Nenhum de Nós retoma o formato acústico em CD/DVD
Fonte: Terra Música
Postado em 17 de maio de 2004
Rodrigo Carneiro
Digam o que quiserem, mas os gaúchos do Nenhum de Nós saíram na frente nesta história de acústico. Até 1994, o formato era ignorado no Brasil e uma ou outra aventura neste sentido ainda trazia o rótulo anglo-saxão unplugged. À época, a banda deixou de lado as guitarras, arranjou as músicas para instrumentos ancestrais, postou-se em um teatro e lançou o bem-sucedido Acústico Ao Vivo. "É o que dizem os livros de história", diz o vocalista Thedy Corrêa ao Terra.
Tal qual o conceito do eterno retorno defendido pelo filósofo Friedrich Nietzsche, que escreveu que cada instante traz a marca da eternidade, e volta a acontecer um número infinito de vezes, Thedy Corrêa e seus companheiros de banda, que já soma 17 anos de carreira, Carlos Stein (guitarra), Sady Homrich (bateria), Veco Marques (guitarra, violão e bandolim) e João Vicente (acordeon e teclado), estão de volta ao formato que eles inauguraram há dez anos: o grupo acaba de lançar o CD Nenhum de Nós Acústico 2 Ao Vivo.
"O disco foi gravado no mesmo Theatro São Pedro, em Porto Alegre, e, como o Acústico Ao Vivo, teve quatro discos de estúdio antecessores", compara.
Segundo ele, o repertório, que foi escolhido com base nas composições dos álbuns Mundo Diablo (97), Paz & Amor (99), Onde Você Estava em 93? (2000) e Histórias Reais Seres Imaginários (2001), teve a participação efetiva dos fãs. "A opinião deles foi fundamental para criar o set list. O repertório foi definido com base nos pedidos dos fãs e na repercussão que as músicas tiveram quando foram lançadas", conta.
Atentos aos novos tempos da indústria, o grupo aposta no DVD acoplado ao CD. O diferencial do DVD é a inclusão dos extras que remontam aos sucessos dos meados dos anos 80. "Gravamos Camila, Astronauta de Mármore, Sobre o Tempo e Diga Ela ainda com as luzes do teatro sendo testadas", diz. "Mas o foco é o trabalho recente. É como se pudéssemos fazer agora, com melhor aparato técnico, o que não pudemos fazer em 1994."
O grupo é um dos que mais constantes da região Sul do País. E, por não ter deixado a terra natal, é referência em um cenário auto-suficiente. "Apesar de todas as pressões para deixarmos nossa cidade, permanecemos lá. Por conta disso, hoje há um circuito muito forte em Porto Alegre e no interior do Rio Grande do Sul e uma infinidade de bandas com trabalho muito pessoal. Tem o rap do Da Guedes, o reagge do Chimaroots, o punk do Tequila Baby e a Comunidade Ninjitsu, que trafega por todos estes estilos. Elas não obrigadas a vir para São Paulo ou para o Rio de Janeiro para gravar discos ou fazer shows", diz o vocalista.
"A postura de não deixar o Rio Grande serviu para que as casas noturnas melhorassem as condições. Nos ligavam querendo um show. Dizíamos que o palco era pequeno, por exemplo, e os donos iam lá e reformavam para que o Nenhum pudesse tocar na casa. Aí as outras bandas também tinham um espaço melhor para apresentar o trabalho", diz o baterista Sady.
Nas intenções do grupo estão shows e mais shows. "O caminho deste novo disco é a estrada mesmo. Até por não termos uma penca de convidados especiais, podemos nos apresentar a a qualquer momento em teatros e casas noturnas", finaliza.
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