Plebe Rude: Show gratúito no dia do trabalhador em Brasília
Resenha - Plebe Rude (Concha Acústica, Brasília, 01/05/2005)
Por Taís Bleicher
Postado em 01 de maio de 2005
"A Plebe está lançando disco novo, porra!!!"
Brasília tem vivido dias de festa. O seu aniversário de 45 anos tem sido comemorado em exposições as mais diversas contando a sua história. A programação variada, intensa em abril, se uniu no dia primeiro de maio às festividades do dia do trabalhador.
Foram muitas opções gratuitas para a população: na Esplanada dos Ministérios, por assim dizer, a comemoração nordestina - várias bandas de forró, e, finalmente, Zé Ramalho. No Lago Norte, a "vertente do sudeste", em festa cujo ápice foi a apresentação do mineiro Beto Guedes. Por último, o evento "Arte por Toda Parte", na Concha Acústica, trouxe bandas de reggae, rock, e a brasiliense "Plebe Rude".
Não poderíamos pensar em uma comemoração de Brasília que não trouxesse essa pluralidade de ritmos. Sobretudo, não poderíamos pensar em comemorar Brasília sem o seu rock dos anos 80.
A bela paisagem da beira do lago e o céu estrelado logo se juntaram a um público de bermudas, havaianas, tatuagens, roupas indianas, rastafaris, blusas pretas. Um cheiro de "maresia" compunha o cenário.
Certamente, boa parte do público que compareceu para ver a Plebe Rude ainda era bebê quando eles iniciaram sua carreira, o que fez com que, muitas vezes, a platéia não acompanhasse as letras de suas músicas.
Mas foi um ótimo show. A banda tocou dezesseis músicas, a grande maioria antigas. Se não podemos falar que os versos da Plebe são exatamente "bonitos", podemos dizer que são versos combativos. São versos que talvez a juventude atual não esteja acostumada a ver nas canções contemporâneas. Entre as músicas conhecidas, estavam: "Minha Renda", "Censura", "Bravo Mundo Novo", "Medo", "A Ida", "Johhny Vai à Guerra", "Este Ano", "Códigos", "Luzes", "Sexo e Karatê", "Proteção" e "Até quando esperar" ("essa música tem vinte e dois anos e parece que foi feita ontem"). Não poderia deixar de ser tocada, por ocasião da data, "Brasília", este lugar em que "as árvores enfeitam e a polícia controla".
O grupo parecia feliz de tocar ali. "O bom filho à casa torna", disse o vocalista. A alegria transparecia numa presença marcante de palco. Era a "volta definitiva da Plebe, pra chacoalhar esse mercadinho de merda".
É verdade. Em junho sairá o sexto disco da Plebe Rude, com doze música inéditas e Clemente (do grupo Inocentes, agora nas guitarras da Plebe) falando sobre o CD, antecipou: "é claro que tinha que ter o famoso baixo e batera da Plebe". Das inéditas, o grupo apresentou "Mil Gatos no Telhado", no dia do trabalhador. Por sinal, segundo eles próprios, "nada mais indicado que passar o dia do trabalhador com a Plebe".
Foi assim o nosso dia do trabalhador. Entre chuva de cerveja da platéia animada, uma banda que nos convidava a cantar mais alto para perturbar "o homem" (a residência do presidente é bem próxima ao local do show) e o anúncio: "A Plebe está lançando disco novo, porra!!!"
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