O rockstar cujo consumo de cocaína nos anos 70 assustava Glenn Hughes: "Nunca dormia!"
Por André Garcia
Postado em 11 de agosto de 2026
Ao longo dos anos 70, David Bowie se consagrou como um dos maiores astros da música britânica. Além de suas habilidades musicais e de composição, ele ficou famoso por incorporar seus personagens dentro e fora dos palcos.
Décadas depois, ele relembrava aquela época dizendo que estava sempre tão chapado que nem sabia que estava vivendo um personagem. A linha que separava o que era ele e o que era personagem havia sido apagada pelo pó.
A relação de David Bowie com a cocaína durou poucos anos, de 1974 a 1977, mas foi suicidamente intensa. Foi justamente nessa época que ele se mudou para Los Angeles, onde se tornou amigo de outro rockstar britânico que compartilhava de seus maus hábitos nasais: o então baixista do Deep Purple, Glenn Hughes.

No livro "Bowie - A Biografia", de Marc Spitz, publicado no Brasil pela Benvirá, Glenn relembrou que até mesmo ele, que também pegava pesado com as drogas na época, ficava assustado com Bowie:
"Era muita aceleração pela cocaína. David [Bowie] nunca dormia. Estava numa tempestade de pó. Ele ficava acordado três ou quatro dias seguidos. Eu ia embora e voltava no outro dia, e ele [não só ainda estava acordado como ainda] continuava a mesma conversa de onde havíamos parado."
O Camaleão do Rock confirmou seus excessos e fez questão de destacar o alto preço que aquilo lhe cobrou:
"Eu passava semanas acordado, até gente como Keith Richards ficava espantado com aquilo. Eu paguei com a pior depressão da minha vida. Minha mente foi ao telhado, foi quebrada em pedacinhos. Eu alucinava 24 horas por dia, tinha caído nos confins da Terra. Se realmente você quer perder todos os seus amigos e todos os relacionamentos, a cocaína é a droga certa para você. A cocaína corta qualquer relação com outros seres humanos."
Glenn Hughes completou dizendo que tanto pó tornou a mente de seu amigo um verdadeiro turbilhão de paranoia e caos:
"[Bowie] estava inclinado a assuntos bem bizarros como Aleister Crowley, nazistas e numerologia. Eu ficava coçando a cabeça. Ele estava completamente obcecado. Eu não conseguia acompanhar ele. Estava toda hora no limite da paranoia e também falava de coisas que eu não fazia ideia do que queriam dizer. Ele não parava de falar e eu não entendia nada."
Foi justamente buscando se afastar da cocaína e do estilo de vida de celebridade que David Bowie, em 1976, se mudou para a França e, posteriormente, para a Alemanha, ao lado de Iggy Pop. Durante essa mudança de ares, ele produziu a obra-prima de Iggy, "The Idiot" (1977), e sua Trilogia de Berlim: "Low" (1977), "Heroes" (1977) e "Lodger" (1979). Esses álbuns são considerados algumas das maiores influências para o surgimento do post-punk.
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