Clemente quebra silêncio, conta tudo o que e rolou e detalha atual estado de saúde
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de janeiro de 2026
O músico Clemente, um dos nomes mais respeitados do punk e do rock brasileiro, resolveu falar publicamente e em detalhes sobre o grave problema de saúde que quase lhe custou a vida. Em entrevista ao canal KazaGastão, ele relatou, passo a passo, o que aconteceu na noite em que passou mal, a corrida contra o tempo nos hospitais, a cirurgia de alto risco e o longo período de recuperação. Segundo o próprio Clemente, o episódio foi um divisor de águas. "Foi uma dor no peito que eu nunca tinha sentido antes. Era como se tivesse rasgando tudo por dentro", descreveu.

O susto aconteceu em Campo Grande, pouco antes de um show. Clemente havia acabado de chegar ao camarim quando sentiu a dor intensa. "Eu pisei no camarim e senti uma dor terrível. Nunca tinha sentido aquilo", contou. Como havia ambulância no local, ele foi atendido rapidamente e levado a uma UPA. Inicialmente, os médicos suspeitaram de infarto. "Eles falaram: 'mano, deve ser infarto', e me deram remédio pra isso", lembrou. Mas o diagnóstico real era ainda mais grave: uma dissecção da aorta, condição em que a principal artéria do corpo se rompe internamente. "Dissecção de aorta, se demorar muito, é saco. É na hora", resumiu, sem rodeios.
Após exames mais detalhados na Santa Casa de Campo Grande, veio a confirmação e a urgência absoluta. "Falaram: 'é mesa de cirurgia já'", disse Clemente. O músico fez questão de destacar o papel decisivo do cirurgião responsável. "O médico que me operou falou pra minha filha: 90% não chega nem na mesa de cirurgia, e 90% não sai da mesa de cirurgia. Esse cara me salvou." A operação foi complexa e envolveu a colocação de uma prótese no lugar da aorta. "Hoje eu tenho um caninho aqui dentro de mim, substituindo a aorta", contou, tentando tratar o assunto com o humor característico.
O pós-operatório foi duro. Clemente passou 21 dias na UTI e enfrentou uma série de complicações. "Fiquei 21 dias de UTI, tive pancreatite, barriga estendida, um monte de problema. Tava muito zoado", relatou. Depois, ainda precisou de mais semanas na enfermaria para se recuperar totalmente. A experiência deixou marcas físicas e emocionais. "UTI eu não recomendo pra ninguém. É gravíssimo. Eu poderia ter ido pro saco também", afirmou.
Hoje, já em casa, Clemente diz que a recuperação segue bem, embora ainda exija cuidados. Ele perdeu cerca de dez quilos, sente cansaço e precisou lidar com a voz debilitada por conta de sondas usadas durante a internação. "Minha voz foi pro saco, mas é temporário. Já tá voltando", explicou. O retorno à música, no entanto, já começou. "O cardiologista falou: 'já pode tocar'. Vou tocar algumas músicas inteiras, outras eu só toco guitarra pra dar uma descansada", contou, projetando a volta gradual aos palcos.
Um dos pontos mais enfatizados por Clemente foi a gratidão. Ele destacou o atendimento pelo SUS e a solidariedade recebida. "Foi tudo pelo SUS. E tem gente que reclama, né? Se fosse nos Estados Unidos, eu tava ferrado", disse. Também agradeceu o apoio dos fãs. "Vi a comoção da galera, fiquei muito tocado. Queria agradecer todo mundo que orou, que fez essa corrente", afirmou, emocionado. Para ele, a experiência reforçou a importância de seguir em frente com consciência e cuidado. "Tô bem, graças a Deus. Sem sequelas. Agora é não vacilar e cuidar da saúde."
Ao falar abertamente sobre o episódio, Clemente não apenas tranquiliza fãs e amigos, como também transforma um trauma pessoal em alerta e reflexão. Entre cicatrizes, gratidão e planos de voltar aos palcos, ele resume o momento com a franqueza de sempre: "Espero ficar aqui por mais uns anos. Ainda tem muito som pra fazer."
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