Autores bancam seus livros sobre os Beatles
Fonte: G1
Postado em 01 de janeiro de 2007
Allan Kozinn, do "New York Times"
Talvez você pense que o mundo editorial já tenha explorado todo pedacinho de informação sobre os Beatles, útil e trivial, em uma pilha do tamanho do Himalaia de livros publicados desde o auge do grupo nos anos 60: biografias sóbrias ou recheadas de fofocas, análises musicais, cronologias, além de romances com os Beatles como tema.
Pense de novo. Se os grandes editores rejeitaram os trabalhos de alguns autores por serem especializados demais para o público em geral, hoje em dia, mesmo os autores mais obcecados com os Beatles estão encontrando leitores para seus livros ao colocar no mercado suas próprias obras.
Mas não pense em autores que lançam seus livros apenas pela vaidade de vê-los publicados. Muitos desses livros autopublicados têm uma produção luxuosa e vêm com o material original que serviu para a pesquisa, tornando-os inestimáveis para estudiosos dos Beatles e colecionadores, e alguns deles têm se tornado inesperadamente um sucesso através das vendas on-line.
Eles variam de meticulosas descrições do processo de gravação dos Beatles a inúmeras análises das versões americanas dos discos da banda, até avaliações de gravações não-lançadas e gravações ao vivo disponíveis no mercado pirata.
Por que se incomodar com isso? Como bandas de rock independentes rejeitadas pelas grandes gravadoras, alguns desses autores que lançaram seus próprios livros tentaram contratos antes de seguir seu próprio caminho. Mas um número crescente deles está dizendo: Por que se incomodar com isso? A publicação independente, além de dar 100% dos lucros, permite a eles controle editorial e gráfico também, o que parece compensar o inconveniente de fazer a pesquisa com o próprio dinheiro em vez de contar com o adiantamento de alguma editora.
"Tudo o que eu leio me parece sugerir que a autopublicação é uma boa idéia", disse John C. Winn, autor de "Way Beyond Compare", "That Magic Feeling" e "Lifting Latches", uma série publicada independentemente que oferece fontes de informações com notas sobre todas as gravações conhecidas de áudio e vídeo dos Beatles, incluindo entrevistas.
"Meus livros são destinados para um público específico que eu tenho condições de atingir diretamente. Sendo um beatlemaníaco, eu conheço outros beatlemaníacos e sei onde encontrá-los e sobre o que eles estariam interessados em ler."
Alguns autores relatam surpreendentemente vendas sólidas de seus livros. Publicado em agosto, "Recording The Beatles", um estudo de 540 páginas sobre os equipamentos e técnicas usadas nas gravações dos discos dos Beatles, vendeu sua primeira leva de 3.000 cópias a US$ 100 por exemplar. Os autores, Kevin Ryan e Brian Kehew, têm já o pedido de uma segunda impressão e planejam uma edição com preço mais em conta para 2007.
Trabalho diário continua Bruce Spizer, um advogado de Nova Orleans, começou como um autor de um trabalho sobre os Beatles no esquema faça-você-mesmo com um estudo sobre o conturbado relacionamento jurídico entre a EMI, a gravadora da banda, e a Vee-Jay, que lançou as primeiras gravações. As quatro seqüências para "The Beatles records on Vee-Jay" são formadas de livros sobre os lançamentos dos Beatles nos Estados Unidos na Capitol Records e no seu próprio selo, a Apple, cada uma incluindo as capas (e versões não-aprovadas), logos (e variações), correspondência e material promocional. Um último livro, "The Beatles swan song", será lançado em março. Spizer também publicou "The Beatles are coming", sobre a primeira visita do grupo aos Estados Unidos em fevereiro de 1964.
Dito isso, segundo o escritor foram vendidas 37 mil cópias de seus seis livros, que trouxe a ele mais de US$ 1 milhão desde a primeira publicação, em 1998. E, mais importante para Spizer, os livros o colocaram no radar da EMI e da Apple. Quando as gravadoras lançaram os CDs dos álbuns dos Beatles segundo a versão norte-americana dos vinis (quando lançados em CD pela primeira vez nos EUA, os discos adotaram a edição britânica, que tinha uma ordem diferente das faixas), Spizer foi contratado como consultor.
"Eu podia fazer o que eu faço por tempo integral", afirmou. "Mas eu sigo com o meu trabalho diário. Eu gosto de dizer que como advogado tributário eu ganho US$ 210 por hora e como um editor de livros dos Beatles faço US$ 2,10 por hora."
Os livros fazem parte de uma crescente biblioteca de lançamentos independentes indispensáveis para qualquer um fascinado com a música dos Beatles, tenha sido lançada ou ainda seja inédita. Uma coisa que esses livros têm em comum entre si é que eles começam como um projetos pessoais, não tendo um livro em mente, porque os autores estavam procurando informação que não estava disponível.
"Quando você se autopublica, você tem a chance de fazer tudo o que você quer", diz Mark Lewisohn, um autor britânico que teve seu livro lançado por uma editora. "Você pode entrar em detalhes no livro que uma editora convencional tentaria limitar por razões de custo".
Assim, a autopublicação força os autores a se tornarem hábeis em questões de orçamento, impressão, direitos autorais, visual e outros detalhes de publicação.
"Nós conversamos com algumas editoras, pequenas e grandes", disse Kevin Ryan, "mas eu acho que nós nunca fomos convencidos sobre a maneira que seria feita a publicação. Nós tínhamos idéias muito firmes sobre como o livro deveria ser, sobre conteúdo e organização."
"E também eu já lidei pessoalmente no passado com gravadoras e posso ver uma correlação entre o mundo editorial e o mundo da música. Em ambos os casos a não ser que você venda 1 milhão de cópias de seu produto, você nunca vai conseguir uma quantia significativa de dinheiro."
Tradução de Shin Oliva Suzuki
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