Velhos Ditados: "Os Cães Ladram E A Caravana Passa"
Por Claudinei José de Oliveira
Fonte: rollandorocha
Postado em 21 de maio de 2015
A sabedoria popular é perfeita para definir, em poucas palavras (os famosos "velhos ditados"), determinadas situações. Existe, para quem gosta de rock no Brasil, um certo consenso de que no passado, mais especificamente, nos famigerados "anos 80", as coisas eram melhores.
Havia muitas bandas boas que faziam muitas músicas boas, as quais eram tocadas em muitas emissoras de rádio e televisão. Ou seja, o rock foi "mainstream". É fato inegável que, no passado, o rock, no Brasil, possuía maior visibilidade midiática como, também, é fato inegável que quantidade nunca foi sinônimo de qualidade. Havia, sim muitas bandas de rock tocando no rádio e na televisão, porém, havia, consequentemente, muitas bandas de rock ruins tocando no rádio e na televisão. Mas os apreciadores do rock não querem nem saber: melhor ouvir um rock ruim que ouvir sertanejo, pagode ou axé. A Pitty está aí para provar. Não era só desligar o botão, ao invés de nivelar por baixo?
Existiram bandas de rock boas e que não contaram com o apoio da mídia nos anos 80, 90, 2000, 2010 e, pasmem, ainda as há. Basta, pura e simplesmente, ao invés de ficar esperando elas caírem do céu na nossa cabeça, procurá-las e, fatalmente, as encontraremos.
É típico da natureza humana idealizar o passado pois este é certo, enquanto que o presente se manifesta pleno de incertezas. "Não trocamos o certo pelo duvidoso", como bem apregoa a sabedoria popular. Então, vamos no Monsters Of Rock apreciar os "dinossauros" enquanto eles não são extintos e vaiar qualquer coisa que "desafine o coro dos contentes".
Parece que foi o filósofo Nietzsche quem afirmou: "Quem olha muito para trás, acaba pensando para trás", Aí, a índole desafiadora, característica do rock ao longo de sua relevância histórica, cede espaço à índole reacionária. A propósito, isto motivou Roger Waters a associar rock e fascismo em The Wall.
Queremos que o nome de nossa banda preferida seja estampado sempre no mesmo "logo"; queremos que ela grave, eternamente, o mesmo álbum, aquele nosso preferido e, se possível, é bom nossa banda preferida possuir uma mascote, pois ajuda a garantir que ela continue a mesma, numa espécie de "ilusão de ótica" onde nós também acabamos sendo os mesmos e, com cinquenta anos nas costas, ainda temos dezessete.
Afirmar que as coisas não são mais como eram antes é de uma estupidez atroz pois, óbvio, jamais poderão ser. Valorizar experiências passadas é essencial para a sobrevivência humana, desde que valorizadas como uma das ferramentas para a construção do futuro.
O mundo do rock entra em polvorosa cada vez que alguém afirma que o "rock morreu", no entanto, é inegável que ir a um concerto de rock se assemelha, cada dia mais, a visitas ao museu. "A fila anda". "Quem fica parado é poste" e "os cães ladram enquanto a caravana passa" diz, apropriadamente, a sabedoria popular.
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