Será realmente o fim do Scorpions?
Por Doctor Robert
Postado em 29 de janeiro de 2010
Foi veiculado pelo site oficial da banda alemã Scorpions que o próximo álbum e a próxima turnê serão as últimas desta lenda do rock pesado. Seria realmente verdade? Ou seria mais um daqueles golpes de marketing, já realizado por tantos nomes da música (dentre eles, Ozzy Osbourne e Kiss)?
Se realmente for verdade, como parece ter sido tão sincera a nota oficial, será uma estranha mistura de sensação amarga e doce. Não dá para saber ao certo com relação aos fãs mais novos, mas para alguém que aprendeu a gostar da banda nos idos de janeiro de 1985, no primeiro Rock In Rio, a dor da perda é meio inevitável. Alguém aí se lembra dos alemães com aquelas indefectíveis calças listradas colantes (sim, eram os anos 80...), de uma época onde Klaus Meine e Matthias Jabs ainda tinham algum cabelo na testa, quando Rudolf Schencker ainda usava bigode, Herman Rarebell ainda era o simpático baterista "meia-boca" e o baixista Francis Bucholz ainda não tinha passado a mão na grana dos colegas? Se você é desse tempo, bem vindo ao grupo de pré-viúvos do quinteto...
Ao recordar e ouvir os velhos LPs então, a saudade parece que vai ser maior ainda. Quem já teve o prazer de ouvir o estranho (diferente?) trabalho de estreia "Lonesome Crow" (que contava ainda com Michael Schencker na formação), ou os petardos da fase em que Uli Roth passou a integrar a banda, como "Fly To The Rainbow" e "Virgin Killer", ou ainda os primeiros trabalhos com Matthias Jabs (fase que vai de "Lovedrive" até o grande "World Wide Live") há de concordar que eles vão fazer falta.
Ok, todos sabemos que a partir da metade dos anos 1980, eles andaram meio perdidos, viveram alguns altos e baixos, lançando no geral material de bem menos qualidade do que o usual – cujo fundo do poço foi o horroroso "Eye II Eye". Mas no palco nunca deixaram a peteca cair. Tanto que neste período de vacas magras, os grandes destaques acabaram sendo os lançamentos ao vivo: se "Live Bites" pode não ter sido lá grandes coisas, o DVD "Moment Of Glory" e a investida nos violões em "Acoustica" chamaram mais a atenção. E eis que a reerguida definitiva enfim veio, travestida nos grandes "Unbreakable" e "Humanity – Hour I", que por sua vez renderam mais dois DVDs excelentes: "Unbreakable Tour" e "A Night To Remember", este último gravado no festival Wacken Open Air, com a participação dos ex-membros Uli Roth, Michael Schencker e Herman Rarebell.
Se ficamos tristes por ver uma carreira tão longa e rica chegar ao fim, por outro lado a tristeza diminui em saber que tudo foi fruto de um comum acordo entre os membros da banda. Não aconteceu por causa de brigas internas (ao menos não que saibamos), por disputas judiciais, por falecimento de algum membro... não. Talvez pelo simples fato de terem se cansado da eterna rotina de estúdio-estrada que toma conta da vida dos rock stars, movidos pelo mesmo sentimento que acometeu Phil Collins, do Genesis, cansado de tantos casamentos destruídos e de não ver os filhos crescerem. Quem sabe foi isso...
Um outro fator, pode ter sido mesmo a idade. Se a obra é eterna, o artista não é. Embora a banda ainda demonstre um bom pique no palco – quem assistiu aos shows da banda por aqui no ano retrasado sabe disso –é claro que os anos pesam. Por melhor que seja sua saúde, a energia e a capacidade física de um sexagenário nunca vai ser a mesma de alguém trinta anos mais novo. Um exemplo prático: Klaus Meine domina bem ainda os vocais ao vivo, mas sua voz está longe de ser a mesma de anos atrás. Basta ver que ultimamente alguns de seus clássicos (como "No One Likes You") têm sido executados em tonalidades mais graves – recurso muito utilizado também por vários contemporâneos dos alemães. E seus companheiros demonstram serem realmente companheiros, devido a não tentarem a estúpida ideia de seguir adiante com um novo vocalista no lugar de alguém que sempre esteve ali presente nos quarenta anos da banda – diferente do que parece ser a intenção do Aerosmith, diante da atual reclusão de Steven Tyler.
Caso seja esta realmente a vontade da banda, será muito lamentada, mas respeitada. Algumas das consequências todos já sabem: uma tour muito rentável, aumento nas vendas dos discos e DVDs... E o que eles irão fazer depois, ainda é um mistério... Aposentadoria? Carreiras solo? Trabalhos ecológicos? Não se sabe ao certo, mas nos resta torcer para que eles venham se despedir dos fãs brasileiros pessoalmente, pois estaremos aguardando ansiosamente para ouvir clássicos como "Blackout" e "Still Loving You" pela última vez... será?
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