Resenha - Slayer (Fundição Progresso, Rio de Janeiro, 06/09/2006)

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Por Rafael Carnovale
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Eram 1:45 da manhã do dia 07 de setembro, dia da independência do Brasil. Muitos nessa hora não estavam comemorando o dia em que o Brasil se tornou uma nação independente (em teoria), mas sim celebrando um massacre sonoro executado pelos norte-americanos do Slayer. Desde 1994 sem aparecer na cidade maravilhosa (quando tocaram no extinto Imperator juntamente com o Suicidal Tendencies), o show dos caras era aguardado com ansiedade e desespero por vários fãs. E o evento traria um atrativo a mais: a presença de Dave Lombardo (batera da formação original, que não veio em 94) pela primeira vez em solo brasileiro. A banda lançou vários CD’s sem Lombardo, e continuou na ativa. Mas negar que o retorno às baquetas do monstro sagrado do thrash renovou a força de Tom Araya (baixo/vocais) e Jeff Hanneman e Kerry King (guitarras) é inegável.

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Com um ótimo CD recém lançado (“Christ Illusion”) e shows lotados mundo afora, não era de se esperar que mesmo com uma chuva fortíssima que assolou o Rio neste dia, cerca de 4000/4500 fãs lotassem a Fundição Progresso (de volta ao circuito do heavy metal), loucos para verem uma das lendas do thrash em ação. Por conta da chuva, que não deu trégua um instante sequer, a apresentação atrasou em cerca de uma hora, o que me permitiu um passeio pelas instalações da Fundição. Neste passeio pude ver que a banda agregou desde fãs novos, a fãs antigos, punks, e até uns emos perdidos que pintaram no local, além dos morcegos que vez por outra davam rasantes em cima dos fãs. O espaço é amplo e bem prático, e pode sim ser uma ótima alternativa para shows. O clima perfeito para o caos estava instalado.

Eram cerca de 23hs quando os baianos do UNGODLY subiram ao palco para o show de abertura. Particularmente achei o CD de estréia bem interessante, mas estava curioso para ver como Arnold Asmoodeus (vocal), Daniel Oliveira (guitarras), Tony de Assis (guitarras), Joel Moncorvo (baixo) e Thiago Nogueira (bateria) soariam ao vivo. E a constatação foi das melhores: os caras sabem fazer um som pesado e agitar a platéia. Levando sons como “Laid In Ashes”, “Murderers In The Name Of God”, “Perpetuating The Truth” e “Pestilence Of The Limbo” (aonde André pediu um sonoro “hail” em homenagem a Jesse Pintado e John, falecidos recentemente – no qual foi atendido pela platéia de pronto), os caras esbanjaram disposição, energia e força no palco. Destaque para o excelente Joel (um dos melhores baixistas já surgidos nos últimos anos) e para o vocalista Arnold, que entre gritos e urros, mostrava bastante carisma. O som foi o único ponto negativo, mas novamente um passeio pela pista e pela arquibancada mostrou que o problema está em quem fica nas laterais e nos fundos. Se você permanece no meio da pista, ou nas arquibancadas superiores (fazendo companhia aos morcegos), o som fica bem melhor. Um bom pano de fundo com a capa de seu primeiro (e único) CD, ajudou a tornar o show bem interessante. Sem contar que as rodas abertas me lembraram muito o show do Slayer de 1994. Pena que boa parte da platéia preferiu ficar do lado de fora, aproveitando as instalações (leia-se bares, lanchonete) da Fundição, enquanto que cerca de 2000 pessoas assistiram ao show de abertura.

Uma pausa de cerca de 40 minutos (aonde o backdrop do UNGODLY deu lugar ao do Slayer, com a capa do novo CD), as luzes se apagam e “Darkness Of Christ” (intro) começa a soar nos PA’s, e uma correria da parte externa da Fundição para a pista começa assim que o Slayer sobe ao palco ao som de “Disciple” (de “God Hates Us All”) e as rodas começam intensas e doentias. “GOD HATES US ALL” era ouvida por todos os lados, e a banda abusa da fumaça e da iluminação, chegando a sumir em alguns instantes (aliás o uso exagerado de fumaça foi um dos pontos negativos do show). Tom Araya anuncia “War Ensemble” e a platéia vai ao delírio. Vêm em seguida uma série de petardos executados com maestria pelo trio, como “Blood Red”, “Die By The Sword” (aonde Tom berrou “If you live by the sword, then you Die By The Sword!”, e “Spirit In Black”. Novamente o som foi o grande vilão, mas fazer o que?

Com o público em polvorosa, e os ânimos em fúria, “Cult”, do novo CD, é executada, seguida de “God Send Death”. Bem recebidas, mas mostrando que o grande trunfo da banda eram as músicas mais antigas (a empolgação era diferente). O Slayer no palco mantém uma postura simples mas extremamente funcional. Tom Araya é o interlocutor (que fala pouco), enquanto que Kerry King (com seu visual de assassino-punk) agita para todos os lados, como um bate-cabeça ambulante. Jeff Hanneman é mais contido em sua agitação, mas seus solos dão a tônica do brilhantismo da banda. Ou seja, uma máquina bem azeitada, aonde cada um faz sua parte e completa o massacre que é o Slayer ao vivo. No fundo, um Dave Lombardo mostrando toda sua qualidade e velocidade, que o faz ser um dos melhores bateristas do thrash, embora o mesmo aparente estar doente (o primeiro show de SP foi encurtado por problemas de saúde do mesmo). Em suma, o batera que o Slayer precisa, sem desmerecer Paul Bostaph (que o substituiu por vários anos).

Voltando ao show, músicas como “Hallowed Point” e “Mandatory Suicide” mantiveram a adrenalina no alto, para em seguida ser executado o número que achei o clímax do evento: “Seasons In The Abyss”. Sua introdução fez a Fundição tremer, e o público cantou cada parte da música junto com Tom Araya, que chegou a deixar a galera levar os vocais no refrão. Sensacional.

“Chemical Warfare”, “Hell Awaits” e “Postmortem” foram executadas e as rodas continuavam insanas e agressivas, mas ao mesmo tempo não cheguei a ver ou ouvir nada de mais grave, além de uma briga do final do show. A grande crítica ficava por algum problema com a instalação elétrica do palco, que provocou choques em todos que encostassem na grade. Muito se especulou sobre isso, até mesmo que fosse um efeito da produção do show, mas nada foi provado. Como estamos num show do Slayer, nada seria mais apropriado (isso se você não levou os choques, que incomodaram bastante).

“Silent Scream” abriu espaço para duas pauladas em sequência: “Dead Skin Mask” e”Rainning Blood” (o estrondo que a bateria de Dave provocou ao anunciar a música foi algo de assustar), seguidas por “South Of Heaven” e o encerramento apoteótico com “Angel Of Death”, finalizando 1:30 de show.

Podem falar muitas coisas: que o Slayer não é uma banda virtuosa, que seu som soa repetitivo, que os caras vivem de visual e que o show foi muito curto (se com 1:30 teve gente quebrada e destruída imagina com 2:30 o que aconteceria), mas a cada show os caras mostram que thrash metal é com eles, e se você não curte, fique bem longe daonde eles se apresentarem. Um massacre, que fechou com honra a turnê brasileira. Agora é esperar, já que um Tom Araya visivelmente satisfeito filmou o que podia e tirou muitas fotos... sinal de que o cara gostou do que viu não?

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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