Músico brasileiro: qual o seu papel e o seu valor como artista?
Por Ricardo Cunha
Fonte: Esteriltipo
Postado em 25 de maio de 2019
O blog "Esteriltipo" fez uma análise sobre o papel e o valor do músico brasileiro com base numa mostragem de músicos brasileiros (reconhecidos por sua competência técnica) que foram contratados por estrelas internacionais. O resultado, você pode ver abaixo.
"O presente texto foi inspirado no vídeo abaixo, no qual os músicos brasileiros que acompanharam Warrel Dane no processo criativo e de gravação do álbum Shadow Work (que teve sua importância aumentada em virtude do falecimento do vocalista durante as gravações) falam do processo de composição, produção e de suas contribuições para a construção da obra, lançada ano passado (2018).
Nesse sentido, esta análise propõe uma reflexão boa pra bate-papo de mesa de bar. E o que está em jogo? Entender qual o papel e o valor do músico brasileiro enquanto artista e como estes se encaixam na lógica dos mercados nacional e internacional.
Para começo de conversa, sabe-se que não é de hoje que o talento do músico brasileiro extrapolou as fronteiras do país, chegando à América, à Europa e a muitos outros lugares. Não foi por causa do Sepultura, nem do Kiko Loureiro. Também não foi no âmbito do rock/metal que os brasileiros obtiveram os primeiros "likes" lá fora. Carmem Miranda e Sérgio Mendes são bons exemplos disso.
Posteriormente, impulsionados pela força do movimento do jazz e da Bossa Nova, foi a vez de nomes como João Gilberto e Tom Jobim ganharem fama mundial. Logicamente, há mais nomes, mas como esse não é o cerne da questão, não nos deteremos nesse ponto.
O fato é que o gênero Rock/Metal parece constituir atualmente, a maior vitrine para os músicos profissionais brasileiros. Alguns exemplos estão listados abaixo.
PAUL DI'ANNO
➧ DI'ANNO (2000): Paul Di’Anno (vocal), Paulo Turin (guitarra), Chico Dehira (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Aquiles Priester (bateria). Com esta formação gravaram um excelente disco intitulado NOMAD, que poderia ter conquistado sucesso internacional em outras condições.
➧ ROCKFELLAS (2008): Paul Di’Anno (vocal), Canisso (baixo) e Jean Dolabella (bateria). Houve promessa de álbum, que não foi gravado, mas, na ocasião, excursionaram pelo país fazendo uma boa série de shows.
LEATHER LEONE
➧ LEATHER (2016): Leather Leone (vocal), Vinnie Tex (guitarra), Marcel "Daemon" Ross (guitarra), Thiago Velasquez (baixo) e Braulio Drumond (bateria). Com esta formação, que deve permanece até hoje, a ex-vocalista do Chastain gravou o álbum LEATHER II, fez alguns shows pela América Latina e hoje está sediada nos EUA, onde tem feito shows regularmente.
WARREL DANE
➧ WARREL DANE (2017): Warrel Dane (vocal), Johnny Moraes (guitarra), Thiago Oliveira (guitarra), Fabio Carito (baixo) e Marcus Dotta (bateria). Shadow Work é o segundo trabalho solo de WARREL DANE, que não foi concluído devido ao seu falecimento em 12/2017. O mini-doc, que segue contém imagens das gravações, entrevistas com os membros da banda e com o produtor Wagner Meirinho, além de trechos das músicas "As Fast As The Others", "Disconnection System" e "Rain".
Esta lista certamente pode ser aumentada, mas os casos em questão já fornecem uma boa mostra do quadro geral. Todavia, continuando o raciocínio, a verdade é que as referidas estrelas têm em comum o fato de terem experimentado o sucesso, haverem atingido o auge em algum momento e depois terem se afastado dos palcos por um motivo qualquer. Dessa forma, ao buscar recuperar o tempo perdido, eles parecem ter tentado pegar um atalho e, ao que tudo indica, este atalho pode ter sido formar bandas com músicos talentosos, pouco famosos e dispostos a ganhar menos.
Nesse sentido, a partir do acima exposto, várias perguntas podem ser feitas. Entre elas:
1) O movimento das estrelas "caídas" ao recrutar músicos que, ao mesmo tempo, são competentes e pouco experimentados em nível global, ocorre apenas no Brasil?
2) O músico profissional brasileiro tem constituído nessas situações somente mão de obra qualificada e barata?
3) Se o músico brasileiro é reconhecido por sua competência técnica, porque as bandas brasileiras não estouraram mundialmente?
As perguntas são difíceis de responder e, a bem da verdade, nem sabemos o que fazer com as respostas (se elas vierem), mas creio que a brincadeira valha a pena!
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As 11 melhores bandas de rock progressivo dos EUA, segundo a Loudwire
Edu Falaschi lamenta vazamento: "Qualidade horrível, o cara captou do jeito que pôde"
Como Paulo Ricardo faz para evitar que suas músicas soem muito metal ou hard rock
A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
O pioneiro do rock que Elton John passou a considerar "patético"
Show do Kiss deu origem a uma das maiores bandas da história do thrash metal
Mike Mangini assume a bateria do Godsmack em nova etapa de turnê
Dee Palmer, ex-tecladista do Jethro Tull, morre aos 88 anos
Tarja Turunen diz que mal participou da biografia oficial do Nightwish
Como o Metallica contribuiu para a criação de uma das maiores bandas de metal sinfônico
Rodrigo Constantino toca clássico do Iron Maiden na bateria e ganha elogios
Vocalista do Moonspell sobre tradução literária: "É mal pago, mas adoro"
O guitarrista mais rápido que Slash viu tocar; "literalmente explodiu minha cabeça"
Campanha dos fãs coloca "Dreams", do Fleetwood Mac, no Top 20 britânico
Angra confirma primeiro show da carreira na China
"Eu pensei que iria encerrar minha carreira com Kiko", diz Dave Mustaine
Jimmy Page culpa Phil Collins pelo fiasco do Led Zeppelin no Live Aid, em 1985
Roger Waters: Ele nunca foi amigo de Gilmour, então nada mudou



As emoções que uma música desperta merecem mais atenção que qualquer crítico ou "influencer"
As bandas de heavy metal nem sempre farão a mesma coisa (e isso não é ruim)
Megadeth, Pepeu Gomes e a mania do internauta achar que sabe de tudo
O problema não é usar celular em shows, mas sim fiscalizar os outros
Lobão: a defesa do roqueiro solitário
Preconceito: dificuldades de ser roqueiro em cidade do interior



