Encontra aí a sua turma: A geração do heavy metal dos 80s
Por Rodrigo Contrera
Postado em 13 de fevereiro de 2018
Encontrar a própria turma significa decifrar quem são nossas principais influências, e até que ponto elas se dão. No caso do rock e heavy clássicos, abordados num post anterior, vimos que existia neles uma ênfase no soturno, no macabro, mas sem exageros, e que a ênfase no som dizia respeito a riffs e outras sacadas que não tinham nada de tão avançado como o rock progressivo.
Mas minha entrada no rock se deu, em grande parte, a partir mesmo dos anos 80, com a nova onda do heavy metal britânico e bandas que hoje estão ensaiando parar com suas atividades. Refiro-me ao Iron Maiden, ao Saxon, e a outras referências que beberam alguma coisa da época punk mas que não seguiram necessariamente o seu ideário.
É preciso contextualizar algo da história. Naquela época, o Brasil passava por uma profunda recessão, que atingia, coincidentemente, a Inglaterra. Os regimes eram duros - hoje diriam neoliberais - e havia um clima de crescente insatisfação entre os jovens. O heavy metal daquela época era menos encorpado em som que o rock e heavy originais, menos atento à realidade mais etérea, menos focado em clima soturno, e mais para fora, ou seja, mais expansivo, com um toque de rebeldia juvenil. Foi nesse clima que eu comecei a curtir heavy metal. Não havia em mim aquela pegada mais rock clássico, tipo AC/DC, e mesmo um Scorpions não me dizia grande coisa (tirando a sonoridade das guitarras).
Com o passar do tempo, e meu envelhecimento, fui percebendo que o universo abordado pelas bandas que eu tanto curtia parecia se distanciar, aos poucos, de meus reais interesses. Sentia que a abordagem que eles faziam de temas como política era para mim bastante insuficiente e até mesmo ingênua. Percebia que os universos de comentários à história mundial também eram excessivamente moralistas ou mesmo ingênuos. E que as músicas não me atingiam mais como outrora. As bandas eram, como fica hoje clara, feitas e comandadas por gente que, no frigir dos ovos, não conseguia conversar muito comigo realmente. Foi assim, com esse tipo de convicção, que fui me aproximando de outras formas de entendimento do mundo. Isso rolou por volta dos anos 80 e chegando aos 90.
Vocês podem perceber que iriam vir outras influências na época, e que elas iriam ter mais a ver com minha forma real de entender a realidade. O Thrash iria surgir naquele então. O grunge viria depois, e com ele também um certo desânimo em relação à juventude. Aos poucos fui também percebendo que o jeito heavy metal de tachinhas não me falava mais quase nada. Eu já estava bastante mais experiente, e a sonoridade, embora ainda me agradasse, não me cativava mais.
The Number of the Beast
Nos próximos posts, falarei sobre as turmas do folk, do rock romântico, do rock mais cabeça, do punk rock e do thrash, que, estes sim, dizem mais, em conteúdo, àquilo que fui pensando sobre a vida. E vc, qual a sua turma?
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Kiko Loureiro respeita muito Tony Iommi, mas acha que guitarrista do Black Sabbath é "quadrado"
A reação de Dirk Verbeuren ao anúncio do fim do Megadeth
James Hetfield revela sua maior influência como guitarrista de metal: "É o mestre dos riffs"
O curioso conselho de James Hetfield para vencer a bebida e ficar sóbrio para sempre
Como aconteceu a segunda separação entre Ronnie James Dio e Black Sabbath, segundo Geezer Butler
Como John Petrucci tenta manter a rotina de treinos durante as turnês do Dream Theater
A banda que deixou Joan Jett "morrendo de medo" antes de subir ao palco
Black Sabbath tentou compor disco nos anos 2000, mas não rolou
Morphine anuncia álbum inédito 26 anos após seu fim
Lars Ulrich revela ter perdido a virgindade com ajuda de Dave Mustaine
Curitiba ganha "Cidade do Rock" e recebe festival com gigantes do rock nacional anos 1980
Como Serguei ajudou Sylvinho Blau Blau a se sentir confortável com o próprio nome artístico
Rock in Rio quer o nome do rock, mas não seu compromisso
Engenheiros do Hawaii - A reunião que não acontece
A música que Ozzy gravou como piada e ficou apavorado que fosse lançada
Os 15 melhores álbuns de thrash metal de todos os tempos, segundo o RYM
As 10 melhores músicas de Ace Frehley durante sua carreira no Kiss

Cinco subgêneros do metal que despertam amor e ódio
De 40 mil para 9 mil lugares: Sepultura poderia ter evitado choque de realidade?
Onde vende a régua para medir se uma música é boa ou ruim?
Não gostar do "Black Album" é uma coisa, negar sua importância é outra
O heavy metal continua proporcionando momentos inesquecíveis
A difícil arte de escolher os melhores discos de Heavy Metal
Janick Gers: descartável ou essencial ao Iron Maiden?



