Humberto Gessinger e a linha tênue entre timidez e antipatia: quem está certo?
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de fevereiro de 2026
A relação entre ídolos e fãs sempre foi marcada por admiração, projeção e, muitas vezes, uma certa distância. No rock brasileiro, poucos nomes despertam uma devoção tão duradoura quanto Humberto Gessinger, líder histórico dos Engenheiros do Hawaii. Mas até que ponto essa distância é natural - ou necessária? Em live no canal Pitadas do Sal, o jornalista Sal abriu o jogo sobre suas tentativas frustradas de reaproximação com o músico.
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Questionado se a falta de retorno de Gessinger teria "manchado" sua visão sobre o ídolo, Sal foi direto: "Sendo bem sincero, a obra do Humberto teve muita importância para mim ali na virada dos anos 80 e 90". Ele relembrou a fase em que frequentava shows, filmava ensaios e chegou a presidir fã-clube da banda. No entanto, admitiu que sua conexão artística diminuiu após o fim do trio clássico formado por Gessinger, Carlos Maltz e Augusto Licks.
A mágoa maior não está na música, mas na comunicação. Sal contou que convidou Gessinger "umas quatro, cinco vezes" para participar do Pitadas do Sal. "Três vezes ele recusou super educadamente, super carinhoso. Nas duas últimas vezes ele nem se deu trabalho de responder", revelou. O jornalista admitiu ter ficado "decepcionado" e explicou que a presença do músico seria importante para o público do canal. "Seria legal pra galera que acompanha meu trabalho. Tem muitos fãs dos Engenheiros que gostariam de ouvir um papo com ele."
O episódio que mais o incomodou foi quando Gessinger recusou alegando não estar dando entrevistas no momento. "Menos de dois meses depois, ele tava lá no Corredor 5 dando entrevista", afirmou. "Eu mandei uma mensagem meio puto. Aí ele parou de me responder." Ainda assim, Sal reconhece que houve um gesto cordial posterior, quando o músico gravou um vídeo curto comentando uma releitura de sua obra feita por uma banda de metal.
A discussão também tocou em outro ponto sensível: a postura de Gessinger com fãs após shows. Sal relatou que, em uma apresentação recente, o cantor atendeu admiradores na porta do hotel, mas com semblante fechado. Para ele, a reação negativa de alguns fãs foi exagerada. "O cara tem 60 anos, cansado do show. Não tem como estar sorrindo mil por hora." O comentarista Léo reforçou a ideia, lembrando que "Humberto é extremamente tímido", e que a timidez muitas vezes é confundida com arrogância.
No fim das contas, a questão parece menos sobre idolatria rompida e mais sobre expectativa. Entre o artista reservado e o fã que busca proximidade, existe um espaço difícil de preencher. E talvez seja justamente essa distância que mantém intacta a memória afetiva que Sal diz ainda carregar da fase clássica dos Engenheiros.
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