Resenha - Dios Salve a La Reina (Via Funchal, São Paulo, 12/06/2008)

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Por Fernão Silveira
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Para quem não teve o privilégio de ver o QUEEN (estamos falando do original, ok? Esqueça PAUL RODGERS...) ao vivo, talvez isto seja o mais perto que você jamais vai chegar! Foi com esse apelo que cerca de 4 mil paulistanos compareceram à Via Funchal, em pleno Dia dos Namorados (12/06/08), para assistir aos argentinos do GOD SAVE THE QUEEN (DIOS SALVE A LA REINA), que formam uma das melhores e mais fiéis bandas de tributo ao brilhante quarteto inglês.

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Em 10 anos de carreira, os rosarinos Pablo Padín (vocal, piano e violão), Francisco Calgaro (guitarra, violão e teclado), Matías Albornoz (bateria) e Ezequiel Tibaldo (baixo) conseguiram transformar o amor pelo QUEEN em uma "brincadeira" muito séria. Dispostos a não apenas reproduzir as músicas eternizadas por Mercury, May, Taylor e Deacon, os quatro argentinos lançaram-se à missão de se transformarem em réplicas quase perfeitas dos ídolos. E eles têm muito sucesso nessa proposta.

A semelhança física de Pablo Padín com Freddie Mercury chega a ser inquietante. Para melhorar, o músico argentino estudou a fundo os trejeitos e os cacoetes vocais de Freddie, e os reproduz com muito êxito no palco. É evidente que nem sempre Padín consegue se igualar aos vocais de Mercury, mas ele chega muito perto em muitas ocasiões (porém, como diz a letra de "A Kind of Magic", there can be only one...).

Francisco Calgaro também é muito parecido com Brian May, além de empunhar com propriedade uma réplica perfeita da Red Special - a mítica guitarra construída por Brian e seu pai, nos anos 60, quando a família May não tinha condições de comprar uma Fender Stratocaster para o garoto. E o vocal de Calgaro também é bastante fiel ao de May, como foi possível conferir na execução memorável que o DSR fez da inesperada "Sail Away Sweet Sister (To the Sister I Never Had)", bela canção do álbum "The Game".

Ezequiel Tibaldo, bem mais empolgado que o eternamente comedido John Deacon, e Matías Albornoz, que toca quase tão bem quanto Roger Taylor em seus áureos tempos, dão os tons definitivos para que o jogo de cena do DSR seja uma réplica muito fiel das históricas turnês que o QUEEN fez pelo mundo nos anos 80. Não é à toa que gente como Jer Bulsara (mãe de Freddie) e Phil Murphy (tour manager do QUEEN) derreteu-se em elogios quando conheceu os quatro artistas de Rosario.

No show deste Dia dos Namorados, na Via Funchal, o DSR cantou e encantou, venceu e convenceu. Era notável a surpresa do público logo aos primeiros acordes de "Now I'm Here", que abriu o espetáculo após uma introdução arrepiante (sem playback), ainda com as cortinas fechadas e as luzes apagadas, de "Procession" (a marcha sinistra do antológico álbum "Queen II").

Nos quase 100 minutos seguintes, os argentinos desfilaram suas versões para grandes sucessos da carreira de Freddie & Cia. A escolha do set list vale um comentário à parte. Embora todos os fãs tenham notado falta de clássicos como "Radio Ga Ga", "I Want to Break Free", "You're My Best Friend" e "Save Me", entre tantos outros possíveis, o DSR marcou um golaço ao fugir do óbvio e apresentar alguns "lados Bs" do QUEEN, como "Back Chat" (de "Hot Space", álbum que fez muito sucesso em todos os países de língua espanhola por causa de "Las Palabras de Amor [The Words of Love]" - além da emblemática "Under Pressure"), a já citada "Sail Away Sweet Sister (To the Sister I Never Had)" e "In the Lap of the Gods" (uma escolha talvez inadequada para o bis). Músicas estas, por sinal, que diversos dos espectadores presentes à Via Funchal provavelmente nem conheciam e tiveram a oportunidade de ouvir pela primeira vez.

Ainda sobre a performance dos quatro argentinos, é importante ressaltar que eles trabalham com afinco para que a semelhança com o QUEEN vá além dos trejeitos e do mise-en-scène. A execução de "Love of My Life", que o simpático baixista Ezequiel Tibaldo dedicou "aos casais apaixonados da noite", quase pôs a Via Funchal abaixo – aliás, lágrimas podiam ser vistas em algumas dezenas de mesas.

"Bohemian Rhapsody", outro hino da banda inglesa, incendiou o público pela garra dos quatro músicos em sua execução – note-se que eles reproduzem na raça, sem playback, a complicada "parte teatral" de BoRhap ("Galileo/ Galileo/ Galileo/ Figaro/ Magnífico ô ô ô ô..."). Se a música agita por si só, graças aos seus altos e baixos e sua empolgante parte roqueira ("So you think you can stone me and spit in my eye... "), com o DSR ela fica ainda mais energética por causa do esforço dos caras em reproduzir no palco os coros e arranjos que o QUEEN levou semanas para gravar em estúdio – e nunca (ou pouquíssimas vezes) se propôs a executar em seus shows.

É por isso que DIOS SALVE A LA REINA vem emocionando o mundo com sua reprodução do QUEEN, conquistando um merecido espaço na corrente de bandas-tributo que temos assistido hoje (como THE BEATS, AUSTRALIAN PINK FLOYD e MAGIX BOX, entre outras). DSR, no mínimo, é uma experiência que vale a pena ser vivida por fãs novos e antigos da grande Rainha do Rock.

Não seria muito pensar que Freddie Mercury, lá no Céu, sente-se orgulhoso, envaidecido e satisfeito a cada novo show do DIOS SALVE A LA REINA.

Set List (Via Funchal – S.Paulo – 12/6/08)

Procession (intro)
Now I’m Here
Somebody to Love
Good Old-Fashioned Lover Boy
A Kind of Magic
Back Chat
Bicycle Race
Play the Game
Another One Bites the Dust
Sail Away Sweet Sister (To the Sister I Never Had)
Love of My Life
'39
Crazy Little Thing Called Love
Don’t Stop Me Now
Hammer to Fall
The Show Must Go On
Bohemian Rhapsody
(Bis)
Tie Your Mother Down
In the Lap of the Gods
We Will Rock You
We Are The Champions

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Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

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