Steve Vai: O mago das cordas subiu ao palco em grande estilo

Resenha - Steve Vai (Olympia, São Paulo, 01/12/2000)

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Por Paulo Haroldo
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Nota: 8

Fotos por Paulo Haroldo


Com meia hora de atraso e uma casa com pelo menos 70% de seus 4 mil lugares tomados, o mago das cordas elétricas subiu ao palco em grande estilo. Paramentado com um traje ultra-zônico - que incluía anéis "raio-laser" - Steve Vai iniciou sua apresentação mostrando por quê continua sendo um dos maiores virtuoses da guitarra, mesmo enfrentando um certo declínio na carreira. Levando-se em conta que seu disco de maior sucesso - "Passion & Warfare" - foi lançado já há 10 anos, chega a ser surpreendente que o Olympia recebesse uma audiência tão jovem.

E Vai não deixou por menos. Entrou atacando com "Here I Am", um rock vigoroso extraído do cd Ultra Zone, e uma das únicas músicas executadas com vocal. Além da técnica, mostrou entusiasmo e uma grande empatia com a platéia. Daí veio "The Ultra Zone" e "Erotic Nightmares", um clássico do Passion & Warfare. Com o público em êxtase, Vai tocou a balada "Tender Surrender", dando um tempo nas pirotecnias e dedilhando uma rara seqüência de acordes. Em seguida, ligou novamente sua usina de efeitos e bendings para fazer amor com a guitarra, ao som de "Salamanders In The Sun", do álbum Flex-Able. Repetiu o feito em "Jibboom" e saiu de cena, deixando o palco para um solo à moda antiga do baterista Chris Frazier. Frazier, que tocou em P&W, foi bastante aplaudido, para tristeza dos detratores de solos de bateria.

Com a volta de Vai, o retorno também dos solos cheios de efeitos e truques. Pelo telão, pode-se observar o guitarrista fazendo caras e bocas junto com os gemidos de sua Ibanez. Fez o que é possível com uma guitarra nas 5 músicas seguintes: "Windows To The Soul", "Aching Hunger", "The Blood And The Tears", "Little Alligator" e "Angel Food", esta última ao som de uma guitarra semi-acústica. Aí foi a vez do tecladista Eric Goldberg executar um solo de piano, para então Vai surpreender a todos com uma guitarra vermelha em formato de coração, com três braços. Como Vai só tem 2 braços, o terceiro braço da guitarra ficou sem uso durante a música "Fever Dreams". Detalhe: o brinquedinho apresentou defeito, obrigando Vai a usar de sua simpatia para pedir paciência ao público.

Retomando sua guitarra normal (com nada menos do que 5 palhetas na "mão" do braço), durante a execução de mais duas músicas no estilo "jam-fusion" - "Voodoo Acid" e "I Would Love To" - Vai deitou o instrumento no chão e o tocou com os pés, por fim jogando sobre ele o quimono vermelho que estava usando. Após essa "reencarnação de Hendrix", chegou enfim o momento esperado por todos: o clássico-mor "For The Love Of God". Não deixa de ser um pouco estranho que o ápice de um show de rock ocorra durante uma balada, porém um show de Steve Vai está mais para um concerto, e apesar da empolgação, o público assistiu a tudo comportadamente.


Mas as surpresas não haviam se esgotado, e para o bis subiu ao palco o guitarrista catarinense Sérgio Buss, amigo pessoal de Vai, e que já havia tocado com ele nos shows anteriores no Brasil, em 95 e 97. Junto com o guitarrista de apoio David Welner, representaram uma simulação do projeto G3. Começaram pela bela "Liberty" e finalizaram com "The Attitude Song" (música presente no repertório do G3 original, com Joe Satriani e Eric Johnson).

Fim de um show quase perfeito, e uma sensação de que algo continua faltando. Steve Vai sabe cativar pelo seu virtuosismo, pelo arsenal de truques e pelo domínio do espetáculo. Falta ainda cativar pela musicalidade.


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Sobre Paulo Haroldo

Ex-comerciante, divorciado (liberdade ainda que tardia). Preferências musicais: Hard Rock (principalmente anos 70), Blues, Heavy Metal sem podreira, Progressivo (não confundir com ProgMetal), e todo bom rock/pop feito sem samplers, computadores e outros artifícios eletrônicos que só servem para mascarar falsos músicos. Exterminador de hip-hoppers...

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