Considerações sobre show do Slayer em SP
Por Zé Roberto
Postado em 04 de setembro de 2006
Recebemos os seguintes comentários de um usuário sobre o show do Slayer realizado no dia 1º de setembro no Via Funchal. Os comentários e suposições abaixo são de inteira responsabilidade do autor.
Devo confessar que fazia muito tempo que não tinha tanta expectativa com respeito a um show quanto eu tive em relação a este do SLAYER. E vários motivos podem justificar tal ansiedade. Sou fã da banda desde a época do "Show no Mercy" e o lançamento do "Christ Illusion" foi uma grata surpresa para mim, e creio que para todos, que esperávamos um verdadeiro grande trabalho, algo que os caras ficaram nos devendo durante todos os longos anos que se seguiram após o excelente "Seasons in the Abyss". Tudo que eu havia lido e escutado desde a reunião da formação original só fizeram aumentar o anseio pela oportunidade de ver a performance destruidora do SLAYER ao vivo no Brasil.
E qual seria o motor deste novo sentimento que se criou em torno do grupo de mais ou menos um ano pra cá? E eu lhes digo, o motor se chama Dave Lombardo. Isso não é segredo. Até o Tom Araya e o Kerry King admitiram que a sonoridade que eles desejam para o SLAYER atinge a sua plenitude com os arranjos inigualáveis do grande Mr. Lombardo. Pois eu lhes digo mais, merdas acontecem...
Não sou repórter, jornalista ou qualquer coisa do gênero. Ou seja, não trabalho com a imprensa e nem tenho isso como projeto de vida. Mas, por um acaso do destino, eu tive contato direto com profissionais ligados à organização do show (bate-papo informal, sacam?) e tomei conhecimento de algo que definitivamente alterou a qualidade da apresentação da banda naquela noite: "A BATERIA DO DAVE LOMBARDO NÃO FOI DESPACHADA!! SIMPLESMENTE NÃO VEIO!!" A produção do show teve que se ralar durante toda a tarde para conseguir localmente uma alternativa compatível com a exigência técnica do SLAYER, o que não é fácil.
Sou baterista e sei quanto cada músico é adaptado ao seu kit e como isso faz diferença no resultado final de uma apresentação. Ainda mais para um cara como o Dave Lombardo, afeito a "algumas" variações com um "certo toque" de rapidez. Atestam a informação algumas observações que podem ser confirmadas pelos presentes naquela noite:
1) Após o set-list do UNGODLY, um pouco longo por sinal (coincidência?) e, levantado o pano de fundo da banda, notava-se um roadie de bateria atordoado, batendo como um louco nos vários tambores da bateria do SLAYER, como que para conseguir um ajuste desesperado em um momento no qual tudo já deveria estar "no jeito" para a realização do espetáculo;
2) A batera: um Frankenstein com bumbos vermelhos e tons pretos. Mencionaram que seria da marca Bauer, mas isso não posso confirmar. Vale lembrar que o Dave Lombardo é endorsed da Tama;
3) Não foi permitida a transmissão das imagens via telão, o que pode ter relação direta com problemas na geração de imagens oficiais do Lombardo tocando em uma bateria que não é do seu patrocinador oficial;
4)O som estava definitivamente embolado, o que pôde ser confirmado por vários presentes, pelo menos os que ali estiveram com o objetivo de escutar o show. Dos pratos não se ouvia praticamente nada. Nas parte rápidas cada um tinha que contar com o próprio instinto e conhecimento de repertório do SLAYER para se localizar na música. E o som do UNGODLY estava bem definido, e sendo assim não se pode culpar a acústica da casa...
5) O set list foi pequeno. Menor que o do show de sábado. E não houve encore. Realmente parecia haver uma insatisfação da banda com relação ao problema;
Posso lhes confessar que devido a estes problemas tive minha grande expectativa parcialmente frustrada (este é o problema das grandes expectativas, não?). Entretanto vale destacar que a energia e o empenho dos caras no palco foi destruidor. O set list, ainda que curto, foi perfeito. A voz do Araya estava fenomenal. O Kerry King e o Jeff Hanneman quebraram tudo e realmente eu não sei como as cabeças dos indíviduos não saem rolando após banguear uma hora e meia sem parar. E o Dave Lombardo... bem, ele tocou tudo o que sabe... nós só não ouvimos tudo o que ele tocou...
Pelos outros fãs e pela banda, espero sinceramente que tudo já tenha se acertado e que os shows do SLAYER no restante da turnê latinoamericana possam fazer jus à potência que os caras sempre trouxeram em suas apresentações ao vivo.
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