O cover tão magnífico do Black Sabbath que até Tony Iommi cita nas redes sociais
Por Bruce William
Postado em 03 de dezembro de 2024
Covers podem ser problemáticos quando parecem feitos sem esforço ou propósito. Há casos em que a versão não traz nada de novo à música original, apenas a reproduz sem paixão ou identidade. Isso pode fazer com que o público questione a intenção do artista: foi uma homenagem genuína ou uma escolha preguiçosa, sendo apenas uma forma rápida de preencher um álbum ou atrair atenção? Covers mal executados muitas vezes passam a ideia de que o artista não tinha algo novo para oferecer naquele momento.
Entretanto, quando o cover é bem feito, ele pode até transcender o original e ganhar uma vida própria luminosa, como o famoso caso de "Hurt" do Johnny Cash, que trouxe uma profundidade emocional tão intensa a ponto de transformar a música do Nine Inch Nails em um hino de arrependimento e vulnerabilidade.
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Quando um artista consegue reinventar a música ou adiciona uma nova camada de significado, o cover deixa de ser uma simples reprodução e se torna uma obra autêntica e memorável. E foi o que aconteceu quando o saudoso Charles Bradley regravou "Changes" do Black Sabbath em seu terceiro álbum de estúdio, que ganhou o mesmo nome e foi lançado em abril de 2016. A música já havia sido lançada como single três anos antes durante a Black Friday de 2013.
Replicando trecho de matéria sobre ele aqui no Whiplash.Net, a história de Charles Bradley parece um filme. Em 1962, após assistir a uma das performances incendiárias de James Brown no Apollo Theater, o jovem Bradley sentiu o impacto e começou a cantar e a desenvolver uma linguagem corporal inspirada em seu ídolo. Pobre pra caramba, conseguiu espaço e tocou algumas vezes em clubes, mas viu o sonho acabar quando foi convocado para a Guerra do Vietnã(...) E somente aos 62 anos que Bradley viu o sonho de viver de música se transformar em realidade. Seu primeiro disco, "No Time for Dreaming", foi lançado em 2011. O segundo, "Victim of Love", saiu em 2013.
No vídeo acima, Charles conta que decidiu regravar "Changes" por causa da forte letra, e que na época ele estava passando por momentos terríveis com a mãe muito doente, e o sofrimento dela estava ecoando fortemente nele, que a princípio não queria fazer a gravação mas os primeiros versos causaram muito impacto nele, que não queria aceitar a mensagem da música, de que havia chegado a hora de uma mudança.
"Quando vi minha mãe dar seu último suspiro, o segundo brotou de forma tão natural de mim que eu sequer tive que ensaiar ou pensar sobre ele", se referindo à parte que diz "She was my woman/ I loved her so/ But it's too late now/ I've let her go", que pode ser compreendida como alguém que deixou a mulher amada partir, ou também, no caso dele, como sendo a partida da própria mãe. "E até hoje quando canto essa música me sinto emocionado."
Charles, infelizmente, também morreria cerca de um ano depois desse vídeo, em setembro de 2017, após lutar contra um câncer de fígado que havia feito ele cancelar todos os compromissos, incluindo uma apresentação que ele faria na edição de 2017 do Rock in Rio. E o guitarrista Tony Iommi comentou recentemente em suas redes sociais a incrível performance de Bradley em "Changes".

No post, Iommi diz: "Na Black Friday de 2013, Charles Bradley lançou sua versão comovente de 'Changes', canção que Ozzy, Geezer, Bill e eu gravamos originalmente em 1972. Bradley era um cantor fenomenal, mas infelizmente faleceu pouco depois do lançamento de sua versão. ✟ - Tony"
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