Metallica: resenha do "Death Magnetic" da Uncut

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Por Douglas Morita, Fonte: Metallica Remains
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Matéria de 04/09/08. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

A Uncut.co.uk publicou o seguinte review sobre o novo álbum do METALLICA, “Death Magnetic”, com lançamento previsto para o dia 12 deste mês:

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"O Metallica realmente precisa que o 'Death Magnetic' seja um retorno de arrasar quarteirões. Eles tiveram, afinal, uma década bem apagada até o momento. O último álbum deles, o 'St. Anger' de 2003, foi o álbum mais fraco da carreira deles. Já tendo alienado milhões de fãs com suas atitudes públicas contra o compartilhamento online de arquivos, estes ex-nada-além-de-preto forasteiros começam a parecer desgastados e complacentes. Então vieram as atitudes infantis e afetivas sessões de terapia no notável documentário sobre os bastidores, 'Some Kind of Monster'. Um espetáculo obrigatório, mas tudo pelas razões erradas. A saída do ex-baixista Jason Newsted e a longa ausência do vocalista James Hetfield ao ir a um centro de reabilitação de álcool e drogas, expuseram uma banda a beira de um colapso. Por um tempo, parecia que os cavaleiros das trevas do super-metal poderiam terminar suas carreiras, literalmente, com um choro.

E então, a luta ao retorno começa. 'Death Magnetic' é o primeiro álbum de estúdio do Metallica em 17 anos sem Bob Rock, o produtor de pop-metal que ajudou a projetá-los ao status de superstars globalmente, com o álbum preto de 1991. No seu lugar, Rick Rubin toma as tarefas de produção. A reputação atual de Rubin como o homem que consegue recuperar artistas de meia-idade é importante aqui, mas igualmente é seu portfólio de grandes trabalhos de thrash metal, notavelmente o 'Reign in Blood' do Slayer. Tirando o Metallica de sua zona de conforto, Rubin os encorajou a fazer uma declaração definitiva no espírito de seu marco do prog-metal de 1986, 'Master of Puppets'.

O resultado é um álbum que foca nas maratonas longas e barrocas da primeira década da banda com o canto estilo rock alternativo mais melódico e contido da segunda década. A maioria dessas dez músicas são sinfonias de mais de sete minutos, densas, com riffs que se sobrepõem, quebrando com uma energia cinética rude, cobertas com idéias. A escala é imensa, o nível de detalhe intenso.

O novo baixista Rob Trujillo coloca sua marca com grooves ferozes de funk-metal como na 'The End of the Line'. Mais importante, para os fãs hardcores, os solos super rápidos de Kirk Hammett - uma omissão séria no 'St. Anger' - estão de volta em abundância. Sua chegada em faixas como 'Broken, Beaten and Scarred' explode como uma exibição de fogos de artifício sobre o riffs agitados, intimidadores e pesados do guitarrista base Hetfield.

Mas Hammett realmente se supera na galopante e veloz 'All Nightmare Long' e 'My Apocalypse', libertando pilhas de energia. Em momentos como esses, o Metallica soa menos como mega-estrelas do rock do que punks barulhentos de vanguarda.

O Hetfield pode ser um sóbrio homem de família hoje em dia, mas suas obsessões líricas continuam firmes em filmes de terror violentos e psicodrama. Em 'The Day That Never Comes' ele retorna a temática familiar de crueldade em família e violência doméstica: 'amor é uma palavra de quatro letras, aqui nesta prisão'. Começando como uma power ballad triste, este mini-épico se torna progressivamente mais pesado e agressivo, com Hetfield gritando como um animal enjaulado.

Psicólogos de domingo podem também detectar uma presença sombria do pai de Hetfield, um caminhoneiro religioso que abandou sua família, na imagem bíblica distorcida de 'The Judas Kiss'. Com seu refrão dominador de 'bow down, surrender unto me, submit infectiously' ("reverencie, renda-se a mim, submeta-se infecciosamente"), este sermão punk-thrash é provavelmente a maior imagem não proposital de um orgia homoerótica de sadomasoquismo cristão desde A Paixão de Cristo de Mel Gibson.

Introspecção tenra é algo raro no 'Death Magnetic', mas não totalmente ausente. Retornando a um dos hinos mais conhecidos do Metallica, 'The Unforgiven III' abre com um viajante e belo piano e orquestração. Então Hetfield começa uma variação da familiar melodia melancólica, embora desta vez sua própria culpa seja o tema chave: 'how can I blame you, when it’s me I can’t forgive?' ("como eu posso te culpar, quando sou eu quem não consigo perdoar?"). Naturalmente, toda essa angústia de cortar a alma leva um estouro com pilhas de riffs. Respeito.

'Death Magnetic' é impressionante, mas não perfeito. A vaga instrumental 'Suicide and Redemption' falta sentimento em lugares como um exercício virtuoso estilo Mike Oldfield. E o rock de garagem de dar torcicolo 'Cyanide' cai em lugares genéricos algumas horas, o tipo de Metallica genérico que o baterista Lars Ulrich rotulou de 'regular' em 'Some Kind of Monster', provocando a fúria de Hetfield.

Mas, acima de tudo, este não é um álbum que cheira a complacência da meia-idade. O Metallica soa faminto, nervoso e ambicioso de novo. Como todos os melhores álbum de rock pesado, ele suspende sua descrença, demanda sua atenção e conecta diretamente com seu adolescente interior. Depois de 80 minutos de pulverização de altos e baixo, ele te deixa com a sensação de estar esgotado e estranhamente feliz. O Metallica está de volta: não com um choro, mas com um grande estouro".

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Sobre Douglas Morita

Douglas Morita acha que se existem constantes em sua vida, uma delas definitivamente é o Metallica. Fã da banda desde que se conhece por gente, criou o site Metallica Remains em 1998 e considera o grupo como sua principal - porém, obviamente, não única - influência musical. Além do Metallica, tenta ouvir de tudo um pouco, sem se limitar a estilos ou rótulos.

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