Legião Urbana: Renato Rocha não foi o 1º nem será o último
Por Daniel Junior
Fonte: Aliterasom
Postado em 27 de março de 2012
Nunca romantizei as figuras do rock and roll. Não acho que o conceito de "sexo, drogas e rock and roll" deve ser cristalizado e por isso mantido como tradição e filosofia de vida, especialmente para quem vive (profissionalmente) de música. Faz parte da história, ninguém pode negar, mas é inegável também que as vítimas deste tripé (especialmente das drogas) são centenas e deixam milhões de pessoas órfãos da sua arte e criatividade.
Por incrível que pareça, existem pessoas que parecem possuir um fetiche doido por histórias loucas; biografias que somadas falam sobre destruições de quartos de hotéis, porrada com e no público, entrevistas interrompidas, shows vexatórios, derrame de egos. Fosse este apenas o cenário visível, ainda tem um outro: overdoses cavalares, guerras familiares, brigas judiciais, sonhos adiados e todo tipo de acontecimento que depõe contra a vida, não só do astro, mas do cara comum, que descobriu ser um deus, conquistou o planeta, perdeu os verdadeiros amigos e depois descobriu ser apenas um cara que foi além daquilo que imaginava.
Legião Urbana - Mais Novidades
Seria perder tempo tentar entender quais foram as pontas das cordas que desataram na vida de RENATO ROCHA (ex-baixista da LEGIÃO URBANA) e que o levou a ser além de ex-tudo (músico, pai de família, boa situação financeira) para ser um resto de gente, encontrado perambulando pelas ruas do Rio, com o olhar perdido, assumindo falas suas e outras vindo de algum lugar do passado.
Os personagens dessa história possuem suas retóricas, quase todas defensivas. Nem ficarei no simplismo do veredito que "foi o consumo excessivo de droga o responsável por acabar com o resto de vida de Renato". Isso parece óbvio até para quem não sabia do músico nos últimos cinco anos.
Em primeiro lugar: agora, não adianta virem à imprensa dizerem que ‘tudo foi feito pelo Renato’. Não, tudo não foi feito, muito menos por ele. As escolhas do músico foram as principais responsáveis por sua tragédia pessoal, mas será que todas as possibilidades foram esgotadas? O pai do músico é tão sabedor da história do filho que disse que seu maior desejo é ‘comprar um imóvel e colocar alguém para cuidar dele’. Até um cara que não gosta de LEGIÃO URBANA e nem sabe quem é RENATO ROCHA, se viu a feição doente e dislexa do ex-tudo, sabe que nem a moradia será capaz de curar a doença existencial do indivíduo.
Continuando: não vejo ninguém que faz apologia a descriminalização das drogas aparecer e dizer que, uma das possibilidades de vida que o cidadão tem ao escolher suas substâncias de consumo (e perder o controle pois manter sob guarda um vício é utópico e irreal) é perder TUDO que tem inclusive as pessoas que ama. Nenhum neo-liberal atuante na defesa da causa, assume a responsabilidade de declarar que o envolvimento permissivo e íntimo com entorpecentes pode (e a possibilidade é forte) destruir o que você construiu e destruir até a esperança de voltar a projetar uma carreira profissional. Não aparece nenhum playboy pra dizer que, se não tomar cuidado, é isto que acontece.
Agora é MUITO FÁCIL apontar os dedos para o mendigo e dizer: a culpa é dele, quem mandou escolher o que não devia e essa sentença está longe de não ser verdadeira, mas estes são os mesmo que, por exemplo, massacraram RODOLFO ABRANTES ao sair dos RAIMUNDOS por querer mudar de vida, a saber, tornar-se evangélico.
O que se discute aqui não é se o RODOLFO vai pro céu e o RENATO para o inferno e sim, uma sociedade hipócrita que prefere a via-crucis da idolatria/vício/morte do que alguém que muda seu rumo a partir de um pensamento, uma epifania, uma revolução interior. O fã prefere que seu ídolo continue mantendo o perfil que o consagrou (e que pode levá-lo ao caos) do que vê-lo bem, longe dos holofotes.
Os grupos sociais já possuem o que eu chamo de RETÓRICA DA CULPA, que é o discurso pronto, lógico e explicativo, do porquê da crise, mas se inibe de negar o modelo que só faz vítimas, que arranca deuses da terra com a foice da martirização, preferindo eternizar a obra do que manter o ídolo mais tempo vivo. Ou seja: os discos estão aí, quem sentir falta, que os compre.
É a materialização do abstrato e a frieza dos fatos. Os "rockeiros" (com todas as aspas) o chamarão de fraco, apontaram os dedos para MARCELO BONFÁ e DADO VILLA-LOBOS como cúmplices de uma realidade assombrosa sob alguém que os ajudou a colocá-los na história da música popular brasileira, mas continuarão achando FODA, as histórias de orgias regadas à drogas, álcool e tudo que couber, porque nada disso lhes afeta a vida, o que eles querem são os discos prontos, as datas de turnê incluindo seu estado (e país) e as declarações polêmicas para proferirem de peito estufado: ESSE CARA É FODA.
Quanto à vida, que se dane, "eu tenho os discos".
twitter: @dcostajunior
twitter blog: @aliterasom
Legião Urbana: o drama de Renato Rocha
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
A banda iniciante de heavy metal que tem como objetivo ser o novo Iron Maiden
O Monsters of Rock 2026 entregou o que se espera de um grande festival
Jon Oliva publica mensagem atualizando estado de saúde e celebrando o irmão
Angela Gossow afirma que Kiko Loureiro solicitou indenização por violação de direitos autorais
O exagero de John Bonham que Neil Peart não curtia; "Ok, já chega!"
A música de guitarra mais bonita da história, segundo Brian May do Queen
A controvertida estratégia militar que gerou um violento hino punk e reapareceu no Metallica
"Provavelmente demos um tiro no próprio pé" diz Rich Robinson, sobre o Black Crowes
Exausto das brigas, guitarrista não vê a hora de o Journey acabar de vez
A opinião de Regis Tadeu sobre polêmica do Arch Enemy e Kiko Loureiro: "Virou paranoia"
O álbum do Testament onde os vocais melódicos de Chuck Billy não funcionaram
5 discos obscuros de rock dos anos 80 que ganharam nota dez da Classic Rock
Produção do Bangers Open Air conta como festival se adaptou aos headbangers quarentões
Arch Enemy publica vídeo com demos de música alvo de polêmica com Kiko Loureiro
Regis Tadeu revela o truque maroto que o Iron usa, mas o Metallica não precisa
A clássica canção do Sabbath com letra inspirada em Jesus mas com abordagem diferenciada
Badauí, do CPM22, compartilha da polêmica opinião de Rafael Bittencourt sobre o funk carioca

Legião Urbana: a versão de Renato Rocha sobre a sua saída
Marcelo Bonfá lembra de quando levou baterista do U2 para dançar forró
Marcelo Bonfá explica fim de projeto com Dado Villa-Lobos
O mal-entendido entre Titãs e Renato Russo na audição de "Jesus Não tem Dentes"
As 35 melhores bandas brasileiras de rock de todos os tempos, segundo a Ultimate Guitar
O hit da Legião Urbana que Nando Reis queria ter escrito: "Cara, como nunca dei bola?"
Capital Inicial convida Dado Villa-Lobos para homenagem a Renato Russo no Rock in Rio



