Indústria: se querem que você ouça música, por que não lhe pagam?
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 18 de novembro de 2014
STEVE ALBINI é o produtor [ele prefere o termo ‘engenheiro fonográfico’] por trás de centenas de discos. Ele também é membro da banda SHELLAC. Em 1993, ele publicou ‘O Problema da Música’, um texto expondo sua crença de que uma indústria dominada por grandes gravadoras da época era ineficiente, explorava os músicos e levava a música de qualidade medíocre. No último sábado, ele foi o principal palestrante da conferência ‘Face The Music’ em Melbourne, Austrália, na qual ele comemorou o fato de que a internet tinha tanto desmantelado aquele sistema como exposto suas injustiças.
O que segue abaixo é um trecho traduzido de parte de transcrição da palestra de Albini.
[...]
"Eu já estou falando faz tempo demais, mas ainda não mencionei o debate acerca de propriedade intelectual. Eu vou tentar tirar isso da lista agora. Eu gostaria de deixar tempo sobrando para perguntas depois que eu falar, e apesar de eu estar deixando muita coisa de fora – licenciamento, créditos roubados, sampling, uso correto, inspiração – eu suspeito que haverá uma discussão saudável a seguir e penso que tais conversas são necessárias e urgem com o tempo.
"De minha parte, eu acredito que o próprio conceito de propriedade intelectual com respeito à música gravada chegou à sua morte natural, ou algo como a morte. A tecnologia trouxe à tona a necessidade de se adotar o significado da palavra ‘lançamento’, como se lança ou libera um pássaro ou um peido. Não é mais possível manter controle sobre material digitalizado e eu não acho que o bem público seja bem assistido quando se tanta fazê-lo.
"Há um excelente bem comum ao deixar que o material criativo caia em domínio público. A lei de direitos autorais tem sido modificada tão extensivamente nas décadas passadas que agora isso essencialmente nunca acontece, criando absurdos toda vez que o direito autoral é invocado. Há uma enorme quantidade de trabalhos que não estão legalmente em domínio público, apesar do detentor de seus direitos, seus autores e criadores já terem morrido ou desaparecido como pessoas jurídicas. E tal material, do ponto de vista legal, agora é removido de nossa cultura – ninguém pode copiá-lo ou relança-lo porque ele ainda está sob direito autoral.
"Outros absurdos são constantes: uso inócuo de música ao fundo de vídeos caseiros ou projetos acadêmicos é tecnicamente uma violação e obstáculos oficiais são estabelecidos para impedir isso. Se você quer um vídeo de sua festa de casamento – a primeira dança do seu pai com uma noiva – isso não é permitido, a menos que seja mudo. Se a sua filhinha dizer uma dança engraçadona ao som de uma música de Prince, não se incomode de colocar isso no YouTube para que os avós dela assistam ou um duende púrpura com calças que deixam a bunda de fora vai lhe processar. Eu ofendi o baixinho? Foda-se. A música dele é veneno.
"A música entrou no meio-ambiente como um elemento atmosférico, como o vento, e como tal, não deveria estar sujeita ao controle e à compensação. Bem, não a menos que os detentores dos direitos estejam dispostos a deixar que eu vire a mesa. Se você acha que a minha audiência vale algo, OK, beleza, eu também acho. Tocou uma música de Phil Collins enquanto eu estou fazendo compras no supermercado? Me pague 20 dólares. Def Leppard? Me dá $100. Miley Cyrus? Eles não imprimem tanto dinheiro assim." [...]
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



5 clássicos do rock cujas letras envelheceram mal
Nazareth abre a turnê brasileira em Vitória com clássicos de cinco décadas
Quando Robert Plant enquadrou uma banda por plágio e levou o troco na mesma hora
Como é tocar com um ex-membro de Shaman e Angra, segundo Paulo Ricardo
A banda americana que não conseguiu competir com o Led Zeppelin no palco
O clássico dos anos 70 que para Slash tem o "melhor timbre de guitarra de todos os tempos"
Mãe de baterista do Mastodon já fugiu de hospital para ver show da banda
A banda que vendeu milhões nos anos 70 e hoje não aparece nas listas de rock clássico
A música de Bruce Dickinson que tem riff no estilo Scorpions
Com Corey Glover (Living Colour) nos vocais, One Tribe Nation lança cover do Black Sabbath
Mick Box, guitarrista do Uriah Heep, conta como Brexit dificultou tudo para bandas britânicas
Ian Anderson (Jethro Tull) lembra de quando Joey Ramone lhe pediu autógrafo
A música do Toto que se tornou trilha sonora do vôlei na Rede Globo
O álbum de 1972 que Mick Jagger dos Rolling Stones disse não ter música ruim
Malcolm e Angus Young explicam por que o AC/DC não desistiu após morte de Bon Scott
O frustrante único encontro de Roger Waters do Pink Floyd com John Lennon dos Beatles
Kiko Loureiro diz que foi idiota tocar no Rock in Rio com Angra e quase perder filha nascer
Cinco bandas de heavy metal que nunca trocaram de vocalista - Parte I

Seether é mais uma banda que abandonará o formato de álbuns
Por que é tão difícil combater os cambistas? Ticketmaster Brasil dá sua versão
Sorte: homem acha 2 discos de vinil em sebo e fatura R$42 mil



