Tiamat: "somos todos geniais", diz Edlund

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: Blabbermouth
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O site NocturnalEuphony.com recentemente fez uma entrevista com o frontman do TIAMAT, Johan Edlund. Alguns trechos desse papo:

NocturnalEuphony.com: O que fez o álbum "Wildhoney" [de 1994] ser tão importante e popular durante todo esse tempo?

Johan Edlund: Ele foi lançado no momento certo. Foi um álbum seminal sob vários pontos de vista, inclusive no visual. Fizemos algo que antes não era permitido no metal e isso ajudou a criar um novo gênero. Não estou dizendo que o álbum foi perfeito, mas foi o primeiro do seu estilo. Quero dizer, quantas capas de álbuns na cor laranja com sóis não foram lançadas depois dessa? A cor laranja era um tabu na cena metálica antes de "Wildhoney". Acho que essa cor ajudou a pagar um monte de contas minhas nos últimos dez anos.

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NocturnalEuphony.com: Com o lançamento, em 1997, de "A Deeper Kind of Slumber", vemos novos membros na formação do Tiamat. Conte-nos algo sobre esse álbum.

Johan Edlund: Acho que ficamos um pouco arrogantes. Ou talvez um pouco ambiciosos demais? Você sabe, de repente tínhamos o dinheiro e o poder para fazer qualquer coisa e, por um momento, achamos que tudo o que tocássemos viraria ouro, então pensamos em chutar o pau da barraca, tomar drogas e fazer umas músicas malucas ou do tipo "cabeça". É como se fosse o nosso Sgt. Pepper’s ou coisa parecida. E chega a ser bem legal, não é? Por exemplo, "Phantasma De Luxe"? É uma boa música, não é? Mas também há momentos em que dá pra perceber que eu realmente achava que poderia fazer esse álbum nas coxas.

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NocturnalEuphony.com: O som do TIAMAT esteve em constante evolução e desenvolvimento desde o início; então, em 2003, a obra-prima "Prey" foi lançada. Diga-nos como foi a composição desse álbum e qual era o seu objetivo.

Johan Edlund: Bem, há uma estória por trás dele. Na verdade, é um álbum conceitual diferente. Algo como um enigma ou coisa do tipo. Dan Brown [do livro "O Código Da Vinci"] poderia escrever um livro sobre ele: "The Prey Code". Nunca tinha trabalhado de forma tão cuidadosa com a música, as letras, o visual e o conceito e, como eu fiz a maior parte do trabalho sozinho, fiquei muito empolgado e gostei bastante do que fiz, mas provavelmente o conceito acabou ficando um pouco mais difícil de entender. Mas não queremos tornar as coisas fáceis pra ninguém. Há outras bandas fazendo isso.

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NocturnalEuphony.com: Você já foi chamado de gênio musical mais de uma vez. O que acha de ser chamado assim?

Johan Edlund: A imprensa abusa muito das palavras e expressões hoje em dia. Eu vejo isso da seguinte forma: todos nós somos estrelas e gênios. Eu certamente me considero um gênio musical tanto quanto Mozart ou meus vizinhos. Se eu fosse caçoar do crítico de arte Clement Greenberg, que disse que toda pintura é igual, eu diria que toda música é igual. Nada mais que isso. Tudo tem o mesmo valor e ninguém tem o direito de julgar os outros e ditar as regras. Mas, por favor, não interpretem isso fora de contexto, porque eu posso parecer um completo megalomaníaco.

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NocturnalEuphony.com: Sua música incorpora muita paixão e inteligência. O que te influencia a compor dessa forma?

Johan Edlund: O jeito mais esperto de mostrar um pouco de inteligência é parar de pensar. As influências são a pior parte: elas são como vírus e, se você decidir permanecer dentro de um certo estilo, você está acabado. A maior influência em meu processo de composição é a esperança de ser capaz de me olhar no espelho toda manhã sem ter que olhar nos olhos de um prostituto.

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NocturnalEuphony.com: Nos últimos anos a mídia de todo o mundo se concentrou bastante em desastres, desde o 11 de setembro até o conflito em Israel. Você acha que esse foco tem algum efeito na música atual?

Johan Edlund: Sim, claro, mesmo se não quisermos. Eu não escrevo sobre esses problemas de maneira óbvia, mas certamente eles chegam a me afetar e, por fim, acabam refletindo nas músicas. Por que eu sempre acabo relendo sobre o dilúvio do Velho Testamento hoje em dia, alguns anos após o Tsunami?

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É muito estranho, mas começamos uma turnê no dia exato em que aconteceu o tsunami. Sabia que tínhamos escolhido abrir os shows com a música "Vote For Love" e terminar com "Gaia", pois são nossas duas músicas mais positivas e poderíamos acrescentar toda aquela atmosfera sombria e tétrica durante o show? Mas tivemos uma sensação muito estranha ao cantarmos o último verso da noite, "when nature calls we all shall drown" ["quando a natureza chamar, todos nós nos afogaremos", verso de "Gaia", do álbum "Wildhoney"], na frente de 1.200 fãs belgas que tinham acabado de ouvir notícias sobre o tsunami.

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Leia a entrevista completa neste link.




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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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