A verdade sobre o Creed, segundo Stapp
Por Felipe
Fonte: CifraClub
Postado em 20 de janeiro de 2006
A turnê de Weathered, último disco lançado pelo Creed, terminou de forma desastrosa. Visivelmente drogado, o vocalista Scott Stapp deixou o palco após cinco músicas. Retornou sem camisa e sapatos - mas de meias. Em determinado ponto, deitou-se no palco e decepcionou uma multidão de fãs em Chicago. "Sequer me lembro desse show", admite o cantor.
O ano era 2003 e a banda já havia recebido seis discos de platina. Scott, porém, tornou-se o homem mais odiado do rock internacional. A imprensa o ridicularizava por suas letras com toques cristãos e sua postura de messias nos palcos. Os artistas disparavam diversas piadas contra ele. O comportamento do vocalista afetava todo o entrosamento e prestígio da banda na cena roqueira.
Em entrevista a Mark Binelli, da revista Rolling Stone, Scott Stapp revelou o lado que muita gente desconhecia. Ao contrário da imagem de bom moço cristão que transmitia ao vivo e nos palcos, o vocalista de 32 anos reaparece na mídia e revela o que estava por trás de toda a fama e poder que o Creed havia construído com sua reconstrução moderna do grunge.
Em turnê, Scott bebia em excesso e estava viciado em Percocet. Ele também tomava doses altas de Xanax e de Predinisona, um potente antiinflamatório para problemas de garganta. Ao final da promoção de Weathered, Scott foi largado em casa e decidiu abandonar as drogas: "eu tremia demais, era muita coisa saindo do meu corpo ao mesmo tempo", contou o vocalista. "Naquele momento, eu queria acabar com a minha vida".
Embora longe das drogas, a bebida ali permanecia. Certa noite, Scott bebeu um litro de Jack Daniel's e pegou duas armas de sua coleção pessoal. "Uma MP5 SD3 e uma MP5 K. Metralhadoras. Coisa que a SWAT usa", disse. Naquele ponto, ele não tinha mais contato com os outros integrantes do Creed e acreditava que toda a banda queria vê-lo morto, para que ele virasse um mártir e as vendas de discos estourassem.
"Antes de puxar o gatilho, olhei para cima e vi uma foto do meu filho Jagger". O garoto, com quatro anos na época, estava com a mãe, com quem Scott teve um casamento conturbado. "Em um instante, eu virei a arma e atirei por toda a casa. Depois caí em mim. Eu estava prestes a estourar minha cabeça, quão baixo eu poderia chegar?". Acreditava-se que o ex-líder do Creed teria ali um novo respeito pela vida.
Entretanto, ao refugiar-se para Maui, Scott viciou-se em OxyContin, um remédio conhecido como uma espécie de "heroína social". O Creed acabou no meio de 2004, Scott se limpou o suficiente para ficar noivo e gravar um disco solo, The Great Divide. Porém, ao sair para promover o disco, o ritual de autodestruição começou novamente. Na noite de Ação de Graças, após anunciar à família da noiva que iria se casar, ele encarou uma briga com os integrantes do 311 em um hotel em Baltimore. Apesar do depoimento de Doug Martinez e Chad Sexton, do 311, Scott nega ter começado a briga.
Alguns dias depois, Scott Stapp foi convidado a participar de um programa de TV onde celebridades jogam pôquer, o Casino Cinema, da emissora Spike TV. Quem assistiu ao programa garante que o vocalista estava totalmente drogado. Scott passou o programa todo resmungando e xingando sem parar, dizendo que o também convidado Dave Grohl tinha o pênis pequeno, fazendo movimentos de kung fu e exigindo beijos da apresentadora Beth Ostrosky. Beth, namorada do radialista Howard Stern, ouviu de Scott frases como "meu filho acha que bebês vêm do meu saco" e "eu tenho mais dinheiro que o Howard".
Após assistir ao programa, Scott Stapp entrou em uma clínica de reabilitação e por lá ficou durante algum tempo. Na ocasião da entrevista à Rolling Stone, na qual contou todos os podres citados acima, o ex-Creed estava sentado no porão recém-reformado da casa de sua noiva. Vestido casualmente, ele havia diminuído as luzes e sentava-se discretamente em um canto de um sofá. Segundo o entrevistador, suas mãos tremiam enquanto ele mexia o açúcar em seu café. Olhando fixo para o jornalista, deixou algumas lágrimas caírem, mas não se importou com elas.
"Antes disso tudo acontecer, acho que a última vez que chorei foi em 1991, quando meu pai morreu. É estranho, em um momento você vende milhões de discos, é banhado em admiração e amor e, mesmo assim, ainda se sente rejeitado e desprezado. Cometi muitos erros dos quais não me orgulho. Não choro de tristeza. Estou é feliz por desabafar", disse.
Em determinada ocasião anterior, Scott Stapp chegou a mencionar que conseguia ver o Creed se reunir algum dia. Por outro lado, o guitarrista Mark Tremonti já avisou: "é melhor que os fãs não esperem por isso. Não ouço nada do Creed há anos. Não suporto. Não conseguiria tocar coisas dessa época novamente, era um pesadelo. Quando o pessoal dessa época se encontra, é como uma reunião de veteranos do Vietnã", comentou.
Em relação ao depoimento de Mark, Scott respondeu: "se ele serviu no Vietnã, eu também servi. Ninguém vence em uma guerra". Quem poderia imaginar isso tudo, hein?
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