CPM 22: show cancelado termina em quebra-quebra
Fonte: Tribuna do Norte
Postado em 04 de novembro de 2003
Os fãs natalenses da banda de hardcore CPM 22 ficaram frustrados. O grupo paulista até esteve em Natal, no último sábado, como prometido, mas, por desentendimentos com a produção local, o seu show acabou não sendo realizado. Resultado: o público se rebelou e promoveu um grande quebra-quebra, entrando em conflito direto com os seguranças contratados. A polícia também foi acionada.
Além do CPM 22, a programação da noite contava com as bandas Verdade Suprema (RN) e Rabujo (CE), as duas bandas chegaram a se apresentar, mas os paulistas - que se hospedaram em Natal no Arituba Hotel, vindos do Recife (PE) - simplesmente não apareceram na arena do Imirá Plaza, Via Costeira, numa grande demonstração de desrespeito a quem compra seus CDs, canta suas canções e é fã da banda.
Ontem, vários emails de fãs revoltados chegaram à Redação da TRIBUNA DO NORTE, relatando revolta, indignação e solicitando esclarecimentos.
O show foi realizado pela Borboleta Turismo e pela Corvo Produções. Segundo Denis, vocalista do Verdade Suprema, que trabalhou junto com Rosângela Pessoa Soares na produção, toda confusão foi causada por má fé do CPM 22.
O grupo paulista foi contratado para shows em Natal e no Recife, onde chegaram a se apresentar - mas não sem antes fazer ameaças ao show natalense, caso não fossem cumpridas questões contratuais. Ele conta que, ainda em Recife, o produtor do grupo paulista começou a levantar dificuldades para a apresentação em Natal, que já vinha sendo amplamente divulgada havia dias. Segundo Denis, a banda já tinha recebido R$ 15 mil em dinheiro e disse que só tocaria aqui se o cachê fosse antecipado - o praxe nesse tipo de evento é metade do dinheiro antes e metade depois do show. "Demos então um cheque de R$ 20 mil para eles virem a Natal", diz o músico do Verdade Suprema.
Além disso, os produtores ainda tiveram problemas com a TAM, que não queria liberar as passagens de volta do grupo paulista. "A pressão foi tanta que a empresa exigiu um bem material. Demos o documento de uma moto zero quilômetro", diz Dênis.
Sumiço
"Depois ligamos para o hotel e eles disseram que estavam indo para o show; só que foram para o aeroporto e de lá pra São Paulo", lamenta ele, que conta ainda que a produtora dos cearenses do Rabujo encontrou o CPM 22 no aeroporto Augusto Severo. "Eles estavam rindo e disseram que o show em Natal foi um dos melhores", diz, revoltado.
Segundo Dênis, todas as etapas da estada do CPM 22 em Natal e Recife foram registradas. "Temos tudo documentado." Os produtores já acionaram advogado e pretendem processar os paulistas.
Os fãs, porém, ainda terão que amargar o não recebimento do dinheiro do ingresso. Dênis esclarece que a urna com os bilhetes foi saqueada e não há como saber quem realmente pagou. A solução, segundo ele, será a realização de um show gratuito com uma atração de renome nacional. Que prejuízo! Que papelão!
Público se revolta com produção do show
Em seu email enviado à TN, o estudante de Direito da UFRN, Rodrigo Tinôco, mostrou-se profundamente indignado com a banda CPM 22 e com a organização do evento em Natal. Ele conta que o primeiro show já começou bastante atrasado, depois da meia-noite, e que até as 3h30 os fãs esperaram algum comunicado, que não houve.
Segundo Dênis, do Verdade Suprema, a produtora Rosângela Pessoa optou por não comunicar o cancelamento no início da noite temendo uma resposta agressiva do público. Deu no que deu. "A decisão tomada pela direção do evento foi de uma covardia sem igual: autorizaram os seguranças baterem nos fãs, independentemente de sua participação ou não nos atos de vandalismo", escreve Rodrigo, que observa ainda que as condições para a realização do show não era das melhores. Um caminhão foi adaptado para servir de palco...
Já Raphael Dantas Ciríaco classificou o acontecido como "palhaçada" e ressaltou que nem sequer a chamada "arena" do Imirá foi fechada para impedir o acesso de quem não tinha ingresso.
Preocupada com sua imagem, já que serviu como ponto de venda de ingressos, a empresa Cellmix enviou fax à Redação esclarecendo que não teve nenhum envolvimento na confusão. "Em contato realizado entre a diretoria da Cellmix e a promotora do evento, o motivo do cancelamento da apresentação não foi esclarecido", escreveu André Sudário, diretor comercial.
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