Leia trechos do diário de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana
Fonte: Terra Música
Postado em 26 de outubro de 2002
Kurt Cobain se arrepende de ter usado heroína para amenizar sua misteriosa dor de estômago e não conseguir parar. E ainda fala de atirar em si próprio, de acordo com trechos do diário do falecido músico do Nirvana.
Os escritos, publicados na revista Newsweek em outubro de 2002, são do livro Journals, que contém cartas e o diário do cantor de 1980 até 1994, quando Cobain se matou aos 27 anos, em sua casa em Seattle.
Leia trechos do diário:
Enquanto em alguns momentos Kurt parece bem-humorado, outros revelam um homem torturado pelo vício das drogas e doença. "... Eu decidi usar heroína (sic) diariamente por causa de uma doença crônica no estômago que venho carregando nos últimos cinco anos e tem me levado literalmente ao ponto de querer me matar", escreveu Cobain em um diário enquanto estava em uma clínica de reabilitação.
"Eu comprei uma arma, mas escolhi as drogas no lugar", ele escreveu depois. Apesar do Nirvana ter ajudado a colocar o som grunge de Seattle no mapa musical, Cobain não gostava de ser colocado ao lado de outros grupos. Ele aparentemente tinha um particular desdém pelos companheiros de bairro Pearl Jam, algumas vezes criticado por ter um som parecido com o Nirvana.
"Existem várias bandas que se dizem alternativas e elas não são nada além de 'mascaradas', pois são ex-bandas de cabelos armados de anos atrás. Eu adoraria ser apagado de nossa associação com o Peral Jam ou Nymphs e outros ofensivos artistas de primeira viagem", critica Cobain.
Os trechos selecionados pela Newsweek incluem várias referências ao abuso de drogas. Em uma carta a um amigo que nunca foi enviada, Cobain escreve: "Como você já deve ter percebido nos últimos tempos, eu tenho usado muitas drogas ultimamente e já é tempo da clínica Betty Ford ou a biblioteca Richard Nixon me salvar do abuso de meu anêmico e raquítico corpo", diz o músico.
Em outra carta não enviada, escrita a fãs enquanto estava na reabilitação, ele ridiculariza matérias que dizem que ele é um suicida e um viciado. "Não sou um viciado... Eu tenho uma desconhecida e desconfortável dor de estômago nos últimos três anos... Eu decidi aliviar minha dor com pequenas doses de heroína por um período de três semanas", escreve Cobain.
"Foi uma coisa estúpida que eu fiz e nunca mais vou fazer e sinto ter feito alguém acreditar que a heroína pudesse ser usada como remédio porque, hum, duh: não funcionou", ironiza. Cobain não conseguiu se livrar da heroína. Poucos meses antes de morrer, ele escreveu: "Eu me lembro de alguém dizendo que se você provasse heroína uma vez só, ficaria viciado. Claro que eu ri disso, mas agora eu acredito que isso é absolutamente verdadeiro", confessou.
Também entre os escritos estão várias cartas de amor para sua mulher, Courtney Love, e uma irritada e não enviada carta para seu separado pai. O livro de 288 páginas foi lançado nos EUA pela editora Riverhead Books. O diário foi vendido por David Vigliano, que representa o patrimônio de Cobain.
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