A aversão aos rótulos na visão de Kerry King e Tom Araya, do Slayer
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 26 de março de 2013
Nos hoje longínquos primórdios dos anos oitenta, surgia uma nova forma musical que não possuía um padrão sonoro enquadrável nas categorias de então: brutais demais para o metal de JUDAS e IRON, elaborado demais para o hardcore de CIRCLE JERKS e BLACK FLAG e, em certa medida não tão generalista quando o assunto é satanismo quanto o VENOM. Nomeado como speed e power metal, categorias que o tempo deu conta de criar nichos apartados posteriormente, o thrash nasceu e cresceu como um filho sem pai, evoluindo de forma espontânea graças a cena californiana e nova iorquina. Tendo a Bay Area como referência, região que compreende San Francisco e seus arredores, bandas como TESTAMENT, EXODUS, HEATHEN e, por adoção - graças a CLIFF BURTON - o METALLICA, deram o ar da graça. Em Los Angeles, o thrash viu surgir dos escombros da relação tumultuada entre MUSTAINE e sua ex-banda, o MEGADETH e, em uma junção de imigrante chileno, um cubano, um aficcionado em hardcore e um insano fã de alavancada e solos atonais, o SLAYER.
Na biografia "O Reino Sangrento do SLAYER" de JOEL MCIVER, KERRY KING refutava, no início da década de 1990 a tentativa da crítica e parte do público de classificar o metal extremo como um coisa só. Ao tratar do blast beat, a famosa "metranca", batida que migrou do hardcore para outros gêneros, o guitarrista afirma:
As pessoas podem gostar, tudo bem, mas acho que isso não tem lugar no SLAYER. A banda é mais musical do que isso(...) Não gosto daquela primeira onda que todos chamavam de death metal. O vocal do "monstro do biscoito" me deixou maluco. Se eu não gostar de um cantor, é difícil para eu gostar de música. Você tem 50 bandas lá fora que tem exatamente o mesmo som"
Já TOM ARAYA ao tratar da estética gutural do death metal também foi enfático:
Mesmo no começo, eu não tentava cantar de modo que ninguém pudesse entender o que diabos eu estava dizendo. Nós não grunhimos e rosnamos e dizemos que aquelas eram nossas palavras. Ao logo dos anos eu não tentei fazer isso.
Segundo o autor, "O SLAYER estava em um dilema no final de 1991: eles ainda eram uma banda de metal extremo (que até então significava death metal, que a banda não entendia), black metal (que eles não aprovavam) ou eram uma banda de metal mainstream, quando "maisntream" significava algo mais próximo do NIRVANA e METALLICA."
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