Resenha - Violeta de Outono (Lona Carlos Zéfiro, Rio de Janeiro, 06/04/2000)

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Por Márcio Ribeiro
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Sábado, 1º de Abril, o Violeta de Outono voltou a subir ao palco após um hiato de mais de 5 anos. Nessa noite, o Violeta se apresentou para o público da zona oeste do Rio de Janeiro na Lona Cultural Carlos Zéfiro, localizada em frente à estação de Anchieta. O espaço cultural, coberto por uma das lonas compradas para o Rio Eco 92, está sendo muito bem aproveitado. Limpo, inclui uma pequena arquibancada de madeira de três andares com assentos acolchoados, luz, som e um palco muito espaçoso. Um belo exemplo que a prefeitura dá em prol das comunidades ditas carentes. Rogamos que haja cada vez mais lonas servindo a eventos culturais pela periferia (mesmo porque essas lonas estão guardadas em algum galpão da cidade sem uso). Que se tenha também o mesmo capricho em limpeza, cuidado e consciência de propósitos como a demonstrada aqui pela gerência da L.C. Carlos Zéfiro.

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O trio, rejuvenescido pelo ótimo baixista Sandro Garcia e o talentoso baterista Gregor Izidro, ambos com menos de 21 anos, dá sustentação para que o mentor da banda, o guitarrista e vocalista Fábio Golfetti, alce seu vôo ao psicodelismo. Resumindo em uma palavra: viajante. O som do Violeta é muito viajante, um clima criado por Fábio usando muito slide com bastante eco e provavelmente um flanger. O repertório apóia-se no CD novo, Mulher na Montanha, que contém seis das dez músicas apresentadas. Eles abrem com uma ótima leitura do clássico de Syd Barrett, Interstellar Overdrive, que deixou todos em polvorosa, pulando e gritando. Não é todo dia que uma banda tenta tocar isso, muito menos ao vivo e a platéia, muito consciente, se mostrou receptiva. Prosseguem com Total Silêncio, do CD novo, e a grande favorita, Dia Eterno, que botou todo mundo pra dançar, alguns subindo até no palco para isso, tamanha a alegria. O show volta às músicas novas com Mulher Na Montanha, que dá nome ao CD, e Trópico, seguidas por Sombras Flutuantes, Lírio De Vidro, Outro Lado, Declínio De Maio e encerra finalmente com o clássico Tomorrow Never Knows, dos Beatles. Por sinal, essa é uma canção que exige uma certa coragem para se levar adiante, já que a versão original é tão rica em detalhes que qualquer cover pede estudo e capricho para não soar dispensável. No entanto, aí está o Violeta de Outono, que gravou essa música na década de oitenta e só lucrou, chamando atenção para si e ganhando o respeito de beatlemaníacos exigentes como eu. Para o bis, surpresa: Citadel, clássico geralmente esquecido dos Rolling Stones e Outono, outra do primeiro disco.

Todos na banda são muito serenos no palco, praticamente estáticos durante toda a apresentação. Sandro, de camisa paisley escura e com sua reluzente Rickenbaker branca, sorri levemente dando dois, no máximo três passos em qualquer direção. Fábio, com uma camiseta do Gong/Camembert Eletrique, preso ao microfone e aos seus pedais, também oferece pouca movimentação. Em determinado momento do show, ele deita sua guitarra no chão e, de joelhos, passa a brincar com os pedais e o slide. Não sei se é realmente necessário que ele ponha a guitarra no chão para tocar nesse trecho, mas reconheço que o efeito e a curiosidade que atrai são excelentes! Finalmente, Gregor, que sentado é o que mais se mexe. Espalha-se pelos tambores como poucos, atacando sua bateria de uma maneira que faz lembrar ora Ginger Baker, ora Ansley Dunbar. Ele é um pequeno espetáculo em si e consegue isso sem esforço, o que é um tremendo plus.

No final, eu saí do show embasbacado e feliz. Tive que parar em um bar e tomar várias cervas com alguns amigos para ajudar a digerir toda a informação sonora que me foi doada por esse trio bem equilibrado. Esperava uma noite agradável, mas foi muito mais que isso. Citadel, TNK e Interstellar Overdrive, ao vivo na minha cara! Fruta que caiu, baralho! Muito bom! Ao que parece, os próximos shows serão em São Paulo, portanto, galera Paulistana, aproveite para conhecer ou rever, pois o Violeta de Outono está de volta!




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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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