James Hetfield, vocalista do Metallica, fala sobre composição de letras
Por Douglas Morita
Fonte: Metallica Remains
Postado em 21 de dezembro de 2008
Em dezembro de 2008 a revista Revolver elegeu o "Death Magnetic" do METALLICA como o "Álbum do Ano", e conversou com o frontman James Hetfield sobre o disco e os elogios recebidos pela crítica. Um trecho da conversa pode ser conferido abaixo.
Revolver: O que rolou, pessoalmente, entre vocês quatro para fazer um disco como este?
Hetfield: "Pessoalmente? Muito respeito. Muita comunicação, e muito foco enquanto nós estamos lá. Há muita honestidade e, sabe, dar um feedback honesto colabora com o projeto, não só brigando e batalhando. Coisa que é realmente honesta e que tornará o projeto melhor. E eu acho que nós todos estamos melhorando um pouco nisso; estamos insensíveis às críticas, e somos capazes de deixar de lado coisas que não se encaixam, sabe. E trabalhar com o [produtor] Rick Rubin, nós aprendemos muito nisso!"
Revolver: Vocês aprenderam a ignorar as críticas?
Hetfield: "Bem, você está colocando seu coração nisso, sabe? E qualquer um que escreve música ou escreve como você sabe que você coloca seu coração lá com sua arte. E quando alguém julga isso, claro que vai machucar, mas você precisa ou ter a confiança de, 'Sim, ok, eu posso fazer melhor', ou 'parte da afirmação desse cara faz sentido - esta parte não', e seguir com isso".
Revolver: Você pode dar um exemplo específico de uma música onde você precisou ignorar as críticas?
Hetfield: "Bem, falando de riffs, eu sou bem confiante. Mas quando é sobre letras, aí é quando fica ainda mais pessoal. Está vindo de algum lugar, e você não tem certeza de onde está vindo. Não importa o quão externo, foi digerido por você; está ligado a sua vida de alguma forma. Seja durante sua infância ou eventos recentes ou o que for, está ligado, e você tem que ter o sentimento nisso, e isto significa que há uma oportunidade de ter sentimentos machucados".
"Então quando você está escrevendo letras e alguém diz, 'Isto não é tão bom', você pensa, 'Wow, ok'. Porque eles estão basicamente dizendo que sua vida não é tão boa! Parece meio dessa forma, porque você está se dedicando tanto lá. Mas aceitar o desafio - isto faz mais sentido pra mim. Ficar todo bravo e reescrever funciona de um modo, mas aceitar o desafio é sempre bom. Então tiveram até que algumas coisas de letras".
"Tiveram até que algumas em algumas músicas, assim como nós fazemos ao Lars [Ulrich, bateria] ao fazer uma certa batida na bateria e dizemos, 'Você pode fazer melhor isso, tente algumas coisas'. Nós fizemos isso, onde eles falaram, 'Estas letras estão ok. Tente outra coisa'. Tiveram até que algumas nesse disco. Eles não sentaram e analisaram cada coisinha como Rick fez neste disco, mas eu sentei na casa de Rick em sua sala de estar vazia, onde ele basicamente tem um sofá de couro branco e um grande aparelho de som, e nós sentamos lá e passamos por isso. Nós estávamos basicamente procurando por coisas que nos abalavam: 'Isto me abalou".
"Aquilo me abalou. Eu não sei o que diabos estas letras significam', sabe? Até o [título] 'Death Magnetic', o que diabos é isso? Eu não sei, mas me abala. Tem emoção nisso! Nós procuramos por muito disso, e através do passado, mesmo nos discos antigos tinha muito dessa atração misteriosa. Você não sabe exatamente o que era, mas no minuto que você cantou ou sentiu isso, você sabia o que significava".
Mais trechos da entrevista podem ser lidos, em inglês, clicando aqui.
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