As semelhanças entre Lemur Voice e Dream Theater
Por Thiago Sarkis
Postado em 26 de outubro de 1999
Em Setembro de 1996, o Lemur Voice lançava o seu debute, chamado "Insights". A repercussão sobre esta estréia foi boa. No entanto, muitos rotularam a banda como apenas mais um 'clone' de Dream Theater. De fato, as influências de Mike Portnoy e sua 'turma' estão bem expostas em "Insights". As composições seguem uma linha bem semelhante, sempre direcionadas ao que chamamos de metal progressivo.
Passaram-se 3 anos e as coisas mudaram. O Dream Theater lançou, neste período, os álbuns "Falling Into Infinity" (1997) e "Once In A Livetime" (1998). Ambos ficaram aquém do que a maioria dos 'Ytsejammers' esperava e consequentemente, a expectativa dos fãs para o novo álbum, "Metropolis Part II – Scenes From A Memory", com lançamento previsto para o final de 1999, ficou ainda maior. Enquanto o Dream Theater lançava mais dois álbuns e se preparava para lançar o terceiro (um lançamento por ano), o Lemur Voice ficava escondido, ‘abafado’, fazendo os preparativos para o novo álbum, "Divided", que também estava previsto para o segundo semestre de 1999.
Tudo ocorreu dentro do previsto. "Divided" foi lançado em Agosto e apresentou um Lemur Voice mais maduro, com um som bem definido e próprio. Perfeito para sair da ‘sombra’ da banda de John Petrucci. "Metropolis Part II – Scenes From A Memory", lançado cerca de dois meses depois de "Divided", apresenta o Dream Theater voltando aos velhos, e por sinal, ótimos tempos.
As duas bandas continuam investindo no metal progressivo, mas parece que se 'distanciaram' um pouco, uma da outra, em relação ao direcionamento das composições. O Lemur Voice vem muito mais pesado e dinâmico, com ‘ritmos’ alucinantes. Mostram uma menor preocupação com as harmonias e a parte lírica e um maior direcionamento à parte rítmica, dando ênfase à técnica de Marcel Coenen & cia . Já o Dream Theater, vem com um álbum conceitual, bem eclético, com várias baladas, mas repleto de peso também. Com uma importância maior à harmonia e às letras, mas sem ‘esquecer’ da técnica avançada de seus músicos nos solos rápidos e ritmos ‘quebrados’. No geral, Lemur Voice e Dream Theater continuam se ‘encontrando’ em um mesmo estilo, porém, mostrando interesses e direcionamentos diferentes.
O mais engraçado é que, apesar de todas essas diferenças e mudanças, ficou claro que essas duas bandas estarão sempre ‘trombando’ com uma ou outra idéia semelhante. Desta vez, as composições têm direcionamentos diferentes e o som não está tão parecido. Desta vez, a semelhança está nas CAPAS. É só olhar para as duas e entender do que estamos falando.
Vale a pena ouvir com atenção a cada um dos álbuns e notar essa, engraçada, 'coincidência' (pelo menos é o que esperamos, pois se não for uma coincidência, o Lemur Voice passará de clone a clonado :o))
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