Shayan do Trivax questiona se fãs de metal vivem o que a música prega
Por Emanuel Seagal
Postado em 11 de junho de 2026
Shayan, vocalista e guitarrista do Trivax e apresentador do podcast Iblis Manifestations, criticou a distância entre o discurso e a prática dos fãs de metal em episódio solo do programa, intitulado "Metalheads Talk Rebellion But Don't Live It" ("Os headbangers falam de rebeldia, mas não a praticam"). Para o músico, a cena canta morte e rebelião, mas não vive o que prega.
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Nascido e criado em Teerã, no Irã, e hoje também atuando como coach fitness e personal trainer, Shayan dedicou o episódio a temas como liberdade pessoal, disciplina e o que chama de posse radical da própria vida.
"Neste estilo, cantamos sobre morte, cantamos sobre destruição, cantamos sobre rebelião [...] mas, na prática, nos comportamos como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Acho isso um pouco hipócrita da nossa parte. Ou, pelo menos, acho que, como cultura, podemos fazer melhor", afirmou.
O apresentador deixou claro que a crítica não é sobre produção artística ou hobbies, mas sobre um comportamento específico: o de metalheads que desperdiçam tempo rolando em redes sociais, mantendo os mesmos hábitos dia após dia, esperando que algo mude sem tomar nenhuma ação. "Quando se trata de ação, os headbangers ainda têm uma grande tendência a ser apenas consumidores", explicou.
Para Shayan, o problema está em agir como se houvesse tempo ilimitado, ao invés de assumir controle real sobre a própria vida. "Em vez de desperdiçar o tempo nas redes sociais, tendo exatamente os mesmos hábitos dia após dia, esperando que algo mude lá na frente, e ainda assim se perguntando por que você ainda está no mesmo lugar", disse. O músico ligou esse comportamento a uma ilusão alimentada pela cultura moderna, que distorce a autopercepção e impede a ação.
"Rebelião contra a própria grandeza"
Shayan também abordou a própria noção de rebeldia. Na adolescência, contou, rebelar-se significava fazer o que quisesse sem pensar nas consequências. "Isso significava beber, usar drogas, ter comportamento autodestrutivo e meio que forçar o limite da ordem na própria vida. […] Em retrospecto, aquilo não era se rebelar contra o sistema. Na verdade, era se rebelar contra a sua própria grandeza", pontuou.
"[…] Porque você está tirando da sua própria força. Está tirando do seu próprio foco. Está tirando do seu próprio tempo. O seu maldito tempo, a coisa mais importante que você tem", acrescentou.
Emperor no Walkman, escondido da polícia
Para reforçar que a música vai além do consumo, o vocalista relembrou a juventude sob um regime que proibia o acesso ao metal. "Houve uma época em que eu vivia em um certo país onde você não tinha acesso a nada disso. E tivemos que lutar por isso. Tivemos que sangrar só para poder ouvir essa música", relatou.
"[…] Eu me lembro de quando eu e meus amigos saíamos para ouvir o primeiro álbum do Emperor em um walkman, num canto de um parque, escondidos atrás dos arbustos, batendo cabeça ao mesmo tempo. […] Só para nos esconder da polícia. Só para poder aproveitar aquilo", relembrou.
"Os números são extremamente pequenos"
Shayan lembrou ainda que os fãs do estilo são uma minoria global, apesar da impressão criada pelos grandes festivais. "Tecnicamente, sim, eles estão em toda parte, mas seus números são extremamente pequenos. […] Há poucas pessoas por aí capazes de citar músicas do Necrophobic ou de fazer referência ao Sadistik Exekution", declarou.
Musculação e disciplina como resposta
Como caminho prático, Shayan propôs que headbangers adotem disciplina e exercício físico, especialmente musculação, para transformar a própria vida. O argumento central é que não se trata de perfeição, mas de consistência: estabelecer metas simples, como ir à academia três vezes por semana, e cumpri-las. Para o apresentador, é esse ciclo de comprometimento consigo mesmo que reconstrói a autoconfiança.
Ao final, o apresentador revelou que a mensagem nasce da própria experiência. "Eu nem sempre fui assim. Eu nem sempre fui assim. Eu queria que, quando eu era um headbanger de 20 anos, completamente ansioso, deprimido e completamente autodestrutivo, alguém tivesse colocado este vídeo na minha frente", concluiu.
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