Resenha - Todos os Sons (SESC, São Paulo, 15/06/2003)

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Por Leandro Testa
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O projeto “Todos os Sons” há tempos já vem sendo mantido pelas unidades do SESC (Serviço Social do Comércio) espalhadas pelo Brasil, e em Itaquera (Zona Leste - SP, região mais populosa da cidade) isso se dá há aproximadamente cinco anos. Tenho em mente que o intuito da entidade é proporcionar lazer a preço acessível, independentemente de qual seja a atividade, física ou intelectual, pois são diversas as opções dentre os mais de 66 mil m2 construídos numa linda área de verde que totaliza cinco vezes essa dimensão.

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Como o próprio nome da iniciativa já evidencia, não há um estilo que se dê preferência, e às vezes chegam a se apresentar num mesmo dia, artistas um tanto distintos, como aconteceu naquele domingo ensolarado.


Já fazia um tempo que eu não me interava sobre a carreira dos Engenheiros do Hawaii, pois tenho minhas recordações de quando era muito mais pivete e me divertia ao som da MTV, creio que a época em que todos consideram o auge do grupo, quando ele ainda era um trio e realmente fazia um belo trabalho.

Depois disso, apenas sei de alguns clipes que pouco me chamaram a atenção, e o mais legal é que eles agora começaram a submergir, mesmo com um trabalho de divulgação maior, um ou dois ótimos lançamentos nas rádios, tendo o líder até participado de debates futebolísticos para se projetar um pouco mais.


Como eu realmente vinha acompanhando de longe, não sabia muito o que esperar do ritmo do show, e a primeira palavra que me veio à mente foi justamente a que eu mais gosto: “pesado!!!!”. Muito pesado e dinâmico!, pois os caras transitaram por praticamente toda a sua discografia em cerca de dezoito músicas, totalizando 1h20 de show, dando ênfase, obviamente, ao álbum novo, Dançando no Campo Minado.

Talvez por isso, não houve muito tempo pra conversas. Começaram com “Camuflagem”, a arrastada “Eu Que Não Amo Você”, que por ser conhecida serviu pra levantar ainda mais o ânimo, a veloz “Terceira do Plural”, a semi-punk “Duas Noites no Deserto” (outra recém-nascida), “A Montanha” que teve ao seu final um efeito, uma distorção que deu lugar ao atual single que vem rolando nas FMs, “Até o Fim”, acompanhado durante a execução por palmas gerais.

Seguiram mais amenos, com a ‘jazzística’ “Ninguém = Ninguém”, a inesquecível “Somos Quem Podemos Ser”, o desespero de “Piano Bar”, na qual o fundador multi-tarefas se apresentou ao teclado, e nele continuou, agora com uma gaita no pescoço, para “Segunda Feira Blues” de autoria dele em parceria com um antigo membro da supracitada fase áurea, Carlos Maltz.

Continuando ali, causou alvoroço com as primeiras notas de “Pra Ser Sincero” e ainda na onda do momento sentimentalóide, “Refrão de um Bolero”, ou seja, uma bonita seleção.

Humberto Gessinger, sempre muito simpático, aproveitou para apresentar os demais integrantes, sendo eles, o baterista Gláucio Ayala (que faz excelentes ‘backing vocals’), o baixista Bernardo Fonseca (o que mais agita, bem participativo), e Paulinho Galvão, companheiro de Gessinger nas seis cordas (bem contido e ‘na dele’), formação esta que também gravou o penúltimo trabalho, Surfando Karmas & DNA, tocada logo a seguir.

Um dueto dos dois acabou ficando estranho em “A Promessa”, e depois da recente “Na Veia”, acertaram a mão num menorzinho, levado no meio da imprescindível “Infinita Highway”. Para o ‘bis’, trouxeram “Dom Quixote”, nunca antes feita ‘ao vivo’, que seguia calma, lenta, até entrar de surpresa uma das antigas, “Toda Forma de Poder”, de modo tão fulminante, com cinqüenta rotações a mais, fechando primorosamente o espetáculo (se bem que fiquei frustrado pela ausência indesculpável de “Exército de Um Homem Só”).
Difícil de acreditar, mas aquilo sim poderia se classificar como rock, como não se faz mais por aí, já que o cenário nacional de hoje se resume a fazer um unplugged e sair ‘montado na grana’.

Esse era um sentimento de aprovação, mas qual seria o sentimento em relação à próxima atração, o folclórico “Pensador”? De certo não tinha nada a ver com o que o público acabara de presenciar. Entretanto, se eles ainda abriam ‘roda de pogo’, e lá em cima do palco tinha um guitarrista do Barão Vermelho, ainda que todas as atenções fossem voltadas para um comunicador, ou melhor, um letrista de primeiríssima qualidade, que vociferava temas de protesto, então havia alguma coisa a mais além do estigma de ‘rapper’ de que ele vem se afastando há tempos.

Logo ao subir no elevado, Gabriel escancara seu jeito molecote, tanto que nem parece estar desfilando uma série de assuntos sérios como o de “Cachimbo da Paz”, “Pátria que me Pariu” ou “Lavagem Cerebral”, que ele classificou como “uma pequena amostra” do bloco acústico registrado no mês de dezembro. Essas mudanças são divisoras de opiniões, e para mim, as vejo, respectivamente, como “muito boa”, “eu já não gostava do refrão” e “esse novo arranjo estragou”, pois sendo esta última derivada do debute (o melhor CD dele até então), quando não havia banda, mas sim ‘samples’ e mais ‘samples’, quanto maior for a simplicidade dela, melhor.


Como muitas eram versões reformuladas, e ele sabia que o pessoal ali gostava “dum elétrico”, aí sim a coisa começou a ferver. “FDP3”, execrando toda a raça de políticos, e covardes em geral foi a escolhida para levantar poeira, um deleite só pra quem curtia Rage Against the Machine (eu não falei!?), ficando depois um tanto mais veloz.

Em contrapartida, para cantar “Cara Feia”, pediu uma bandeira do Brasil que um espectador ostentava a toda hora, explicando que tinha escrito sobre a fome antes mesmo da posse do Presidente Lula, e que nessa eleição, conseguimos tirar do governo alguns picaretas que estavam lá pra nos afundar.

O semi-monólogo prosseguiu com “Se Liga Aí”, e disse ter muito prazer por estar tocando quando ainda estava claro, pois quando é de noite, ele é obrigado a pedir pros iluminadores darem uma forcinha para poder ver a cara das pessoas, e assim, a interação era menor. Pediu para que todos fizessem bom proveito disso, quando detonou a indignada “Até Quando?” e todos corresponderam.
De tanto pedirem, “Retrato de um Playboy - Parte II” teve que ser antecipada no ‘set’, acompanhada da nova produção que Marcelo Yukka (d’O Rappa) deu em estúdio para “Lôraburra”, que ficou bem na linha black/soul music.


Após a divertidíssima “2345meia78”, o clima ficou mais atmosférico com a viajante “Astronauta” e “Pra Onde Vai?”, cujo instrumental continua sendo o de “Float On” (The Floaters). Ao lado somente do DJ Leandro fez um ‘medley’ na base do rap mesmo com “Abalando”, “Indecência Militar” e “Esperanduquê”. Quando todos estavam de volta puxou um improviso muito jóia, apresentando-os, pedindo solos, falando sobre o resultado dos jogos e saldando a galera com um coro “Sampa, Itaqueraêêê!”, logo sucessivamente repetido por ela, e foi se retirando quando deixou no chão o microfone em direção aos espectadores.

Minha sogra e eu já saímos dali bastante satisfeitos, quando (do nada) eles voltaram para o ‘bis’ com “Cara Feia” (infelizmente, DE NOVO!!!, pois havia tantos outros clássicos que mereciam uma única chance...) Isso não diminuiu a importância do evento e certamente foi tão grande para os outros 3.000 presentes (sem qualquer contagem, mas sim a olho nu) quanto foi para mim. O interessante era notar no início, camisetas do Floyd, Maiden, Zepellin, Ozzy, Metallica, Sepultura, etc e uma predominância total de órfãos do Guns e Nirvana curtindo do mesmo jeito que os outros, trajados de forma comportada...

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