Shaman: Química entre Andre Matos e o público Gaúcho
Resenha - Shaman (Bar Opinião, Porto Alegre, 22/08/2002)
Por Jairo Piscitelli Jr
Postado em 22 de agosto de 2002
A World Ritual Tour - primeira turnê mundial da banda Shaman - teve tudo para começar com o pé esquerdo, não fosse a química ocorrida entre a competente trupe do vocalista André Matos e o fiel público gaúcho de Heavy Metal, na fria e chuvosa noite de 22 de agosto em Porto Alegre, no bar Opinião.
No ingresso e nos cartazes de divulgação do show, data e hora erradas (um dia e uma hora antes do que foi o espetáculo) poderiam confundir os mais desavisados. O mau tempo indicava uma tortuosa espera, já que a imensa fila para entrar no Opinião sempre é formada na rua. Os R$ 25,00 cobrados pelo ingresso, a essa altura do mês, também não ajudava muito. E além disso, o álbum de estréia da banda, Ritual, ainda não chegou às prateleiras das lojas gaúchas, obrigando os interessados a buscarem as músicas da Shaman na Internet. Talvez, por tudo isso, o público não tenha passado de 600 pessoas - que certamente, viveram uma noite inesquecível.
Às 23h, o telão que encobria o palco foi retirado, revelando uma das grandes estrelas do show: a maravilhosa iluminação, responsável por situar os presentes no clima místico e envolvente das composições da banda. Um verdadeiro espetáculo à parte, que merece destaque tanto quanto o que ainda estava por vir.
Não há dúvidas de que o Heavy Metal brasileiro foi o grande vitorioso com a cisão do Angra, pois dela surgiram duas bandas fantásticas, com sonoridades completamente diferentes. Enquanto o novo Angra aposta no Heavy clássico, na pegada e no coral de vozes dos seus integrantes, a Shaman apresenta uma proposta totalmente diferenciada: um som pesado, com influência ora oriental, ora barroca, quase sempre numa fascinante atmosfera medieval. As guitarras dividem os holofotes com os sintetizadores, criando uma extraordinária base para o poderoso vocal de André Matos - uma espécie de "Midas" do Metal brasileiro.
Introduzido por "Ancient Winds", o show começa a pleno vapor com "Here I Am" e "Distant Thunder". De cara, o público entrou no clima, cantando as músicas junto com André, para agradável surpresa da banda. Uma pausa, André apresenta a Shaman e o show segue com "Time Will Come" e "For Tomorrow". O som é alto e perfeito. Os agudos de André, numa freqüência quase canina, chegam a comprometer os copos de vidro e as janelas do bar. Nova pausa. André destaca que o álbum já está chegando às lojas, e que a sonoridade das músicas nele é melhor que a dos downloads. Quando disse isso, se deu conta e assumiu que, se não fosse pelo KaZaa, ninguém conheceria ainda as músicas da Shaman. Agradeceu ao público, e foi longamente aplaudido.
Nesse momento, surge a primeira e tão aguardada música da fase Angra: "Wings Of Reality", ovacionada e cantada em coro pelos presentes. A calorosa recepção abriu espaço para outra do Angra, "Lisbon", de execução muito festejada por todos. Aproveitando o embalo, a Shaman atacou então de "Blind Spell" (excelente) e "Over Your Head". A tão falada "Fairy Tale", bizarramente incluída na trilha sonora da novela "O Beijo do Vampiro", é recebida por isqueiros acesos, num belo momento de integração da platéia com a banda. Os próximos petardos são "Pride" - pancadaria pura e da boa - e a ótima "Ritual", que encerra a "parte Shaman" do show.
A partir daí, o que se seguiu foi algo que só quem estava presente no Opinião poderia descrever, num festival de carisma da banda, que demonstrou estar em total sintonia com o que os fãs esperam de um show de Heavy Metal: a mais pura diversão.
A primeira surpresa do bis é "Burn", cover do Deep Purple, que deixou todos enlouquecidos. Depois, o momento mais alto e mágico da noite: André anuncia uma música "das antigas". Quando todos esperavam ouvir "Carry On" - o grande hino do Angra, que já havia sido pedida várias vezes durante o show -, os acordes iniciais da música deram uma rasteira em todos: era "Living For The Night", obra-prima dos tempos de André no Viper. Ninguém acreditou no que estava ouvindo. Maravilhoso, um momento realmente especial e inesquecível, fazendo até os leões-de-chácara cantarem juntos. Um final decididamente apoteótico.
Com o público totalmente na mão, a volta para o segundo bis é ao som de "Carry On" - naquele momento já desnecessária para conquistar a simpatia de todos. Executada com precisão cirúrgica em relação ao álbum "Angel's Cry", é a tão sonhada consagração popular que qualquer banda almeja. O final perfeito do show, certo? Errado. Ainda havia um último às de espadas na manga: "Painkiller", cover do Judas Priest, quase obrigou o dono do Opinião a orçar uma reforma estrutural no bar.
Não há muito mais a dizer sobre este memorável show, até porque a voz custará a voltar. Uma noite verdadeiramente, com o perdão do trocadilho, iluminada. André Matos, Luís Mariutti, Ricardo Confessori, Hugo Mariutti e Fábio Ribeiro (teclados de apoio): obrigado, e até a próxima (não esqueçam que promessa é dívida!).
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