Velvet Revolver: No Rio de Janeiro, hard rock competente, direto e bás
Resenha - Velvet Revolver (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 13/04/2007)
Por Rodrigo Werneck
Postado em 27 de abril de 2007
O Rio de Janeiro tem sido seguidamente preterido na hora da organização de turnês de artistas estrangeiros no Brasil, algo impensável até poucos anos atrás. Exemplos recentes foram o Nazareth e o Aerosmith, que só tocaram abaixo do Trópico de Capricórnio. No caso específico do Aerosmith, há de se comemorar que pelo menos a banda trazida para abertura do show de SP, o Velvet Revolver, tenha ganhado o direito de tocar seu show completo no Rio.
Um bom público de cerca de 2.500 a 3.000 pessoas compareceu ao Citibank Hall nessa sexta-feira 13 (de abril). Nada exorbitante, mas numa época de vários shows ocasionados pela baixa do dólar, na qual os espectadores acabam tendo que selecionar suas prioridades, não chegou a decepcionar, e garantiu a beleza do espetáculo.
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Com pouco atraso, a banda subiu ao palco num bom pique, com a platéia reagindo à altura. O vocalista Scott Weiland (ex-Stone Temple Pilots) não parando um segundo de se mexer ao melhor estilo Mick Jagger, subindo o tempo todo nas caixas de retorno, e se aproximando do público através de saliências armadas na extremidade do palco para tal. Os guitarristas Slash e Dave Kushner proporcionando uma parede sonora consistente (embora a guitarra de Slash estivesse bem mais alta, nada que não fosse esperado). O baixista Duff McKagan também agitando bastante, correndo pelo palco, e interagindo com os presentes. Por fim, o baterista Matt Sorum, bastante sólido e competente, juntamente com Slash e Duff um dos 3 oriundos do Guns N’Roses. O mais desconhecido da trupe, Kushner, chegou a contribuir no passado com o Suicidal Tendencies e o Infectious Grooves, e fez parte por alguns meses do Danzig.
Embora uma parte do público de fato conhecesse (e cantasse junto) as músicas do disco de estréia do Velvet Revolver, "Contraband", uma boa parte foi ao show esperando pelos sucessos do Guns N’Roses. Para esses, o grupo disparou 3 músicas que de fato fizeram a galera toda agitar e cantar: "It’s So Easy", "Used To Love Her" e "Mr. Brownstone". Scott Weiland se saiu bem na interpretação dos números originalmente cantados por Axl Rose, apesar do estilo de Axl ser muito característico e próprio. Weiland incorporou até mesmo alguns trejeitos de Axl ao cantar (e dançar), mesclando com os seus próprios, sem parecer mera cópia (ponto para ele). As versões foram boas, bastante enérgicas, e funcionaram bem, espalhadas pelo set. As músicas do Stone Temple Pilot tocadas ("Sex Type Thing" e "Crackerman") não surtiram o mesmo efeito, mas eram de certa forma obrigatórias, até pelo repertório da banda ainda não ser muito grande já que o novo disco do VR, "Libertad", ainda irá ser lançado.
Slash fez a festa para os fãs, que não cansavam de gritar seu nome. Cartola na cabeça (à la Blackmore), e a combinação da guitarra Gibson Les Paul na vertical mais o cigarro no canto da boca (à la Page), numa postura tipicamente anos 70, ele deu aos fãs o que eles queriam: rock sólido com bons riffs e solos inspirados. Slash pode não ser um guitarrista extremamente técnico, mas é definitivamente um bom compositor de solos, sempre de bom gosto e bem colocados nas músicas. Trocou de guitarra algumas vezes e, assumindo por completo a influência zeppeliniana, em determinado momento sacou uma SG de 2 braços vermelha, para começar um dedilhado no braço de 12 cordas que logo se configurou num cover de "Wish You Were Here", do Pink Floyd. O que se viu foi uma surpreendente e boa versão da música, com bons vocais de Weiland. O público ovacionou, e a escolha acabou sendo certeira tendo em vista a recente turnê de sucesso de Roger Waters (ex-líder do Pink Floyd) pelo país.
O único ponto negativo do show foi a pequena duração, de apenas 80 minutos. De qualquer forma, o grupo demonstrou todo o seu potencial para o futuro. Isso, é claro, se os boatos de que está para encerrar atividades não passarem de "intriga da oposição". O recado, de qualquer forma, foi passado: o Velvet Revolver é uma banda competente, com um hard rock direto e básico, mas bem tocado. Podem não vir a ser o que o Guns N’Roses um dia foi em termos de sucesso e vendas, mas ainda têm uma estrada a seguir. Os fãs aguardam os próximos passos e um retorno ao Brasil mais à frente, quem sabe tocando para públicos maiores sem depender de ser banda de abertura para outras atrações.
Setlist:
1. Let it Roll
2. Do It for the Kids
3. Suckertrain
4. Superhuman
5. She Mine
6. Fall To Pieces
7. Crackerman
8. Get Out The Door
9. It’s So Easy
10. Sex Type Thing
11. Quick Machine
12. Set Me Free
Primeiro bis:
13. Wish You Were Here
14. Used To Love Her
Segundo bis:
15. Mr. Brownstone
16. Slither
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