Ash vs. Evil Dead: horror, humor e rock'n'roll numa série irresistivelmente divertida
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 25 de janeiro de 2016
Em 1981, jovens entusiastas de cine (d)e horror lançaram produção de baixo orçamento que reviraria estômagos, praticamente inauguraria um sub-sub-gênero, catapultaria o diretor Sam Raimi ao superestrelato dirigindo filmes "sérios" i.e. de grande orçamento para Hollywood e criaria um ator/personagem ícone, Bruce Campbell interpretando o Ash Williams.
Uma Noite Alucinante: a Morte do Demônio, como traduzido no Brasil, circulou no underground por anos, juntando público cult fiel, que se entusiasmava com o festival de meleca exagerada e temperada com humor, tudo de gosto muito duvidoso. The Evil Dead inaugurou as comédias de horror e é uma das poucas franquias onde o terror não é aguado pelo humor.
Jovens vão passar fim de semana numa decrépita cabana isolada na floresta. Lá acham o Necronomicon Ex-Mortis, livro sumeriano encadernado em pele humana e escrito em sangue, que desperta demônios ao ser lido. Não demora para a carnificina começar. The Evil Dead não é legal apenas porque inovou o horror, mas em aspectos técnicos e narrativos Raimi esbanja criatividade e hormônios jovens a mil.
Se você não conhece o original, vale muito; aproveita que tem em português no Youtube.
2 sequências e uma refilmagem não mataram a sede de sangue e pus dos fãs. Segundo Campbell, esses o tem infernizado há anos por mais Ash, mais Evil Dead. Na noite do último Halloween, o canal estadunidense Starz começou a saciar essa síndrome de abstinência com os 10 capítulos de meia hora de Ash vs. Evil Dead, que tiveram o envolvimento de todo mundo do original e a adição de delícias trash como a neozelandesa Lucy Lawless, de fama mundial pelo papel-título na série Xena, Princesa Guerreira.
Praticamente unanimidade entre críticos, os elogios foram merecidos: Ash vs. Evil Dead é deleite do começo ao fim; não há falhas. Roteiro e produção não mexem com a mitologia original; tudo é como na franquia The Evil Dead. A trilha sonora é basicamente de rock setentista para reforçar que Ash não caminhou no tempo (veja lista de canções no fim da matéria); o carro é vintage (nome hip pra lata-velha); as armas que usa são iguais e o ritmo é a alucinante sucessão de demônios aparecendo, Ash picotando-os com sua serra elétrica, fazendo algum gracejo e bora lá pro próximo diabo.
Bem à moda Ash, ele estupidamente conjura os habitantes das profundas e a diversão começa. Em época de inclusão televisiva, ele tem 2 ajudantes; um latino e uma judia e envolve-se com uma policial negra. Mas, Ash é herói, mas não exemplo, então não tema diluição no gore e no humor (auto-)depreciativo. Ao arrombar uma porta, ele solta pra companheira: "se quiser, posso te arrombar também". Grande Ash babaca que tanto amamos!
Um dos segredos de The Evil Dead e, consequentemente, da série, é o exagero, que tinge tudo de humor e irrealidade. Os jorros de sangue na fuça do espectador e dos personagens acabam sendo quase engraçados e a insuportabilidade ashiana rende boas risadas e permite certa identificação pós-moderna com o herói – liberado da necessidade de ser apolíneo – no sentido que qualquer zé-ruela pode ser um.
Antes mesmo da estreia, o Starz já renovara Ash vs. Evil Dead pruma 2ª temporada, iupi!
Confira a lista de canções de Ash vs. Evil Dead:
"Space Truckin' (1997 Remix)" - Deep Purple
"End Of The Line" - Frijid Pink
"Journey to the Center of the Mind" - Amboy Dukes
"Highway Star (1997 Remix)" - Deep Purple
"Knife-Edge" - Emerson, Lake & Palmer
"Loose" - The Stooges
"Midnight Rider" - The Allman Brothers Band
"Here I Go Again" - Whitesnake
"Free Your Mind and Your Ass Will Follow" - Funkadelic
"Down by the Water" - PJ Harvey
"Is It My Body" - Alice Cooper
"Stranglehold" - Ted Nugent
"Be My Lover" - Alice Cooper
"All My Ex's Live in Texas" - Whitey Shafer
"Freakin' Out" - Death
"Renegade" - Styx
"Time Has Come Today" - Bootsy Collins
"The Two of Us Together" - Don Gibson and Sue Thompson
"Just the Two of Us" - Bill Withers
"I Could Write a Book" - Dinah Washington
"End Of The Line" - Frijid Pink
"No More Mr. Nice Guy" - Alice Cooper
"Back in Black" - AC/DC
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