Resenha - Headbanger Metal Fest (Circo Voador, Rio de Janeiro, 04/12/2005)

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Por Rafael Carnovale
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A loja Headbanger, completando 10 anos de existência, sendo uma loja bem conhecida pelo público carioca, resolveu celebrar seu aniversário promovendo alguns eventos para o público do Rio de Janeiro. Inicialmente promoveram o show conjunto das bandas Pain Of Salvation e Evergrey, tendo o Heavenfalls como banda convidada. Desta feita a empreitada foi mais ousada. Organizou-se um festival, com a presença dos norte-americanos do Kamelot (divulgando seu mais recente CD “The Black Halo”), os holandeses do Epica (na turnê de seu segundo CD “Consign To Oblivion”) a banda carioca Tribuzy (na divulgação de “Execution”) e os cariocas do Ashtar,que lançaram seu CD recentemente pela Hellion Records.

Fotos: Antônio César

O festival tornou-se uma boa opção para os fãs que não desejavam ver o show do Pearl Jam, que acontecia alguns quilômetros mais adiante na Praça da Apoteose. Se 45 mil pessoas lotaram a Apoteose para ver Eddie Vedder e cia., 1300 fãs de heavy metal vieram ao Circo Voador para prestigiar este bom evento, o que atingiu plenamente as expectativas da produção e da imprensa. Em conversas com Carlos Gelio (proprietário da Headbanger), foram prometidos para 2006 shows com bandas nacionais e possivelmente uma segunda edição do festival, tendo o Within Temptation como atração principal.

Mas 2006 ainda não chegou e vamos falar deste show: chegamos no circo por volta das 16hs, momento que o Kamelot passava seu som, sem Roy Khan (vocal), que vinha de São Paulo (aonde a banda tocara no dia anterior), acompanhado por Simone Simons (vocalista do Epica). Depois o Epica passaria o som, e alguns problemas de ordem técnica impediriam tanto as bandas Tribuzy como a Ashtar de poderem fazer seu “soundcheck”. Porém tais situações acontecem, e todas as bandas demonstravam bastante empolgação, prometendo grandes performances.

Por volta de 19:30 (pontualidade britânica), o Ashtar sobe ao palco. A banda executa uma competente fusão entre heavy metal e folk rock, em muitos momentos com influências de Jethro Tull e Skyclad (nos momentos mais heavy). A banda, que possui vocalista feminina, executou quatro números: “Oblivian Scars”, “Urantia” e “Enlament Tries The Night”, além de um musical folk irlandês, “Gravel Wok”. Embora os integrantes (incluindo um excelente violinista) executem bem suas funções, e a vocalista seja competente (podendo ainda evoluir muito), prefiro não avaliar a performance desta banda, e para justificar minha opção apresento duas justificativas: a banda teve uma série de problemas técnicos (incluindo a queima de seu teclado – detalhe, o tecladista mora na Inglaterra e veio exclusivamente para o show) e a pouca quantidade de músicas executadas. Só tais problemas já seriam suficientes para aclamar o profissionalismo dos cariocas, e o público entendeu a proposta, aclamando a banda a plenos pulmões. Prometo avaliar com mais calma o Ashtar em um futuro show, porque este foi muito complicado para a banda.

Com um pequeno intervalo (aliás a organização está de parabéns: os shows tiveram intervalos mínimos e o som estava muito bom), Renato Tribuzy e banda sobem ao palco para executar cinco números: “Execution”, “Divine Disgrace”, “Attempt” e “Beast In The Light” (com Luiz Síren do Atlântida fazendo as vozes de Bruce Dickinson), e o cover de “Be Quick Or Be Dead”. Sobre a banda posso dizer que Tribuzy e cia. são absurdamente pesados e precisos, com destaque para o baterista Flávio Pascarillo. Luiz Síren teve uma perfomance discreta em “Beast In The Light”, mas se recuperou fazendo um bom dueto com Tribuzy em “Be Quick Or Be Dead”. Sobre Renato, seus vocais são adequados e bem conduzidos, exceto por alguns agudos que poderiam ser evitados, mas ele mostra ser um bom vocalista, apenas precisando dosar mais o uso de sua potência vocal. Um show que tremeu o Circo Voador, e surpreendeu a todos, principalmente o vocalista da banda, que poderia ter tocado um pouco mais. Mas o trabalho foi bem feito.

Trinta minutos após o fim do show da banda Tribuzy, um pano de fundo com o logo da banda Épica é evidenciado. Simone Simons, Mark Jansen (guitarra/vocais guturais), Ad Sluijter (guitarra), Yves Huts (baixo), Coen Janssen (teclados) e Jeroen Simons (bateria), sobem ao palco e o banda inicia seu show com "Kunab K´u", para delírio da galera e dos cuecas de plantão, já que Simone é realmente uma grande vocalista e uma linda mulher, que canta muito bem e não tem medo de abusar de sua sensualidade, soando extremamente exótica no palco. O show continuou com "Dance Of Fate", "The Crusade Last" e "Sensorium". A banda alterna momentos mais lentos característicos do gothic-metal, com passagens mais agressivas, bem heavy metal, complementado pelo vocal sensual de Simone e o gutural de Mark. "Quietus", "Seif Al Din" e "Façade Of Reality" fizeram a alegria dos fãs, que cantavam cada música a plenos pulmões.

O Epica foi extremamente convincente e competente, como podem atestar "Blank Infinity" e "Cry For The Moon". Tal competência foi percebida facilmente pelos fãs, que cantaram cada letra dita por Simone ou urrada por Mark. O Epica veio como co-headliner e saiu consagrado. Nos bastidores, Mark Jansen declarou que este foi o melhor show da carreira do Epica, e olha que eles já excursionaram por meio mundo, embora ainda estejam no seu segundo CD de estúdio.

Terminado o show do Epica, era a vez do Kamelot subir ao palco, e com uma tarefa árdua, já que os fãs ainda estavam extasiados pelo evento anterior (alguns chegaram até a ir embora do Circo), mas passado um pequeno intervalo (aonde vimos que a banda trouxe um pano de fundo com a capa do CD “The Black Halo” e dois tapumes verticais), as luzes se apagam e o Kamelot sobe ao palco com “Center Of The Universe” e “Soul Society”. De cara vemos que algo parece não estar correndo bem: apesar da performance energética de Thomas Youngblood (guitarra) e Glenn Barry (baixo), a voz de Roy Khan estava muito baixa e em alguns momentos falhando consideravelmente, apesar do mesmo ter uma das melhores performances de palco que eu já pude presenciar nas ditas bandas novas que incendeiam o heavy metal atualmente, com fortes influências de Geoff Tate (Queensryche) e uma voz poderosa. Porém eu só percebia a performance e a interpretação perfeita de Khan, já que a voz não aparecia como devia e Thomas era quem interagia com a platéia entre uma música e outra. Seguiram com “Edge Of Paradise”, “Fourth Legacy”, “Wander” e “Forever”. Neste momento Roy falou sobre a satisfação de tocar na cidade maravilhosa, quando uma forte suspeita começou a ecoar por alguns fãs: ele poderia estar usando bases pré-gravadas (o famoso “playback”), já que o mesmo falava como se fosse Lemmy Killminister (Motorhead). Tal dúvida ficou ainda mais forte em “Nights Of Arabia” (uma das melhores faixas do CD “The Fourth Legacy”), aonde a voz de Khan soava ótima em alguns momentos e péssima em outros. Mas nada foi provado, e a performance do vocalista era excelente (decididamente ele é um dos melhores “frontmans” do prog-metal).

A banda seguiu com “Farewell”, “March Of Mephisto” (aonde Mark Jansen do Epica fez as vozes de Shagrath, do Dimmu Borgir) e se encerrou com a excelente “When The Lights Are Down”. Independente dos problemas com a voz, e o “set” encurtado (a banda não executou “The Haunting”, aonde Khan faz dueto com Simone), o show foi excelente, pela energia da banda (o batera Casey Grillo é preciso e eficiente e o tecladista Oliver Palotai sabe colocar seu instrumento com inteligência), e pelo profissionalismo de Roy, que mesmo doente, subiu ao palco e deu o máximo de si (independente do uso de “playback” ou não). Detalhe que Mr. Khan tomou várias cervejas durante o show, e quase levou o teclado consigo na hora de deixar o palco.

O primeiro Headbanger Metal Fest teve êxito total tanto na parte organizacional (tudo correu sem problemas, e os revezes ocorridos podem ocorrer em qualquer evento) e as bandas fizeram shows fortes. O público que deixou o Circo Voador por volta de 1h30 da manhã com certeza saiu satisfeito e esperando a segunda edição, que certamente irá ocorrer, pois este festival veio para ficar.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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