Dez mil jovens vibram com 'Woodstock' chinês
Fonte: Terra Música
Postado em 05 de outubro de 2003
A China está vivendo sua particular transição social com eventos como o show de rock que durante três dias levou mais de 10 mil jovens ao delírio nos arredores de Pequim, no evento que está sendo chamado, desde sua primeira edição, como o "Woodstock" chinês.
Apesar da reticência oficial à realização de shows de rock, por considerá-los contestadores, o Festival Midi de Música Moderna celebrou este ano sua quarta edição e segunda ao ar livre.
"O festival reflete a vida dos jovens chineses, tem colorido e é necessário para que possam se expressar livremente", afirmou Li Tieqiao, saxofonista do Meihao Yaodian (algo como Charmosa Farmácia em português), um dos grupos de "jazz-folk" que encerraram a apresentação de sexta-feira.
Milhares de roqueiros, artistas e estudantes de todo o país estão desde 1º de outubro na esplanada da Escola de Música Midi, ao som de grupos de música alternativa.
No meio da multidão, está aquele que é considerado o pai do rock chinês e uma das lendas de Tiananmen, o cantor Cui Jian, venerado pelos jovens músicos.
Cui foi um dos organizadores do primeiro concerto de rock em agosto do ano passado em Lijiang, província de Yunnan (sul), após anos de proibição.
Em suas últimas edições, o festival Midi ganhou tanta popularidade que mais de 200 grupos pediram para participar este ano. Por falta de tempo, porém, apenas 43 conjuntos puderam fazer parte da festa.
A variedade de atuações é sintomática do heterogêneo panorama musical chinês, muito ligado às tendências ocidentais e com estilos que vão do "hard rock" ao jazz, passando pelo folk, hip-hop, punk, grunge e até música eletrônica.
Como na chamada "movida madrilenha" dos anos 80, a efervescência musical não é sinônimo de qualidade, mas grupos como Ershou Meigui (algo como Rosas de Segunda Mão), CMCB (China McBrothers), Shanren (Homem da Montanha), ou Meihao Yaodian, estão ampliando e honrando o horizonte musical chinês. A influência ocidental é evidente em grupos como Joy Side, os Sex Pistols chineses, enquanto que outros trabalham em uma fronteiriça fusão, como o Erguang (Bofetada na Orelha), ou o Muma (Cavalo de Madeira). A maratona musical acolheu ainda grupos estrangeiros como o japonês Brahman, ou os noruegueses Blister.
Como no Ocidente, o festival também tem seus lemas sociais, que são mais inocentes na China, porém necessários. O tema deste ano foi a proteção dos animais, uma mensagem bastante distante da situação política no país.
A Escola de Música Midi é uma organização privada que desde 1993 oferece cursos de música moderna e não tradicional a cerca de 200 estudantes. No ano passado, a primeira vez que o evento acontecia ao ar livre, o festival recebeu a visita da polícia, que alegou que alguns dos granjeiros da região tinham se queixado do barulho.
Estas atuações policiais aumentaram também nos locais de música alternativa de Pequim na véspera e durante a celebração do histórico XVI Congresso do Partido Comunista, em novembro de 2002.
O segredo para evitar estas visitas "burocráticas" é realizar o festival nos terrenos da escola e não cobrar entrada para evitar que a polícia exija uma licença.
A escola, que paga seus próprios seguranças durante o evento, organizou o festival há quatro anos para motivar seus alunos. Com o passar do tempo, esses alunos formaram seus próprios grupos, cujas atuações foram incluídas na programação, até reunir uma multidão e se tornar rapidamente uma atração em nível nacional, mesmo sem qualquer apoio do Governo.
Com o espírito de Woodstock, centenas de jovens com cabelos compridos e "piercings" se deixam levar pela música, deitados na grama, comendo, bebendo, consumindo drogas em alguns casos e dançando felizes, em busca de sua identidade.
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