalista: ou o cara afunda a banda, ou ele eleva a banda ao patamar da quase perfeição. Sim, porque perfeição mesmo só com os originais.
Foram quase duas horas de show, com diversos clássicos como "Somebody to Love", "Bicycle Race", "Another One Bites the Dust", "Play the Game", "We Will Rock You", "We Are The Champions" (essa marca presença em todo final de campeonato de futebol, inclusive na da Copa do Brasil ;-)), "Tie Your Mother Down". Também rolaram aquelas para os fãs mais ardorosos, como "Sail Away Sweet Sister (To The Sister I Never Had)", cantada por Francisco Calgaro, "Body Chat" e "'39". O momento "Via Funchal vem abaixo" foi com a belíssima "Love of My Life", muito apropriada para a data do show e que foi cantada na íntegra - e bem alto - pelo público. Mas "Bohemian Rhapsody" e "The Show Must Go On" foram músicas que fizeram com que eu quisesse pagar outro ingresso desse show.
O final apoteótico do show, com Pablo entrando no palco vestindo a mítica capa vermelha e com a coroa na cabeça, foi a catarse para a platéia: ninguém precisava de mais nada, nem de reclamar daquela sua música favorita que não foi tocada. Só nos restava aplaudir os quatro "hermanos", mais do que merecidamente, que aproximaram muitos presentes de um grande show que poderia ter sido feito pelo Queen, e em tantos outros, deixou aquela sensação de saudade e nostalgia, que faz com que a gente perceba que sem essa fantástica banda e seu incomparável vocalista, o Rock ficou um pouco menos mágico.
Simplesmente sensacional.








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