John Lennon: a Beatlemania e a Ilha da Fantasia
Por Luiz Otávio D. Pinheiro
Fonte: Studio41
Postado em 27 de junho de 2011
Quem tem mais de 30 anos certamente deve se lembrar do seriado que passou na rede Globo na década de 80, A Ilha da Fantasia. A idéia principal do filme era a visita a uma ilha paradisíaca para a realização de um desejo e as consequencias não muito agradáveis de ter o desejo vivenciado.
Estudando a Beatlemania chego a conclusão que a explosão mundial do conjunto foi, principalmente para Lennon, uma verdadeira ida a ilha da fantasia.
Primeiro existe o desejo de fama, sucesso e acumulação patrimonial. Lennon, como todo aquele que é "um especial" sentia que não nascera para "ser mais um", apenas um coadjuvante e um seguidor. Ele tinha o desejo de liderança, de divulgar suas idéias, suas angústias e dúvidas. Sismou que seria o líder de uma banda (lembre-se que Paul, George e Ringo entraram sucessivamente num conjunto originariamente de Lennon. E em quase todos os artigos e textos sobre Beatles, Lennon é sempre citado. Embora não seja explicitado, Lennon era o líder dos Beatles) e que seria uma banda de sucesso. Isso tudo foi almejado e conseguido, mas...
Boa parte das vezes ele ficou numa situação secundária, com a tarefa de ser apenas " guitarra ritmo", fazendo "fundo" para que um outro Beatle fosse alvo dos holofotes como vocal principal de uma música. Segundo palavras do próprio Lennon "não acho a menor graça em fazer apenas guitarra ritmo". Ainda mais fazendo só um "preenchimento" em uma música que ele não sentia maiores afetos, que era do seu "competidor" Paul, quando podia estar ocorrendo exatamente o contrário - Paul fazendo figuração numa música cantada por Lennon. Para uma personalidade como a dele, isso era um verdadeiro martírio.
A estratégia de Brian Epstein era fazer os Beatles "bons moços". O lado rebelde, "quebrador de regras" do conjunto (drogas, maconha etc.) só veio a público após a morte de Epstein. Os quatro "não podiam nada", por exemplo, Lennon era proibído aparecer ou ser fotografado de óculos nesses anos.
Assim, Lennon "pulava o muro" para dar vazão a sua inquietação, declarando que eles eram mais populares do que Jesus, ironizando a realeza britânica falando que podiam só sacudir as jóias e fazia "micagem" no palco, segundo depoimento de Paul, para ironizar e instigar o público e o público (feminino em geral) ia ao delírio, sem entender nada do que Lennon estava sentindo. Fazia esses trejeitos a revelia de Epstein. Ao final de cada música eles comportadamente, dentro de terninhos bem talhados, se curvavam ao mesmo tempo, num agradecimento à moda japoneza.
A angústia e infelicidade de Lennon - um gênio preso dentro de uma garrafa - era extravasada nas letras das músicas (I´m a loser, I´ll cry instead, Help, Nowhere man) sendo que boa parcela dos beatlemaníacos no mundo não sabiam inglês, nem estavam interessados em entender as letras das músicas.
Segundo Hunter Davies, Lennon, de uma certa forma, invejava Mike Jagger, não pelo seu talento ou pelo seu sucesso, mas pela sua fama de rebelde, título que Lennon durante a Beatlemania nunca ostentou como gostaria - porque "os homens" não deixavam. "John at that stage still recented the cleaning-up operation Brian performed on then..."
Para concluir, faço a ressalva de que pesquiso "The Beatles" - não sou um estudioso da vida de Lennon - parece que existiam também traumas familiares. Creio que devem existir outras evidencias que indicam que Lennon era um Beatle profundamente infeliz. Para ele, a Beatlemania foi uma verdadeira viagem à ilha da fantasia.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O brasileiro que andou várias vezes no avião do Iron Maiden: "Os caras são gente boa"
Os 11 melhores álbuns conceituais de metal progressivo, segundo a Loudwire
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
O conselho do pai de Steve Harris que o baixista preferiu ignorar
O vídeo que dizem mostrar Maduro tocando numa banda de rock em 1981… mas não é bem isso
Os clássicos do rock que estão entre as músicas preferidas de Carlo Ancelotti
Mamonas Assassinas: quanto custa a lista de compras exigida pela mulher de "1406"?
O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
200 shows internacionais de rock e metal confirmados no Brasil em 2026
A sumidade do rock nacional que expulsou Lobão de seu álbum solo
O episódio que marcou o primeiro contato de Bruce Dickinson com "Stargazer", do Rainbow
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
O disco em que o Dream Theater decidiu escrever músicas curtas
As Obras Primas do Rock Nacional de acordo com Regis Tadeu
O pior momento do Rush, segundo Neil Peart; "não dava nem pra pagar a equipe"
A dupla que Paul McCartney e John Lennon tentava imitar nos Beatles; "Queríamos ser eles"
O curioso uso que Axl Rose faz do "botão secreto" nos shows do Guns N' Roses
O que os fãs de rock e suas vertentes pedem para beber em um bar?

Vídeo de 1969 mostra Os Mutantes (com Rita Lee) tocando "A Day in the Life", dos Beatles
3 clássicos do rock que ganham outro significado quando tocados ao contrário
5 canções dos Beatles que George Martin não curtia; "que diabos era aquilo?"
A melhor banda ao vivo de todos os tempos, segundo Joe Perry do Aerosmith
As duas maiores músicas dos Beatles - e ambas foram lançadas com poucos meses de diferença
O artista que Paul McCartney e Mick Jagger apontaram como o maior no palco
A bronca que John Paul Jones tinha com os Beatles; "Eles escrevem boas músicas, mas..."
A homenagem que os Rolling Stones fizeram aos Beatles em uma capa de disco
Avenged Sevenfold: desmistificando o ódio pela banda
Hard Rock e Heavy Metal: o bicho de duas cabeças



