Liberdade de escolha ou escolha de liberdade?

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Paulo Severo da Costa
Enviar correções  |  Ver Acessos

"Em presença de imbecis e loucos, há somente um caminho para mostrarmos nossa inteligência: não falar com eles." - SCHOPENHAUER

Cults: 10 álbuns influentes que fracassaram nas vendasRed Hot Chili Peppers: as melhores músicas segundo o Loudwire

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Pessimistas e realistas, uni-vos! O século XXI trouxe consigo a praga imprecada por ANDY WHAROL - a tal fama de quinze minutos que ele apregoou décadas atrás. Vídeos virais que ressignificaram o grotesco, celebridades que contam com a acefalia e receitas anabólicas como tópico curricular e música da pior qualidade parasitam o cotidiano global. Se em meados do século XIX Marx se preocupava com a alienação promovida pela incompreensão do indivíduo no processo do trabalho, a questão hoje é entender a total dissociação entre o talento e a necessidade patológica desse estar sob os holofotes.

LUIZ FELIPE PONDÉ, o melhor dos autores contemporâneos preenche uma lacuna quando diz que "a imperfeição da vida nos é insuportável, temos horror a ser animais do abismo, por isso buscamos utopias de perfeição"- fato! Difícil se conformar em ser mais um, difícil se esperar por dinheiro ou uma carreira estável quando se vê um qualquer cometendo excrescências e sendo aclamado no YouTube. Nas livrarias sobejam obras que não dizem nada entre os mais vendidos; na TV, programas que competem entre si pelo Nobel do nocivo e, claro, no rock n'roll a coisa não é diferente. SIMON REYNOLDS já se ocupou - e se preocupou - com o fenômeno da nostalgia na música; já eu penso no que aconteceu com a liberdade de escolha nos tempos atuais.

Não, não estou afirmando que não haja uma cena independente viril ou que bandas aclamadas vivam reciclando o mais do mesmo - pelo menos não todas. O que me intriga é o esvaziamento tendencioso de conteúdo, a usurpação democrática, o direcionamento oculto para bunkers de interesse comum; o que me inquieta é abrir minha conta nos canais de vídeo e ver como recomendados para mim o último sucesso de rappers misóginos, comediantes que levariam CHAPLIN ao autoflagelo ou a sensacional mistura de brega-eletrônico-sertanejo-funk de não sei quem. Caso eu não tenha súbitos de esquizofrenia galopante não me lembro de já ter acessado algo desse gênero - algo, aliás que meu e-mail parece discordar, tendo a vista a quantidade de 'indivíduos" - nunca alguém que conheço - que me recomendam aberrações desse porte. Cadê a liberdade não condicionada na escolha do que se ver ou ouvir nessa ágora cheirando a whisky paraguaio?

Apologia ao caos? Teórico da conspiração? Chato? Por precaução permanecerei sem whatsapp.




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Opiniões

Cults: 10 álbuns influentes que fracassaram nas vendasCults
10 álbuns influentes que fracassaram nas vendas

Red Hot Chili Peppers: as melhores músicas segundo o LoudwireRed Hot Chili Peppers
As melhores músicas segundo o Loudwire


Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n'roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: [email protected]

Mais matérias de Paulo Severo da Costa no Whiplash.Net.

Goo336x280 GooAdapHor