A grande discordância entre Kiko Loureiro e Paul Gilbert, segundo Marcos de Ros
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de agosto de 2026
Kiko Loureiro e Paul Gilbert estão entre os guitarristas mais respeitados e estudados do mundo. Os dois ensinam. Os dois explicam com detalhes o que fazem. E os dois, quando o assunto é o ângulo da palheta na corda, dizem coisas completamente opostas.
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Para o youtuber e guitarrista gaúcho Marcos de Ros, essa contradição escondia uma resposta que demorou anos para aparecer - e que estava visível o tempo todo, só que na câmera, não nas palavras.
O ponto de partida do vídeo é simples: Kiko defende a palhetada paralela às cordas, enquanto Gilbert defende o ângulo inclinado para obter um som que ele descreve como mais expressivo e encorpado.
À primeira vista, parece que um dos dois está errado. Marcos de Ros argumenta que não - e que a confusão nasce porque os dois estão respondendo a perguntas diferentes. Kiko fala sobre velocidade. Gilbert fala sobre timbre. São objetivos distintos, e cada técnica serve ao seu propósito.
A palhetada de Kiko Loureiro e de Paul Gilbert
A descoberta mais interessante do vídeo, porém, não vem das declarações dos guitarristas, mas das imagens em câmera lenta das suas mãos em ação. Segundo Marcos, há uma diferença entre o que um guitarrista descreve que faz e o que a câmera mostra que ele realmente faz.
"Quando o guitarrista ensina, ele descreve a intenção. Quando ele toca, a câmera mostra a execução", afirma. A conclusão é direta: o cérebro explica, o corpo resolve. E quando a velocidade aumenta, a biomecânica vence qualquer teoria.
É nesse ponto que a análise ganha profundidade. Marcos observou que, independentemente do que cada guitarrista prega, quase todos acabam inclinando a palheta quando aceleram. Não por escolha consciente, mas por física: o atrito aumenta, a resistência aumenta, e o corpo encontra o caminho de menor esforço por conta própria.
"A intenção pertence ao músico, a execução pertence à física", resume. Gilbert usa mais ângulo de forma consistente. Kiko varia conforme a frase. Cada um resolve o mesmo problema de um jeito ligeiramente diferente - e os dois funcionam.
A honestidade intelectual do vídeo chama atenção em um nicho saturado de certezas. Marcos termina com uma advertência que vale para qualquer professor de instrumento: "Se daqui a cinco anos vocês filmarem a minha mão em câmera lenta e eu estiver fazendo algo diferente do que estou falando, acredita na câmera, não em mim." É uma frase que resume bem o espírito da análise - menos sobre ter razão, mais sobre entender como a guitarra realmente funciona.
Assista o vídeo completo abaixo.
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