Review da passagem de Eric Martin pelo Brasil

Resenha - Eric Martin (Blackmore Bar, São Paulo, 25/04/2007)

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Por Gabriel Vicente França
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Terça-feira, 24/04, meio da tarde. Galeria do Rock. Uma fila se formava em direção à loja Animal Records que estava pronta para receber Eric Martin, dono de uma das vozes mais distintas do hard rock poser dos anos 80/90, mas sem nenhum parentesco com os porto-riquenhos dos Menudos. Desabituados ao atual ambiente do prédio das Grandes Galerias, os fãs de Mr. Big se ajuntavam vestidos com a roupa de trabalho, correndo para a faculdade ou tendo que voltar para casa para preparar o jantar. “Eu preciso de um ar condicionado”, dizia Adriana Califano, anunciando o mantra do dia seguinte.

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Eric surgiu pela escada rolante do prédio às 17h20. Foi recebido efusivamente por um grupo de umas cinco pessoas que o envolveu e tirou todo o tipo de foto imaginável. Em 10 minutos ele estava atrás de um balcão de exposição de CDs da loja, dançando, cantando, assinando e tirando fotos. Eventualmente tendo de interromper tudo isso porque o dono da loja botava os fãs pra correr. “Vamos, vamos! Próximo! Anda logo!”

A possibilidade de nunca mais ver o ídolo em terra brasilis fez com que os devotos levassem quilos e mais quilos de material. Tinha de raridades importadas do Japão até folhas de caderno da namorada. Até um guardanapo era bem-vindo, fosse pelo calor, fosse pelo autógrafo.

Thiago Verpa, fã desde os 13 anos de idade, conseguiu realizar seu sonho: “Eu disse ‘I love you man’ e ele assinou trinta encartes”. E como foi a conversa? “ele dizia que quando eram CDs do Mr.Big, procurava assinar em algum canto, para deixar o espaço livre para os outros membros assinarem, e quando eram CDs solo dele, assinava bem grande, e às vezes se confundia com isso.” Interessado, o vocalista ainda perguntou sobre os bootlegs que Thiago carregava: “ele queria saber se tinha foto no encarte”.

Depois de duas horas de autógrafos, os seguranças do prédio começavam a apagar as luzes. O cantante foi obrigado a não dar atenção a todos naquele momento. Mas ele estava disposto a tratar bem todo e cada fã que estivesse à sua frente. Ou seja, mesmo sem ter culpa, ele pagaria por não ter podido atender a todos na tarde de autógrafos.

Quarta-feira, 25/04, Blackmore, noite caída. Às 21h, os funcionários da casa retiravam cadeiras e mesas e as depositavam na calçada do outro lado da rua. A fila já se formava, mas ainda era pequena. A sensação é que seria uma noite calma e fresca. A casa abriu quase que pontualmente e, aos poucos, os ex-posers de outrora juntavam, tomavam uma cerveja, comentavam sobre qualquer assunto não relacionado à purpurina. Em pequenas rodas ou circulando pela pequena pista da casa, as pessoas começavam a se avolumar. Parecia que o público seria razoável quando começou o show do Tempestt, banda formada por BJ (sim, de Bon Jovi, vocal), Léo Mancini (sim, do Shaaman, guitarra), Edu Cominato (bateria), e Paulo Soza (baixo), que se mostrou disposta a agradar os fãs de Mr. Big, ao apresentar poucas músicas de seu recém lançado disco, “Bring ‘Em On”, mescladas com covers de Skid Row (“Into Another”), Vai (“In My Dreams With You) e do filme “Rockstar” (Stand Up And Shout, composta por Trevor Rabin, ex-Yes).

Apesar de curto, o show levou tempo suficiente para que a casa enchesse mais do que era capaz. A cena tragicômica: era como se os fãs de Mr. Big e Eric Martin tivessem marcado de se encontrar dentro de um ônibus da linha 577-T Jardim Miriam/Vila Gomes na hora do rush, em plena Avenida Paulista. Só faltaram cobrador e radinho tocando pagode ao lado do motorista.

Cerca de 40 minutos depois do término do show do Tempestt, Eric Martin subiu ao palco. Com ele estavam três músicos argentinos que compuseram a banda de apoio para a turnê sul americana: Christian Vidal (guitarra), Pablo Garrocho (bateria) e Charlie Giardina (baixo). Com apenas um ou dois pares de ensaios, a festa foi aberta com “Daddy, Brother, Lover, Little Boy”, música de “Lean Into It”, segundo do Mr. Big, logo sucedida por “Wonderland”, do TMG, projeto de Tak Matsumoto, um dos maiores compositores de rock do Japão. Para Claudia Dias, fã há 10 anos, foi um dos melhores momentos do show: “amo aquele CD! Tenho o DVD também! Pena que ele não tocou mais músicas do TMG”.

Fora da mídia há anos, Eric montou seu set list pensando nos sucessos do Mr. Big e em apresentar poucas músicas de sua carreira solo. E foi um acerto em cheio: o público não se furtou de cantar, de pedir e aplaudir as músicas tocadas ora com guitarras, ora com violões. Rolaram até versões a capella: Eric ainda teve a oportunidade de brincar com o público quando pegou um violão e começou alguns acordes de “Shine”. A reação inesperada da platéia fez com que o vocalista tentasse fugir da responsabilidade: “Richie [Kotzen, autor da música e ex-guitarrista do Mr. Big] vem para o Brasil em julho e ele toca essa para vocês”. Não deu. Ele foi obrigado a cantar a primeira estrofe e o primeiro refrão da música. E isso aconteceu também com “Green-Tinter Sixties Mind”, que teve direito até a um two-handed tapping safado de Eric, que disse em alto e bom som que não era o Paul Gilbert. Sem problemas, Eric, o público só quer que você cante. Público que ele tinha na palma da mão: Eric posou para fotos, sentou no palco, cantou, dançou e suou. Suou muito.

Nas palavras do próprio: “É impossível imaginar como estava quente lá dentro: eu só consigo descrever o ambiente como se você estivesse cantando em uma sauna. Meu Deus! Eu quase desmaiei algumas vezes e eu podia ver que os fãs estavam passando mal também.” Claudia Dias teve até de sair da casa para agüentar o calor: “a verdade é que ninguém conseguiu ver o show direito, eu pelo menos saí na metade porque não agüentava”.

Do lado de fora, o papo corria solto. E a cara dos que chegavam do show do Testament era de espanto com a quantidade de gente – e de calor – no Blackmore. “Esse foi um dos melhores shows que eu não vi”, afirmou Nívea Sá, fã desde antes do Cruzeiro Real, que foi confundida com o caixa da casa por ter se sentado à porta de entrada, atrás de um balcão. Vez ou outra, um casal saía suado da pista e ia tomar um ar na porta. Foi no momento de maior concentração de casais à porta que Eric puxou o primeiro verso de “To Be With You”, ao que se seguiu o maior índice da história de homens sendo arrastados para dentro de um lugar quente, cheio de gente suando e fedendo por suas namoradas, esposas e afins. Era o anúncio do fim do show e do início da monstruosa fila para pagar a conta. Houve ainda um bis, com “Take a Walk”, do primeiro vinil da ex-banda de Martin, precedida por um solo desnecessário do guitarrista argentino.

Molhado feito cachoeira, o público ia saindo do Blackmore e se juntando para conversar ou arrumar carona até o chuveiro mais próximo. Thiago Verpa estava acabado: “Foi animal! Consegui a palheta dele!”. Adriana Califano, muito contente pela palhinha de “Fly On The Wall”, da carreira solo de Martin, procurava convencer o motorista do estacionamento que o carro era dela. “Eles tinham que devolver metade do meu dinheiro, já que só consegui ver meio show”, disse rindo com certa indignação Claudia Dias.

Os que esperaram mais um pouco ainda tiveram a grata surpresa de conversar com os membros do Testament que apareceram por lá ao final do show. A conversa parece ter rolado também com o Dr. Sin e com Edu Falaschi, mas o pedido mais indiscreto veio dos thrasheiros, que foi educadamente respondido por Eric: “Tá bom, Chuck [Billy – vocalista]. Eu vou cantar no seu novo disco se você e o Alex [Skolnick – guitarrista] escreverem para mim uma música ao estilo classic rock dos anos 70”.

Eric ainda autografou e tirou fotos com todos os presentes, como forma de compensar não poder ter atendido todos durante três horas na Animal Records no dia anterior: “Eu agradeço a loja por isso, mas ainda consigo ouvir o Carlos gritando na minha orelha”, disse Eric.

Mas ninguém melhor que a estrela da noite para resumir o que foi o show no Blackmore: “o show foi um sucesso e o público foi o melhor que eu vi desde que toquei no Brasil em 1994”, referindo-se à primeira vinda dele ao Brasil, para tocar no M2000 Summer Concert, em Santos, ao lado da Henry Rollins Band. “Eu estava tão acabado depois de cantar 22 músicas que acho que prometi que compraria um ar condicionado para a casa. Ah! Minha mulher vai me matar”.

O sucesso de público mostrou que é viável a vinda de bandas de pequeno e médio porte para o Brasil, mas ainda restam duas perguntas: até quando o cenário de rock vai ser amador a ponto de marcar dois shows para públicos similares no mesmo dia? Show em casa que não comporta o público é culpa da organização ou da falta de estrutura brasileira?

Esperemos as respostas para setembro, quando Eric Martin volta ao Brasil em participação especial no show de Richie Kotzen, que contará também com o ex-Mr. Big Pat Torpey nas baquetas.

Alguém aí se candidata para o lugar de Billy Sheehan?

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